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Angústia de um mito olímpico
SALNIKOV ESPEROU OITO ANOS PARA VOLTAR A SE CONSAGRAR
A aposentadoria do nadador russo Vladimir Salnikov começou
no dia 25 de setembro de 1988. Depois de conquistar o
ouro nos 1.500 m na Olimpíada de Seul, Salnikov entrou
para um seleto clube. Subiu no lugar mais alto do pódio
depois de oito anos de ter conquistado a mesma medalha,
na Olimpíada de Moscou.
Muito menos pelo espaço de tempo e muito mais pelo que
sofreu por não poder ganhar a medalha de ouro também na
Olimpíada de Los Angeles. O motivo foi o boicote promovido
pelo seu país, na época ainda sob a esfinge da comunista
União Soviética.
Um dos principais feitos de Salnikov foi ter se transformado
no primeiro homem do mundo a conseguir nadar os 1.500m
abaixo dos 15 minutos. À época, a impressionante marca
de Salnikov causou assombro e felicidade na União Soviética,
que aproveitou o feito do atleta russo para divulgar ao
mundo os benefícios do comunismo.
Mas o confronto entre Estados Unidos e União Soviética
deixou o atleta frustrado. No entanto, Salnikov retornou
às piscinas. Treinado por sua mulher, Marina, Salnikov
chegou em Seul como uma incógnita. Mas passou bem pelas
eliminatórias, uma por uma, e conquistou o sonhado ouro.
Na Vila Olímpica, à noite, algumas horas depois de ter
conquistado sua medalha, foi aplaudido de pé no refeitório.
Naquele momento, Salnikov teve certeza que sua missão
no planeta água estava completa.
Seu currículo nas piscinas é invejável. Em toda a sua
vitoriosa carreira quebrou um total de 12 recordes mundiais.
Nos 1.500m, sua especialidade, foram três, outros cinco
nos 400m livre e mais quatro nos 800m.
Em 1978, conquistou dois títulos mundiais, nos 400 e nos
1.500m. Em seu último mundial, em 82, voltou a ser o soberano
da águas nas mesmas provas.
O nadador russo acumulou ainda três medalhas de ouro em
campeonatos europeus e uma única de prata. |