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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CLAUDINEI QUIRINO

A cirurgia e o começo do fim

Foto Paulo Whitaker/Reuters
Foto Paulo Whitaker/Reuters
Vicente Lenílson, Edson Luciano, André Domingos e Claudine Quirino, equipe medalha de prata em Sydnei
Em Sydney, Austrália, no ano 2000, Claudinei Quirino subiu pela primeira vez em um pódio olímpico, ao conquistar a medalha de prata no revezamento 4x100m, ao lado de Edson Luciano, André Domingos e Vicente Lenílson. O quarteto nacional marcou 37s90 e ficou atrás apenas do norte-americano, que fez 37s61 com Maurice Greene cruzando a linha de chegada em primeiro lugar.

A emoção foi grande, mas em nada comparável ao título do Grand Prix da Iaaf (Associação das Federações Internacionais de Atletismo) conquistado depois da vitória nos 200m sobre o favoritíssimo norte-americano Greene. "Sou individualista, por isso gostei mais do pódio em Munique", admite Claudinei, que em Sydney teve de dividir o pódio com outros três colegas.

Por isso, a busca de uma medalha olímpica em prova individual foi um objetivo não alcançado. No final de 2001, Claudinei teve de se submeter a uma cirurgia para retirada de um cisto no púbis. A recuperação foi lenta e por conta disso, a paciência tornou-se uma virtude. "Tenho feito um trabalho psicológico para conseguir enfrentar essa fase. Parei no auge e não consegui voltar. O maior desafio é saber que tenho de recomeçar do zero, não posso querer voltar de onde parei", dizia, no início de 2003.

Em agosto, ele integrou o quarteto que foi vice-campeão nos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo, atrás apenas dos Estados Unidos, que tiveram um de seus atletas pego em teste antidoping. A comemoração foi grande, mas logo em seguida, nova lesão impediu Claudinei de competir no Mundial de Paris. Sem ele, o quarteto conquistou o bronze.

Em 99, ano em que conquistou o maior número de títulos, o então técnico do velocista, Jayme Neto, fez uma previsão. "O auge do Claudinei será daqui a dois ou três anos." O atleta estava então com 28 anos.

Aos 33, ele não pensava em aposentadoria. "Se deixar, eu corro até os 50 anos", afirmava. Mas as freqüentes dores o impediam de manter a regularidade nos treinos. Sempre que enfrentava uma seqüência mais forte, era obrigado a ficar dias 'de molho', em recuperação. No início de 2004, ele apresentou evolução, como revelou seu técnico. "Pela primeira vez estou conseguindo fazer um início de trabalho forte com ele", disse, comparando com as dificuldades encontradas nos anos anteriores.

Mas a empolgação não durou muito. As dores voltaram e precipitaram o fim da carreira de Claudinei nas pistas. "Não queria terminar assim, mas tenho de respeitar meus limites", resigna-se. Traumatizado com a primeira cirurgia, que também minou suas forças psicologicamente, ele nem sequer cogitou a idéia de submeter-se à uma nova operação. 'Foi o pior momento da minha vida', afirma, categórico. 'Depois da cirurgia, queria voltar no auge, onde eu estava antes. E não conseguia', justifica.

Até hoje ele tem apoio de especialista para lidar com as dificuldades. A partir de agora, no entanto, terá de passar segurança e experiência à nova geração de velocistas do país. Como consultor, será o braço direito de Jayme Neto no desenvolvimento de corredores.

Para o treinador, a presença do novo assistente será um consolo para a perda de um grande atleta. "É raro termos talentos como o dele", ressalta. Mas, a despedida no Troféu Brasil foi apenas o ato final de um fim que já era anunciado. "Difícil mesmo foram as últimas Olimpíadas, o último Mundial. Difícil foi ver um atleta que corria os 200m em 20s10 passar a correr 21s. Isso é mais triste. Eu venho sofrendo antecipadamente."

Claudinei ficou fora do Mundial de Paris-2003 porque sofreu uma lesão no calcanhar pouco depois de integrar o quarteto vice-campeão pan-americano em Santo Domingo. Nos Jogos Olímpicos de Atenas, já não vinha apresentando o desempenho que o colocou entre os melhores do mundo no final da década passada e início desta, ficou sem índice e sem vaga na equipe.

Este ano, viu que teria dificuldades para conseguir classificação para o Mundial de Helsinque, em agosto. Ao menos em sua última prova, pôde correr sem dor. "Não senti nada. Estou como um menino, mas um menino que está parando", disse Claudinei, logo após sua derradeira vitória.

Publicação: 19/06/2005
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