| Das
pistas de Brasília ao ouro olímpico
| Foto: Gazeta Press |
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Nome: Joaquim Carvalho Cruz
Data de nascimento: 12 de março
1963
Local: Taguatinga (DF)
Provas: 800m (especialidade) e 1500m
Principais conquistas:
Ouro nas Olimpíadas de Los Angeles/84 (800m),
Prata nas Olimpíadas de Seul/88 (800m),
Ouro no Pan-americano de Indianápólis/87
(1500m),
Ouro no Pan-americano de Mar del Plata/95 (1500m)
Ouro no Mundial de Juniores em Helsinque/81 (800m).
Participações olímpicas:
Los Angeles/84, Seul/88 e Barcelona/92
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Ele começou no basquete e relutou em mudar para o atletismo
- mas quando o fez, colecionou algumas das vitórias mais importantes
do atletismo brasileiro, como o ouro nos 800m na Olimpíada
de Los Angeles/84. Este foi Joaquim Cruz, protagonista de
algumas das mais vitoriosas histórias do esporte do Brasil.
‘Quincas’, como era chamado pela família, sentiu pela primeira
vez a sensação de competir no atletismo ainda adolescente,
quando um amigo o inscreveu por brincadeira nas provas do
Campeonato Brasiliense estudantil. Seu talento foi instantaneamente
percebido pelo técnico Luiz Alberto de Oliveira, o que não
facilitou a troca do ginásio pelas pistas. Mesmo conseguindo
resultados excelentes já em suas primeiras participações em
competições oficiais, Joaquim chegou a desistir das pistas
no final de 78, aos 15 anos. Voltou para o basquete, mesmo
com os amigos insistindo em dizer que ele cometia um erro.
Os conselhos, contudo, pareciam não abalar sua decisão.
Até que um dia, em uma conversa com Luiz Alberto de Oliveira,
o atleta finalmente se rendeu aos argumentos do treinador,
que lhe acompanharia por toda a carreira e que lhe garantiu:
"Você terá mais chance de integrar a equipe brasileira de
atletismo do que a de basquete". Finalmente convencido, o
Brasil não corria mais o risco de perder um talento do atletismo.
No final de 81, Joaquim Cruz foi para os Estados Unidos,
acompanhado de seu treinador. O atleta já era respeitado pelos
seus resultados no Brasil e no exterior, mas a idéia de se
formar em território norte-americano tomou forma muito antes,
quando ele tinha apenas 14 anos e ainda sonhava com as quadras.
Durante uma visita a Brasília para ministrar uma clínica de
basquete, o norte-americano Bob Taylent tornou-se amigo de
Luiz Alberto de Oliveira, conheceu o jovem brasiliense e prometeu
a ele uma bolsa para estudar nos EUA quando terminasse o segundo
grau. Foi assim que a partir de 82 Joaquim passou a morar,
estudar e treinar em Utah, tendo como objetivo tentar uma
medalha de ouro nas Olimpíadas de Los Angeles/84.
Quando partiu para cumprir sua meta dois anos depois, o
brasileiro já era apontado pela imprensa norte-americana como
um dos favoritos para a prova dos 800m. Os jornalistas estavam
certos. O desempenho de Joaquim Cruz na pista do Estádio Coliseum,
em Los Angeles, foi impecável. Mesmo tendo como principal
adversário o inglês Sebastian Coe, recordista mundial da prova,
o brasileiro não se intimidou e, da eliminatória à final dos
800m, correu sempre na frente, melhorando seu tempo. Na eliminatória,
o brasileiro marcou 1min45s66, antes de registrar 1min44s84
nas quartas-de-final e 1min43s83 na semifinal. Na final, o
tempo de 1min43s00 lhe rendeu o primeiro ouro e a primeira
medalha de ouro olímpica do Brasil em provas de pista.
Em Seul/88, Joaquim já não era o único brasileiro com possibilidade
de conquistar medalhas no atletismo: Zequinha Barbosa também
era forte concorrente - e ainda na mesma prova, os 800m. Ambos
se classificaram para a final e iniciaram uma disputa emocionante.
Zequinha fechou a primeira volta na frente, mas Joaquim disparou
para assumir a liderança. Foi então que o duelo 100% nacional
ganhou um novo integrante: o queniano Paul Ereng, que até
então nunca havia corrido os 800m, fez um sprint final e deixou
Joaquim 45 centésimos de segundo para trás. À época, Joaquim
encontrou explicação por ter sido surpreendido pelo rival.
Segundo ele, o problema havia sido a desconcentração na reta
final, quando desviou o olhar para o telão do estádio, certo
de que havia vencido.
Mas as contusões, até então esporádicas, começaram a cobrar
seu preço na década de 90. ‘Juca’, como era chamado, acabou
ficando de fora das Olimpíadas de Barcelona/92 por conta de
uma cirurgia no tendão de Aquiles que o tirou de circulação
por mais de um ano. Mesmo reparado, o problema continuava
perseguindo o fundista, que ficou afastado das pistas também
entre 93 e 94. No retorno, em 95, Joaquim Cruz surpreendeu
e conquistou o ouro nos 1500m do Pan de Mar del Plata, já
com 32 anos de idade e próximo da despedida.
Em 96, em seu último grande evento internacional, o brasileiro
parou nas primeiras eliminatórias dos 1500m das Olimpíadas
de Atlanta, cruzando a linha de chegada de sua prova com o
fraquíssimo tempo de 3min45s32. O desempenho encerrou as performances
internacionais de sua carreira, que seria definitivamente
abandonada em dezembro de 97 com mais uma lesão durante o
Troféu Brasil de atletismo. Definitivamente em partes, pois
Joaquim voltou a treinar em 99, e mesmo depois de seis intervenções
cirúrgicas, chegou a pensar em um lugar na delegação brasileira
que iria para os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2000. Não deu.
Desde então, Joaquim Cruz chegou a assumir funções de treinador
de atletas internacionais, como a australiana Michellie Jones,
prata em Sydney-00, além de ter se envolvido com projetos
no Brasil. Por conta de um desses projetos, o medalhista olímpico
pensou em deixar a cidade de San Diego, onde mora há mais
de 20 anos, para voltar ao país. Acabou abandonando os planos
e assumiu a função de treinador da equipe para-olímpica de
atletismo dos EUA que veio disputar os Jogos Parapan-americano
do Rio de Janeiro, em agosto de 2007. Um mês antes, veio a
prova incontestável do respeito do qual ainda goza no Brasil:
o convite para acender a Pira Pan-americana do Rio. |