| Foto Gazeta Press |
 |
Nas ruas e nas pistas
José João da Silva, campeão da São
Silvestre em 80 e 85, correu mais de 500 provas de rua e até
criou duas, o Troféu Cidade de São Paulo e o
Troféu Independência do Brasil. Mas sua carreira
também foi vitoriosa nas pistas. Para se ter uma idéia,
ele manteve os recordes brasileiros dos 5.000 (13min37s04,
conquistada em 80, na Argentina) e 10.000m por 16 anos. Nos
10.000m, bateu o recorde nacional pela primeira vez em maio
de 81, em Lisboa, quando fez 28min37s03. Em junho de 84, durante
um Meeting em Firence, Itália, marcou 28min08s59, quebrando
o próprio recorde e também garantindo a vaga
para a Olimpíada de Los Angeles/84. Mas ele pegou uma
gripe durante os Jogos e acabou ficando fora da final.
"Ninguém me conhece pelos recordes. Todo mundo
lembra da São Silvestre", diz o ex-atleta. "Eu
não me importo nem um pouco, porque a maior recompensa
que tive com as vitórias foi o reconhecimento do público."
A carreira de meio-fundista foi encerrada há seis
anos, quando ele tinha 40. Desde então, ele dedica-se
a treinar novos atletas. "Usei bem o potencial que eu
tinha. E quando parei, fiquei um ano de férias, planejando
bem o que faria em seguida. Nessa época tudo aconteceu:
meu filho Gabriel nasceu, resolvi estudar", lembra o
estudante, que está no último ano da faculdade
de Educação Física. "Já fui
convidado para ser professor, mas prefiro trabalhar no campo,
não na sala de aula."
Para os brasileiros que sonham em vencer a São Silvestre
(a última vez que o título ficou com um representante
nacional foi em 97, quando Émerson Iser Bem foi o mais
rápido), ele alerta que o mais difícil não
é ser campeão, mas continuar no topo. "Para
isso é preciso ter uma boa cabeça. Eu fui um
privilegiado porque sempre fui bem assessorado, tive amigos
que me ajudaram a aproveitar tudo de bom que a vitória
traz".
|