Adauto Domingues:
de bicampeão a mestre
| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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Nome: Adauto Domingues
Data de nascimento: 20 de maio de 1961
Local: São Caetano do Sul
Altura: 1,73m
Peso: 76kg
Especialidade: 3.000m e 5.000m
com obstáculos
Principais resultados: Bicampeão
pan-americano nos 3.000m com obstáculos (Indianápolis/87
e Havana/91), heptacampeão brasileiro nos
3.000m e 5.000m com obstáculos, quatro vezes
pódio na Corrida Internacional de São
Silvestre: melhor performance, terceiro lugar em
1985
Participação olímpica:
Seul-88 |
Por Marta Teixeira
Bicampeão pan-americano, o ex-corredor Adauto Domingues
pode ter aposentado o tênis nas competições, mas continua
prestando sua valiosa contribuição para os resultados
brasileiros em Jogos Pan-americanos. Sob sua responsabilidade
treinam nomes como o bicampeão da Corrida Internacional
de São Silvestre e medalhista pan-americano Marílson
Gomes dos Santos e os marchadores Mário José dos Santos
e Alessandra Picagevicz, todos pré-convocados para os
Jogos de 2007.
A carreira de Adauto começou em 1970, quase por acaso.
Ele e o irmão participavam do programa de Patrulheiros
Mirins em São Caetano do Sul no qual, além das atividades
de formação profissional, também havia práticas de pedestrianismo.
E o garoto começou a se destacar.
Trabalhando desde os 11 anos, primeiro como office-boy,
depois de ajustador mecânico até finalmente se formar
em educação física, os primeiros anos de Adauto no atletismo
foram marcados pela partilha do tempo entre as atividades
profissionais e as corridas.
Aos 18 anos, foi convidado pelo Sesi para integrar
sua equipe – a potência nacional do atletismo na época
– e com o incentivo da mãe, aceitou o desafio. “Quando
soube do convite, ela me disse: vai lá, se der errado
você começa de novo. E eu fui”.
A experiência não poderia ter dado mais certo. Pupilo
do histórico treinador Asdrúbal Ferreira Batista durante
dez anos, Adauto construiu uma das carreiras mais bem-sucedidas
do cenário nacional. Foi sete vezes campeão brasileiro
consecutivo nos 3.000m e 5.000m com obstáculos, esteve
quatro vezes no pódio da São Silvestre e mantém, até
hoje, o recorde brasileiro em pista coberta nos 3.000m,
registrado no Mundial de Budapeste-89.
De todas as conquistas obtidas, fora as medalhas,
o único troféu que conserva é o de sua primeira vitória,
obtida em 1971. Nas provas de rua, um de seus grandes
resultados foi a terceira colocação na São Silvestre
de 85. Como ele mesmo admite, um pódio que almejava
há tempos.
Mas a grande recordação da carreira é mesmo a campanha
do Pan-americano de Indianápolis-87. “Ela mudou minha
vida”, justifica, lembrando a trajetória até a conquista
das medalhas de ouro nos 3.000m com obstáculos e prata
nos 5.000m. “Nessa época eu trabalhava na Prefeitura
e treinava em dois horários”, explica. “Foi importante
primeiro por conseguir fazer o índice. Depois foi muito
legal porque tinham dois norte-americanos muito fortes
e eu era a zebra (nos 3.000m)”. Quarto melhor do mundo
naquela época, Henry Marsh era um dos adversários principais,
assim como seu compatriota Brian Abshire, que completaram
o pódio.
Na hora da disputa, o estilo de corrida de Adauto
acabou fazendo a diferença. “Como característica, é
claro que não sou um velocista rápido, mas entre os
fundistas eu era muito rápido”, recorda. Na final pan-americana,
a corrida serviu como uma luva a seu jeito de correr.
“Não foi rápida no começo, mas o final foi muito forte”.
Adauto venceu a prova com o tempo de 8min23s26, registrando
um novo recorde pan-americano. A marca durou cinco anos
até ser batida e combinada ao título alçou o fundista
a outro patamar entre os atletas nacionais e, finalmente,
lhe permitiu se dedicar integralmente ao esporte e viver
disso.
A emoção do pódio, ele garante reviver cada vez que
recorda da cerimônia. “Era uma bandeira brasileira e
duas americanas que subiam ao som do hino nacional brasileiro”.
Quatro anos depois, em Havana-91, Adauto foi novamente
campeão nos 3.000m com obstáculos. “Foi outra história,
tão importante quanto, mas não tão emocionante”, confessa.
Fazendo um retrospecto da carreira nas pistas, ele
afirma não ter arrependimentos. “Tive uma carreira muito
vitoriosa olhando para a realidade daquela época. Se
fosse hoje, talvez pudesse ter ido mais longe”, avalia,
confessando guardar uma pequena frustração profissional.
“Eu queria uma Olimpíada. Fui em Seul, mas não estava
tão bem e meu objetivo não foi alcançado”, lamenta.
Reinando absoluto em suas provas durante uma década
no Brasil, Adauto viu a carreira começar a declinar
após uma seqüência de lesões nas panturrilhas. As contusões
comprometiam seu treinamento e nas disputas ele já não
obtinha o mesmo aproveitamento. “Nas provas de fundo,
se você não treinou não rende. Eu sempre gostei muito
de entrar com chance de ganhar e durante dez anos não
perdi. Então, quando os resultados diminuíram já não
tinha mais a mesma motivação”.
Em 1992, começou a dividir seu tempo entre competições
e treinamentos dados a ex-atletas de Asdrúbal, que já
havia morrido. A aposentadoria das pistas veio em 1995
e a transição foi vista como um processo natural, que
proporcionou outra forma de satisfação. “Sei que tenho
muito a aprender. Mas olhando o que passou, acho que
só teria muito a agradecer. Tirando esta história das
Olimpíadas, consegui alguns resultados muito bons”.
Apesar de feliz na nova fase profissional, Adauto
reconhece que os atletas levam certa vantagem sobre
os treinadores. “Ser técnico é mais chato. Como atleta
você tem o poder de decisão na pista. Como técnico,
há variantes que não dependem de você”, completa.
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