|
Os mundiais e os Pan-americanos
Em sua estréia em Campeonatos Mundiais, Claudinei
Quirino conseguiu uma quinta colocação nos 200m
em Gotemburgo, Suécia, em 95. Dois anos depois veio
a primeira medalha, de bronze, com o tempo de 20s26, no torneio
de Atenas, na Grécia. Mesmo com a conquista, o atleta
estava insatisfeito. "Mais uma vez larguei mal, demorei
muito. Se tivesse feito uma boa largada, poderia ter chegado
em segundo lugar", disse, à época. "Minha
sorte é que tenho uma chegada muito boa", completou.
Na final, o brasileiro perdeu para dois favoritos, Ato Boldon,
de Trinidad Tobago, foi ouro com 20s04 e Frank Fredericks,
da Namíbia, prata com 20s23. A marca de Claudinei foi
seu melhor tempo pessoal e um décimo mais rápida
que os 20s27 que ele havia registrado nas quartas-de-final.
Na semi, venceu sua bateria com 20s35 e já comemorou
a vaga garantida na decisão. "Já que cheguei
à final, vou partir para as cabeças", prometeu.
E cumpriu.
Pelo bronze, ele embolsou US$ 20 mil como prêmio da
Iaaf, a Federação Internacional, e outros US$
3 mil da CBAt, a Confederação Brasileira de
Atletismo. Esta foi a primeira grande conquista de Claudinei
em competições internacionais, e abriu as portas
para uma série delas.
"Foi a partir dali que passei a ser considerado um
atleta de fato, com apoio, melhores patrocínio. Pude
passar a treinar mais na Europa e competir de igual por igual
com os estrangeiros", lembra. "Ainda hoje, o Brasil
tem muitos talentos sem apoio, mas a situação
melhorou bastante", completa.
| Foto Reuters |
 |
| Quirino em prova classificatoria
do Mundial de Sevilha (Espanha/99) |
Dois anos depois, em Sevilha
(Espanha), ele ficou com a prata, atrás apenas de Maurice
Greene. A medalha veio com o tempo de 20s cravados. Greene registrou
o melhor tempo do ano, com 19s90 e em terceiro lugar ficou o
nigeriano Francis Obikwelu, com 20s12. "Eu considero Sevilha
foi uma continuação do mundial de Atenas, a diferença
é que eu estava com mais experiência", define.
Claudinei foi o segundo brasileiro na história a
conquistar medalha em dois mundiais seguidos. O primeiro foi
Zequinha Barbosa, prata em Tóquio/91 e bronze em Roma/87,
sempre nos 800m.
Foi para o Mundial de Sevilha embalado por nada menos que
quatro subidas ao pódio no Pan-americano de Winnipeg,
um mês antes. Das terras canadenses, o brasileiro voltou
com duplo ouro, um do revezamento 4x100m (com Edson Luciano
Ribeiro, Raphael Raymundo e André Domingos), com o
tempo de 38s18, e outro nos 200m, com 20s30. Para vencer nos
200m, ele usou o famoso jeitinho brasileiro. Impedido de usar
sapatilhas com pregos importados na semifinal, driblou a arbitragem
na decisão. "Mostrei uma sapatilha mas vesti outra",
lembra. Com isso, deixou para trás o norte-americano
Curtis Perry, prata com 20s58, e o chileno Sebastian Keitel,
bronze com 20s82.
Conquistou ainda uma prata no revezamento 4x400m (ao lado
de Anderson Jorge dos Santos, Eronildes Araújo e Sanderlei
Parrela), com 2min58s56 e um bronze nos 100m, com 10s13.
Mas as histórias em mundiais teriam continuidade.
O quarteto brasileiro que competiu em Edmonton-2001 viveu
uma experiência que foi um balde de água fria
para todos os corredores, fazendo-os até considerar
uma aposentadoria precoce. A equipe se classificou para a
final com o segundo melhor tempo, 37s90, pouco atrás
dos Estados Unidos, que marcaram 37s40. Mas na hora decisiva,
deixaram o bastão cair e abandonaram a prova.
Quatro anos depois, recuperados do trauma, eles conquistariam
o bronze no Mundial de Paris, com o tempo de 38s26, mas Claudinei
não participaria da festa. Ele integrou o grupo vice-campeão
no Pan de Santo Domingo, realizado poucos dias antes, mas
acabou sofrendo uma lesão no calcanhar que o deixou
fora do Mundial. Vale lembrar que no Pan, os brasileiros ficaram
atrás apenas dos Estados Unidos, que tiveram um de
seus integrantes pego em exame antidoping.
|