| Foto Gazeta Press |
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Luta contra o preconceito
A TRANSEXUAL RENÉE RICHARDS TEVE DE ENFRENTAR ATÉ A
JUSTIÇA
Dinheiro, status e requinte. Essas três palavras descrevem,
em certo aspecto, o esporte tênis. Até por isso, questões
polêmicas em que o mundo se envolveu neste século sempre
foram relegadas à segundo plano por seus dirigentes,
que sempre fizeram do tênis um dos esportes mais organizados
em todos os tempos. Mas até o glamuroso mundo do tênis
se curvou à tenista Renée Richards. Na década de 70,
Richards se transformou no transexual mais famoso do
planeta.
Renée Richards tornou-se mulher em 1976, após realizar
a operação que se tornaria bastante famosa durante a
década de 80. Originalmente Richard Raskind, parte de
uma das famílias mais tradicionais de Nova York, o médico
formado em Yale passou, após a operação, a viver na
cidade de Los Angeles. Passou a jogar tênis profissionalmente,
entre as mulheres, após um torneio amador, mas que contava
com a participação de algumas ex-profissionais. Foi
após essa conquista que a imprensa descobriu sua transformação.
A partir daí, sua vida virou um verdadeiro inferno.
Renée teve de enfrentar inclusive a Justiça para continuar
seu sonho de ser jogadora profissional e sua idéia de
utilizar o esporte para diminuir o preconceito com relação
aos transexuais. Enfrentou sem medo o preconceito e
foi, aos poucos, conquistando mais consideração.
Depois de encerrar sua carreira como jogadora, Renée
Richards tornou-se treinadora de uma das maiores tenistas
de todos os tempos, Martina Navratilova.
Renée faz questão de lembrar que, a partir desse momento,
as pessoas no mundo do tênis passaram a respeitar bem
mais a sua opção sexual. Atualmente, Renée não está
ligada ao tênis. Ela voltou a exercer a medicina na
cidade de Los Angeles. A ex-tenista acredita que, hoje
em dia, não existe o mesmo preconceito sofrido por ela
na década de 70. "Ninguém fala nada, nos dias de hoje,
do RuPaul", afirma Renée, lembrando da cantora, também
transexual.
O tênis pelas causas sociais
A tenista Martina Navratilova não se tornou mundialmente
famosa apenas por sua incrível capacidade de conquistar
títulos no circuito profissional de tênis. Nascida em
Praga, na Checoslováquia, e naturalizada norte-americana,
a atleta também ganhou fama por utilizar a notoriedade
do tênis para pedir apoio e defender minorias discriminadas.
Durante sua carreira, ela lutou ao lado de organizações
sem fins lucrativos, trabalhou pela situação de crianças
carentes e com o mesmo entusiasmo que demonstrava nas
quadras lutou pelos direitos dos homossexuais. Trabalho
nem sempre conhecido do grande público fã do tênis.
O tenista Arthur Ashe conduziu sua carreira e, por conseqüência,
sua vida pessoal da mesma maneira que Martina Navratilova.
Talvez por esse aspecto tenha se transformado em um
dos maiores ídolos do esporte nos Estados Unidos.
Ashe lutou contra a discriminação racial na África do
Sul e também transformou-se no primeiro negro a integrar
a equipe norte-americana em uma disputa de Copa Davis.
Outra luta do tenista aconteceu no fim de sua vida.
Em 1985, após descobrir que era portador do vírus da
Aids, passou a encampar uma luta por tratamento melhor
aos portadores da doença, ainda envolta em preconceito
no fim do século. Ashe morreria em 94.
Billie Jean King, uma rebelde das quadras
Os anos 70 foram marcados por profundas transformações
culturais e sociais no mundo. Uma delas era a briga
das mulheres por condições iguais no trabalho. As feministas
ganhavam as ruas em protesto contra o preconceito e
queimavam sutiãs em praça pública. O esporte não poderia
passar isento em meio a essas transformações.
Por isso é que a atitude da tenista norte-americana
Billie Jean King corresponde a um dos fatos mais importantes
da história do tênis. Em 1973, venceu a batalha dos
sexos, uma partida que disputou contra o tenista Bobby
Riggs, em um evento que reuniu um número gigantesco
de telespectadores.
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