| Vitórias,
doping, aposentadoria e recuperação
| Foto: Marcelo Ferrelli |
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Nome: Maurren Higa Maggi
Data de nascimento: 25 de junho de 1976
Local: São
Carlos (SP)
Modalidades: Salto em distância,
salto triplo, 100m com barreiras e 60m com barreiras.
Técnico: Nélio Alfano
Moura
Principais conquistas:
. Ouro no salto em distância dos Jogos Pan-americanos
de Winnipeg-99 e Rio de Janeiro-07
. Bronze no Mundial Indoor de Birmingham-03, Inglaterra
. Atual recordista sul-americana do salto em distância,
com 7,26m, registrados no Campeonato Sul-americano em
Bogotá (Colômbia), em junho de 1999
. Atual recordista sul-americana nos 100m com barreiras,
com 12s71, registrados em Manaus, em maio de 2001
Participações olímpicas:
Sydney-2000
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Ao lado de Jadel Gregório, Maurren Higa Maggi era a maior
esperança de medalha do Brasil no atletismo das Olimpíadas
de Atenas. Recordista sul-americana no salto em distância
desde 1999 (marca que mantém até hoje), campeã pan-americana
em Winnipeg e então dona da melhor marca da modalidade em
2003, esta paulista de São Carlos teve sua escalada interrompida
quando se preparava para o Pan de Santo Domingo. O baque veio
mais precisamente no dia 15 de junho de 2003.
Foi nesta data que a atleta se submeteu a um antidoping
durante o Troféu Brasil, em São Paulo, competição na qual
ganhou a medalha de ouro. O exame, porém, apresentou resultado
positivo para a presença de clostebol, substância que estimula
a produção de células do músculo, melhorando assim o desempenho
físico. O caso demorou mais de um mês para vir a público e,
quando isso aconteceu, imediatamente o patrocinador da atleta
(BM&F Atletismo) e o médico Eduardo de Rose, único membro
brasileiro a integrar a Agência Mundial Antidoping, manifestaram
apoio a ela.
Nada, porém, adiantou e, no dia 1º de agosto, a paulista
foi suspensa provisoriamente pela Federação Internacional
de Atletismo (IAAF). Minutos depois de receber a notícia,
Maurren e o técnico Nélio Moura concederam uma entrevista
coletiva onde anunciaram que a saltadora não iria tentar recurso
para disputar o Pan de Santo Domingo, por estar deprimida
com o ocorrido.
Em sua defesa, Maurren alegou ter usado uma pomada cicatrizante
que continha a substância proibida na véspera do teste, após
uma sessão depilatória a laser. Portanto, não teria a intenção
de melhorar seu desempenho, apesar de admitir conhecer a regra
de que o atleta é responsável por aquilo que é encontrado
em seu organismo.
A justificativa convenceu o Supremo Tribunal de Justiça
Desportiva da Confederação Brasileira de Atletismo, que absolveu
a paulista por unanimidade em julgamento realizado no dia
19 de janeiro de 2004. A IAA, por sua vez, não teve dó da
saltadora e, seguindo a linha de punir com rigor casos de
doping por esteróides anabólicos, a afastou por dois anos
da pista.
Sem treinar desde a divulgação do doping, Maurren desistiu
da carreira, preferindo se dedicar ao marido, o piloto Antonio
Pizzonia, e a filha Sofia, que nasceu durante o período de
afastamento. Mesmo com autorização desde 2005 para estar na
pista de novo, Maurren só passou a treinar em janeiro do ano
seguinte, sem comentar a decisão com ninguém. Separada, em
março, passou a integrar novamente a equipe da BM&F, fazendo
dobradinha novamente Nélio Moura.
Por outro lado, ela evitava manter grandes expectativas.
“Não estou me cobrando para estar no auge de qualquer jeito,
mas me esforço ao máximo para voltar a saltar, não para ser
o que era antes”, declarou na época. A reestréia se deu no
GP Sul-americano de Bogotá justamente o local onde sete anos
antes ela havia saltado 7,26m para bater o recorde sul-americano.
Ficou bem longe daquela marca, mas os 6,84m alcançados foram
suficientes para a conquista da medalha de ouro. Menos de
uma semana depois, subiu ao ponto mais alto do pódio novamente,
com a conquista do Torneio da Federação Paulista de Atletismo,
realizado no Ibirapuera.
Em setembro do mesmo ano, Maurren conquistou o título do
Troféu Brasil, igualando os 6,84m obtidos na Colômbia. “Eu
fiquei surpresa porque tinha saltado isso na altitude. Mas
eu estava muito bem treinada e, quando a gente treina, essas
coisas saem”, discursou. Em 2007, a estréia também foi boa,
com o título do salto em distância do Meeting de Valência,
com 6,69m. Pouco depois, estabeleceu a segunda melhor marca
do ano no salto triplo, ao conseguir 14,44m. Durante a preparação
para o Pan do Rio, ela surpreendeu novamente ao fazer 6,76m
durante o Campeonato de Velocidade e Saltos, em São Paulo,
registrando a então segunda melhor marca do mundo na temporada.
“Essa competição era vista, por nós, como um treino de luxo.
A Maurren esteve além das expectativas”, comemorou Moura.
Os bons resultados seguiram no Meeting de Dacar, em abril,
quando Maurren alcançou 6,80m e fez uma dobradinha com a compatriota
Keila Costa no pódio. Semanas depois, no entanto, ela não
conseguiu repetir o bom desempenho e ficou em sexto no salto
em distância do Super Grand Prix de Doha. Com uma contusão
no músculo adutor da coxa direita, a paulista ainda abdicou
de disputar a prova nos GPs do Rio de Janeiro, Fortaleza e
Belém. Porém, tratou de dissipar a má fase antes do Pan, saltando
6,94m no GP de Cochabamba (Bolívia). Dias depois, no Sul-americano,
saltou três centímetros menos e levou o título.
Dores no quadríceps esquerdo durante a disputa do torneio
continental, entretanto, fizeram Maurren abdicar da disputa
do Troféu Brasil. A medida se mostrou acertada e, com 6,84m,
a brasileira levou o ouro no salto em distância do Pan do
Rio de Janeiro. Keila Costa ficou com a segunda colocação,
garantindo assim a primeira dobradinha de mulheres brasileiras
na história da competição. “Foi tudo de bom, estou muito feliz.
Foram oito anos de espera para uma medalha que me consagrou.
Winnipeg foi a consagração, queria repetir em Santo Domingo,
mas não deu. Tudo isso foi adiado para o Brasil, na minha
casa”, comemorou a atleta, que assumiu a ponta do ranking
mundial da prova no início de agosto.
Na última competição de alto nível em 2007, Maurren ficou
com a sexta colocação no salto em distância durante o Mundial
de Osaka. No Japão, saltou “apenas” 6,80m, mas garante que
poderia ter voltado às marcas dos velhos tempos. “O sexto
lugar é bom, só que eu estava preparada para saltar mais,
poderia passar dos sete metros”, declarou. Como já fez o índice
“A” no salto triplo e em distância para as Olimpíadas de Pequim,
Maurren precisa apenas chegar aos 14m no salto triplo e aos
6,60m no salto em distância até o dia 20 de julho em 2008
para se garantir na disputa chinesa e tentar coroar a carreira
com uma medalha olímpica.
O primeiro salto para o sucesso - Maurren começou
a ganhar destaque no mundo do atletismo em 99, quando conquistou
seus primeiros grandes resultados: uma medalha de ouro no
salto em distância e outra de prata nos 100 metros com barreiras
nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg, no Canadá. A imagem
da garota sorridente e saltitante, chacoalhando a bandeira
verde-amarela no lugar mais alto do pódio rodou o país e mudou
a vida da garota de São Carlos.
Ainda em 1999, no Mundial de Sevilha, na Espanha, ela conquistaria
a melhor colocação da história para atletas brasileiras em
campeonatos mundiais adultos, um oitavo lugar no salto em
distância (6,68m). De quebra, fechou aquele ano como recordista
no salto em distância, com a marca de 7,26m, durante o Campeonato
Sul-americano em Bogotá (Colômbia), e por duas vezes nos 100
metros com barreiras (com 13s07 e 13s05). Nada mal para uma
atleta que estava apenas surgindo.
Outros resultados continuaram a vir em 2000. No Circuito
Indoor de Atenas ela conquistou a medalha de ouro. Em seguida,
foram três medalhas de prata em Ghent, Estocolmo, Birmingham
e uma de bronze em Stuttgart, no mesmo circuito. Além disto,
Maurren também foi campeã ibero-americana do salto em distância.
Choro em Sydney - Tudo apontava para uma brilhante
atuação nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000: a paulista era
a esperança brasileira buscando uma medalha de ouro. Em vez
da conquista, porém, o que o Brasil inteiro assistiu, direto
da Austrália, foram as lágrimas da promessa. Uma contusão
na coxa direita tirou Maurren da disputa das semifinais do
salto em distância. Uma mágoa que ela carregaria na bagagem
de volta ao Brasil.
Depois das Olimpíadas, Maurren se afastou das pistas, em
tratamento. Sua expectativa e a do técnico Nelio Moura era
de que a atleta só voltaria a ter toda sua boa performance
no segundo semestre de 2001. Felizmente, Maurren voltou a
surpreender. Logo nos primeiros meses do novo ano, ela viajou
para a Europa para uma temporada de dois meses no exterior.
Sem pretensão e sem as cobranças, sentiu-se segura para ousar.
O resultado disso foi a conquista de quatro medalhas de ouro.
“Não esperava que os resultados viessem tão cedo”, comentou,
na época. “A Maurren tem uma recuperação surpreendente”, elogiou
seu técnico. Três medalhas na Universíade, em Pequim (ouro
no salto em distância e prata nos 100m sobre barreiras e no
revezamento 4x100m) e um vice nos 100m sobre barreiras dos
Jogos da Amizade, em Brisbane (Austrália), completaram as
conquistas da atleta no ano.
Os resultados negativos ficaram justamente no Mundial de
Edmonton, no Canadá, em que terminou em sétimo lugar. Mas
ela garantiu não ter se sentido pressionada. “O problema foi
apenas o vento contra nos meus saltos, enquanto as outras
saltaram com vento a favor. Não teve nenhum fator psicológico”,
garantiu.
Ápice - Em 2002, a paulista ganhou espaço e respeito
no cenário internacional. Em um ano sem grandes competições
para o atletismo, ela conseguiu bons resultados em vários
meetings fora do Brasil, com destaque para a vitória no salto
em distância na final do circuito Grand Prix, em Paris, e
a medalha de prata na Copa do Mundo de Madri. Na competição
francesa, Maurren saltou 7,02m, seu melhor resultado do ano.
A brasileira fechou a temporada na vice-liderança do ranking
mundial do salto em distância e foi convidada especial da
festa anual da IAAF (Federação Internacional de Atletismo),
realizada em Mônaco. Entrevistada durante o evento, ela afirmou
que 2002 foi o melhor ano de sua carreira desde 1999, ano
em que despontou para o país.
Isso por não saber o que viria em 2003. Antes de ser pega
no antidoping, Maurren foi bronze no Mundial Indoor de Birmingham,
Inglaterra, o primeiro pódio de uma brasileira em um Mundial
adulto de atletismo, e primeira medalha em uma prova de campo
em Mundiais. Em 3 de junho, no Meeting de Milão, saltou 7,06m,
marca que foi a melhor da temporada.
No mesmo mês, obteve a segunda e a terceira melhores marcas
de 2003 até então. Em Haniá (Grécia), saltou 6,95m. Em Turim,
na Itália, alcançou 6,94m. No final do ano, as distâncias
eram a quarta e quinta melhores. O bom desempenho, porém,
seria bruscamente interrompido e jamais se saberá até onde
Maurren chegaria caso não tivesse ficado quase três anos afastada
das competições. |