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Atualização: 26/12/2007
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ADHEMAR FERREIRA DA SILVA

O imortal do salto triplo

Foto: Divulgação
Foto Divulgação

Nome: Adhemar Ferreira da Silva
Data de nascimento: 29 de setembro de 1927
Local: São Paulo (SP)
Falecimento: 12 de janeiro de 2001
Principais Resultados:
. Bicampeão olímpico (Helsinque/52 e Melbourne/56)
. Tricampeão pan-americano (Buenos Aires/51, México/55 e Chicago/59)
. Bicampeão entre universidades (Dortmund/53 e San Sebastian/55)
. Pentacampeão sul-americano
. Hexacampeão brasileiro
. Decacampeão paulista
. Pentacampeão carioca
Participações olímpicas: Londres/48, Helsinque/ 52, Melbourne/56 e Roma/60

Adhemar Ferreira da Silva nasceu para superar obstáculos e quebrar recordes. Ele pode ser considerado o maior atleta olímpico do esporte brasileiro, já que foi o único a conquistar, por duas vezes consecutivas, medalhas de ouro da maior competição poliesportiva mundial - nos Jogos de Helsinque, Finlândia, em 1952, e nos Jogos de Melbourne, Austrália, em 1956. Apenas para efeito de comparação, Joaquim Cruz foi o único atleta além de Adhemar a conquistar um ouro olímpico em toda a história do atletismo brasileiro, em Los Angeles-84

Nascido em 29 de setembro de 1927, em São Paulo, Adhemar Ferreira da Silva passou a juventude decidido a se tornar jogador de futebol. Chegou até mesmo a atuar por alguns anos como volante do time de seu bairro, apesar de não levar tanto jeito para a coisa. Foi apenas aos 19 anos que, passeando com um amigo pelo centro de São Paulo, o jovem garoto encontrou um atleta negro, alto e forte, pertencente ao São Paulo Futebol Clube. Quando ouviu a palavra “atleta”, desistiu da bola para tentar carreira no atletismo. Um ano depois, numa incrível demonstração de aptidão ao salto triplo, havia conquistado o título brasileiro e sul-americano.

Aos 21 anos, Adhemar já disputava suas primeiras Olimpíadas, em Londres. A competição de 1948 foi a primeira fora do Brasil na promissora carreira do brasileiro, que, de tão impressionado com o público que lotava o estádio, pensou que seria disputada ali uma partida de futebol. De cara, o resultado obtido não foi dos melhores: ficou na oitava colocação. Entretanto, o paulistano já despertava a atenção dos europeus, que dominavam a prova – mas que começavam a se render às passadas largas do brasileiro, dono da marca de 14m49.

Prova de que os rivais não estavam errados veio dois anos depois, quando em 1950 ele igualou o recorde mundial do japonês Naoto Tajima com um salto de 16m. Com status de recordista, ele desembarcou em Buenos Aires, em fevereiro de 1951, como favorito dos Jogos Pan-americanos. Não decepcionou e conquistou seu primeiro ouro em grandes competições. Meses depois, no Rio de Janeiro, se isolaria como recordista mundial com 16,01m.

Um ano mais tarde, na final olímpica do salto triplo em Helsinque, ele provaria ser insuperável ao quebrar quatro vezes seu próprio recorde mundial (saltou 16,05m, 16,09m, 16,12m e 16,22m), terminando a prova na primeira colocação e assombrando a todos. Além de conquistar seu primeiro ouro olímpico e também do atletismo, Adhemar garantia a segunda vitória brasileira em Jogos Olímpicos. A primeira havia sido conquistada na Antuérpia-1920 por Guilherme Paraense no tiro esportivo.

Durante a cerimônia de entrega dos prêmios, o atleta paulista foi tão festejado pelo público finlandês que, como forma de retribuir o carinho, deu uma volta pelo estádio, "criando" a volta olímpica. "Os torcedores presentes ao estádio começaram a gritar meu nome e os organizadores do evento pediram que eu desfilasse para eles. Atendi ao pedido e este gesto acabou se integrando à rotina dos vencedores no esporte. Na época, nem imaginava que isso ocorreria", afirmou Adhemar.

Em 1955, na disputa do Pan-americano do México, ele conseguiu atingir sua melhor marca nos 15 anos em que disputou provas de salto triplo: 16m56, quebrando novamente o recorde mundial - que lhe havia sido tirado pelo soviétivo Leonid Serbakov em julho de 1953 com 16m23 - e conquistando sua segunda medalha de ouro em Pans. A marca prevaleceria até 1958 como recorde mundial, quebrada por outro soviético, Oleg Rjahovsky, que saltou três centímetros a mais que o brasileiro. Como melhor índice sul-americano, ela só seria derrubada durante as Olimpíadas da Cidade do México-68 por Nelson Prudêncio, que saltou 16,57m e ainda melhoria a marca com 17,05m e 17,27m na mesma competição.

Durante as Olimpíadas de Melbourne-56, Adhemar voltou a ocupar o lugar mais alto do pódio, apesar de saltar 21cm menos que no ano anterior, com 16,36m. Nos dias anteriores à prova, ele sofreu com um terrível dor de dente e teve sua participação ameaçada. Mas com um punção, resolveu o problema e venceu o duelo com o islandês Vilhajálmur Einarsson.

Assim que retornou da Austrália, Adhemar foi convidado a participar de uma festa realizada pelo governo brasileiro, onde seria premiado com uma casa, que lhe seria entregue como recompensa pelos títulos conquistados para o Brasil. O triplista, porém, recusou o prêmio, alegando que ficaria impossibilitado de participar de outra Olimpíada, que só permitia a participação de atletas amadores – ou seja, que não recebiam qualquer pagamento por suas conquistas.

Adhemar Ferreira da Silva fez sua despedida nas Olimpíadas de Roma , em 1960, com 33 anos. Fora da velha forma, o bicampeão olímpico não conseguiu classificação às finais, despedindo-se apenas na modesta 14ª colocação. Ao término da carreira, passou a se dedicar aos estudos, formando-se em quatro cursos universitários diferentes, direito, jornalismo, educação física e relações públicas, além de ter sido também um grande incentivador do atletismo no país. Graças a suas conquistas, era muito conhecido nos países da Europa, mas sem deixar de ser reconhecido aqui. Tanto que as duas estrelas amarelas ostentadas no uniforme do São Paulo são uma homenagem do clube ao seu ex-atleta.

Porém, nem mesmo as longas pernas de Adhemar Ferreira da Silva foram capazes de saltar seu maior obstáculo: o tempo. Aos 73 anos, o imortal das pistas não resistiu a uma parada cardíaca no dia 12 de janeiro de 2001, deixando uma filha e milhares de fãs espalhados por todo o mundo.


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