| O imortal do salto triplo
| Foto: Divulgação |
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Nome: Adhemar Ferreira da Silva
Data de nascimento: 29 de setembro de 1927
Local: São Paulo (SP)
Falecimento: 12 de janeiro de 2001
Principais Resultados:
. Bicampeão olímpico (Helsinque/52 e Melbourne/56)
. Tricampeão pan-americano (Buenos Aires/51, México/55
e Chicago/59)
. Bicampeão entre universidades (Dortmund/53 e San Sebastian/55)
. Pentacampeão sul-americano
. Hexacampeão brasileiro
. Decacampeão paulista
. Pentacampeão carioca
Participações olímpicas: Londres/48,
Helsinque/ 52, Melbourne/56 e Roma/60
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Adhemar Ferreira da Silva nasceu para superar obstáculos
e quebrar recordes. Ele pode ser considerado o maior atleta
olímpico do esporte brasileiro, já que foi o único a conquistar,
por duas vezes consecutivas, medalhas de ouro da maior competição
poliesportiva mundial - nos Jogos de Helsinque, Finlândia, em
1952, e nos Jogos de Melbourne, Austrália, em 1956. Apenas para
efeito de comparação, Joaquim Cruz foi o único atleta além de
Adhemar a conquistar um ouro olímpico em toda a história do
atletismo brasileiro, em Los Angeles-84
Nascido em 29 de setembro de 1927, em São Paulo, Adhemar
Ferreira da Silva passou a juventude decidido a se tornar
jogador de futebol. Chegou até mesmo a atuar por alguns anos
como volante do time de seu bairro, apesar de não levar tanto
jeito para a coisa. Foi apenas aos 19 anos que, passeando
com um amigo pelo centro de São Paulo, o jovem garoto encontrou
um atleta negro, alto e forte, pertencente ao São Paulo Futebol
Clube. Quando ouviu a palavra “atleta”, desistiu da bola para
tentar carreira no atletismo. Um ano depois, numa incrível
demonstração de aptidão ao salto triplo, havia conquistado
o título brasileiro e sul-americano.
Aos 21 anos, Adhemar já disputava suas primeiras Olimpíadas,
em Londres. A competição de 1948 foi a primeira fora do Brasil
na promissora carreira do brasileiro, que, de tão impressionado
com o público que lotava o estádio, pensou que seria disputada
ali uma partida de futebol. De cara, o resultado obtido não
foi dos melhores: ficou na oitava colocação. Entretanto, o
paulistano já despertava a atenção dos europeus, que dominavam
a prova – mas que começavam a se render às passadas largas
do brasileiro, dono da marca de 14m49.
Prova de que os rivais não estavam errados veio dois anos depois, quando em 1950 ele igualou o recorde mundial do japonês Naoto Tajima com um salto de 16m. Com status de recordista, ele desembarcou em Buenos Aires, em fevereiro de 1951, como favorito dos Jogos Pan-americanos. Não decepcionou e conquistou seu primeiro ouro em grandes competições. Meses depois, no Rio de Janeiro, se isolaria como recordista mundial com 16,01m.
Um ano mais
tarde, na final olímpica do salto triplo em Helsinque, ele
provaria ser insuperável ao quebrar quatro vezes seu próprio
recorde mundial (saltou 16,05m, 16,09m, 16,12m e 16,22m),
terminando a prova na primeira colocação e assombrando a todos.
Além de conquistar seu primeiro ouro olímpico e também do
atletismo, Adhemar garantia a segunda vitória brasileira em
Jogos Olímpicos. A primeira havia sido conquistada na Antuérpia-1920
por Guilherme Paraense no tiro esportivo.
Durante a cerimônia de entrega dos prêmios, o atleta paulista
foi tão festejado pelo público finlandês que, como forma de
retribuir o carinho, deu uma volta pelo estádio, "criando"
a volta olímpica. "Os torcedores presentes ao estádio começaram
a gritar meu nome e os organizadores do evento pediram que
eu desfilasse para eles. Atendi ao pedido e este gesto acabou
se integrando à rotina dos vencedores no esporte. Na época,
nem imaginava que isso ocorreria", afirmou Adhemar.
Em 1955, na disputa do Pan-americano do México, ele conseguiu
atingir sua melhor marca nos 15 anos em que disputou provas
de salto triplo: 16m56, quebrando novamente o recorde mundial - que lhe havia sido tirado pelo soviétivo Leonid Serbakov em julho de 1953 com 16m23 - e conquistando sua segunda medalha de ouro em Pans. A marca
prevaleceria até 1958 como recorde mundial, quebrada por outro soviético, Oleg Rjahovsky, que saltou três centímetros
a mais que o brasileiro. Como melhor índice sul-americano,
ela só seria derrubada durante as Olimpíadas da Cidade do
México-68 por Nelson Prudêncio, que saltou 16,57m e ainda
melhoria a marca com 17,05m e 17,27m na mesma competição.
Durante as Olimpíadas de Melbourne-56, Adhemar voltou a
ocupar o lugar mais alto do pódio, apesar de saltar 21cm menos
que no ano anterior, com 16,36m. Nos dias anteriores à prova,
ele sofreu com um terrível dor de dente e teve sua participação
ameaçada. Mas com um punção, resolveu o problema e venceu
o duelo com o islandês Vilhajálmur Einarsson.
Assim que retornou da Austrália, Adhemar foi convidado a
participar de uma festa realizada pelo governo brasileiro,
onde seria premiado com uma casa, que lhe seria entregue como
recompensa pelos títulos conquistados para o Brasil. O triplista,
porém, recusou o prêmio, alegando que ficaria impossibilitado
de participar de outra Olimpíada, que só permitia a participação
de atletas amadores – ou seja, que não recebiam qualquer pagamento
por suas conquistas.
Adhemar Ferreira da Silva fez sua despedida nas Olimpíadas
de Roma , em 1960, com 33 anos. Fora da velha forma, o bicampeão
olímpico não conseguiu classificação às finais, despedindo-se
apenas na modesta 14ª colocação. Ao término da carreira, passou
a se dedicar aos estudos, formando-se em quatro cursos universitários
diferentes, direito, jornalismo, educação física e relações
públicas, além de ter sido também um grande incentivador do
atletismo no país. Graças a suas conquistas, era muito conhecido
nos países da Europa, mas sem deixar de ser reconhecido aqui.
Tanto que as duas estrelas amarelas ostentadas no uniforme
do São Paulo são uma homenagem do clube ao seu ex-atleta.
Porém, nem mesmo as longas pernas de Adhemar Ferreira da
Silva foram capazes de saltar seu maior obstáculo: o tempo.
Aos 73 anos, o imortal das pistas não resistiu a uma parada
cardíaca no dia 12 de janeiro de 2001, deixando uma filha
e milhares de fãs espalhados por todo o mundo.
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