Fale conosco Receba o boletim  
  Abertura
  O começo
  Conquista
  Mundiais
  Superação
  Raio-X
  Galeria
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CLAUDINEI QUIRINO
Foto: Divulgação
Foto: Evandro Teixeira/ COB/ Divulgação

A despedida

Por Claudia Andrade

'Eu disse: 'Vai negão, que é a última. E foi.' Assim, com a voz embargada, Vicente Lenílson reproduz sua fala para o companheiro Claudinei Quirino, segundo homem do revezamento 4x100m vencedor do Troféu Brasil de Atletismo. A prova, disputada no estádio Ícaro de Castro Melo, no Ibirapuera, em São Paulo, marcou a despedida de Claudinei, que abandona as pistas por não conseguir se recuperar de um problema no púbis.

A corrida do adeus foi com Vicente e André Domingos, que o acompanharam também em uma das principais conquistas do atletismo nacional, a prata nas Olimpíadas de Sydney-00. O jovem Bruno Pacheco fechou a corrida, cruzando a linha de chegada em 39s24 e garantindo a vitória.

Sem conter as lágrimas, André, o terceiro homem na corrida, descreveu o que ouviu do colega. 'Uma voz enfraquecida disse: 'Vai André!'. Mas senti que ele não queria passar o bastão, queria que a prova durasse toda a eternidade. É uma dor muito grande, não dá pra descrever.'

Claudinei diz ter gritado muito depois de cumprir sua última missão pelo atletismo e também ter feito um agradecimento a Deus. 'Estou triste por estar parando assim, porque não queria que fosse agora, mas estou orgulhoso por ter feito parte de uma geração vitoriosa', ressalta.

O técnico Jayme Neto, que orientou o velocista nos últimos 13 anos, preferiu acompanhar a prova do Troféu Brasil mais de longe, para tentar controlar a emoção. Mas pelo que viu, já sabe qual imagem vai guardar do atleta Claudinei, vice-campeão olímpico e mundial, e campeão da final do GP da Iaaf em 99, quando bateu Maurice Greene. 'A de hoje é suficiente. Ele correu como um gigante.'

A sensação de ter cumprido sua missão no atletismo não diminui o sentimento de perda por ter de abrir mão do sonho de correr o Pan Rio 2007. 'Ganhei muitas competições no exterior, mas meu sonho era terminar minha trajetória em um grande evento internacional no Brasil. Mas tenho que respeitar o limite de meu corpo', lamenta.

'Não estou parando feliz. Vai ser difícil, quando parar e olhar tudo o que ficou para trás. Mas todos os meus sonhos no atletismo, eu tentei realizar. Conquistei tudo o que podia, dentro de minhas condições como atleta', afirma.

Gazeta Esportiva.Net © Todos os direitos reservados à Gazeta Esportiva.Net Voltar            Topo da página