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Atualização: 26/12/2007
 . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MAURREN HIGA MAGGI

Vitórias, doping, aposentadoria e recuperação

Foto: Marcelo Ferrelli
Foto: Marcelo Ferrelli

Nome: Maurren Higa Maggi
Data de nascimento: 25 de junho de 1976
Local: São Carlos (SP)
Modalidades: Salto em distância, salto triplo, 100m com barreiras e 60m com barreiras.
Técnico: Nélio Alfano Moura
Principais conquistas:
. Ouro no salto em distância dos Jogos Pan-americanos de Winnipeg-99 e Rio de Janeiro-07
. Bronze no Mundial Indoor de Birmingham-03, Inglaterra
. Atual recordista sul-americana do salto em distância, com 7,26m, registrados no Campeonato Sul-americano em Bogotá (Colômbia), em junho de 1999
. Atual recordista sul-americana nos 100m com barreiras, com 12s71, registrados em Manaus, em maio de 2001
Participações olímpicas: Sydney-2000

Ao lado de Jadel Gregório, Maurren Higa Maggi era a maior esperança de medalha do Brasil no atletismo das Olimpíadas de Atenas. Recordista sul-americana no salto em distância desde 1999 (marca que mantém até hoje), campeã pan-americana em Winnipeg e então dona da melhor marca da modalidade em 2003, esta paulista de São Carlos teve sua escalada interrompida quando se preparava para o Pan de Santo Domingo. O baque veio mais precisamente no dia 15 de junho de 2003.

Foi nesta data que a atleta se submeteu a um antidoping durante o Troféu Brasil, em São Paulo, competição na qual ganhou a medalha de ouro. O exame, porém, apresentou resultado positivo para a presença de clostebol, substância que estimula a produção de células do músculo, melhorando assim o desempenho físico. O caso demorou mais de um mês para vir a público e, quando isso aconteceu, imediatamente o patrocinador da atleta (BM&F Atletismo) e o médico Eduardo de Rose, único membro brasileiro a integrar a Agência Mundial Antidoping, manifestaram apoio a ela.

Nada, porém, adiantou e, no dia 1º de agosto, a paulista foi suspensa provisoriamente pela Federação Internacional de Atletismo (IAAF). Minutos depois de receber a notícia, Maurren e o técnico Nélio Moura concederam uma entrevista coletiva onde anunciaram que a saltadora não iria tentar recurso para disputar o Pan de Santo Domingo, por estar deprimida com o ocorrido.

Em sua defesa, Maurren alegou ter usado uma pomada cicatrizante que continha a substância proibida na véspera do teste, após uma sessão depilatória a laser. Portanto, não teria a intenção de melhorar seu desempenho, apesar de admitir conhecer a regra de que o atleta é responsável por aquilo que é encontrado em seu organismo.

A justificativa convenceu o Supremo Tribunal de Justiça Desportiva da Confederação Brasileira de Atletismo, que absolveu a paulista por unanimidade em julgamento realizado no dia 19 de janeiro de 2004. A IAA, por sua vez, não teve dó da saltadora e, seguindo a linha de punir com rigor casos de doping por esteróides anabólicos, a afastou por dois anos da pista.

Sem treinar desde a divulgação do doping, Maurren desistiu da carreira, preferindo se dedicar ao marido, o piloto Antonio Pizzonia, e a filha Sofia, que nasceu durante o período de afastamento. Mesmo com autorização desde 2005 para estar na pista de novo, Maurren só passou a treinar em janeiro do ano seguinte, sem comentar a decisão com ninguém. Separada, em março, passou a integrar novamente a equipe da BM&F, fazendo dobradinha novamente Nélio Moura.

Por outro lado, ela evitava manter grandes expectativas. “Não estou me cobrando para estar no auge de qualquer jeito, mas me esforço ao máximo para voltar a saltar, não para ser o que era antes”, declarou na época. A reestréia se deu no GP Sul-americano de Bogotá justamente o local onde sete anos antes ela havia saltado 7,26m para bater o recorde sul-americano. Ficou bem longe daquela marca, mas os 6,84m alcançados foram suficientes para a conquista da medalha de ouro. Menos de uma semana depois, subiu ao ponto mais alto do pódio novamente, com a conquista do Torneio da Federação Paulista de Atletismo, realizado no Ibirapuera.

Em setembro do mesmo ano, Maurren conquistou o título do Troféu Brasil, igualando os 6,84m obtidos na Colômbia. “Eu fiquei surpresa porque tinha saltado isso na altitude. Mas eu estava muito bem treinada e, quando a gente treina, essas coisas saem”, discursou. Em 2007, a estréia também foi boa, com o título do salto em distância do Meeting de Valência, com 6,69m. Pouco depois, estabeleceu a segunda melhor marca do ano no salto triplo, ao conseguir 14,44m. Durante a preparação para o Pan do Rio, ela surpreendeu novamente ao fazer 6,76m durante o Campeonato de Velocidade e Saltos, em São Paulo, registrando a então segunda melhor marca do mundo na temporada. “Essa competição era vista, por nós, como um treino de luxo. A Maurren esteve além das expectativas”, comemorou Moura.

Os bons resultados seguiram no Meeting de Dacar, em abril, quando Maurren alcançou 6,80m e fez uma dobradinha com a compatriota Keila Costa no pódio. Semanas depois, no entanto, ela não conseguiu repetir o bom desempenho e ficou em sexto no salto em distância do Super Grand Prix de Doha. Com uma contusão no músculo adutor da coxa direita, a paulista ainda abdicou de disputar a prova nos GPs do Rio de Janeiro, Fortaleza e Belém. Porém, tratou de dissipar a má fase antes do Pan, saltando 6,94m no GP de Cochabamba (Bolívia). Dias depois, no Sul-americano, saltou três centímetros menos e levou o título.

Dores no quadríceps esquerdo durante a disputa do torneio continental, entretanto, fizeram Maurren abdicar da disputa do Troféu Brasil. A medida se mostrou acertada e, com 6,84m, a brasileira levou o ouro no salto em distância do Pan do Rio de Janeiro. Keila Costa ficou com a segunda colocação, garantindo assim a primeira dobradinha de mulheres brasileiras na história da competição. “Foi tudo de bom, estou muito feliz. Foram oito anos de espera para uma medalha que me consagrou. Winnipeg foi a consagração, queria repetir em Santo Domingo, mas não deu. Tudo isso foi adiado para o Brasil, na minha casa”, comemorou a atleta, que assumiu a ponta do ranking mundial da prova no início de agosto.

Na última competição de alto nível em 2007, Maurren ficou com a sexta colocação no salto em distância durante o Mundial de Osaka. No Japão, saltou “apenas” 6,80m, mas garante que poderia ter voltado às marcas dos velhos tempos. “O sexto lugar é bom, só que eu estava preparada para saltar mais, poderia passar dos sete metros”, declarou. Como já fez o índice “A” no salto triplo e em distância para as Olimpíadas de Pequim, Maurren precisa apenas chegar aos 14m no salto triplo e aos 6,60m no salto em distância até o dia 20 de julho em 2008 para se garantir na disputa chinesa e tentar coroar a carreira com uma medalha olímpica.

O primeiro salto para o sucesso - Maurren começou a ganhar destaque no mundo do atletismo em 99, quando conquistou seus primeiros grandes resultados: uma medalha de ouro no salto em distância e outra de prata nos 100 metros com barreiras nos Jogos Pan-americanos de Winnipeg, no Canadá. A imagem da garota sorridente e saltitante, chacoalhando a bandeira verde-amarela no lugar mais alto do pódio rodou o país e mudou a vida da garota de São Carlos.

Ainda em 1999, no Mundial de Sevilha, na Espanha, ela conquistaria a melhor colocação da história para atletas brasileiras em campeonatos mundiais adultos, um oitavo lugar no salto em distância (6,68m). De quebra, fechou aquele ano como recordista no salto em distância, com a marca de 7,26m, durante o Campeonato Sul-americano em Bogotá (Colômbia), e por duas vezes nos 100 metros com barreiras (com 13s07 e 13s05). Nada mal para uma atleta que estava apenas surgindo.

Outros resultados continuaram a vir em 2000. No Circuito Indoor de Atenas ela conquistou a medalha de ouro. Em seguida, foram três medalhas de prata em Ghent, Estocolmo, Birmingham e uma de bronze em Stuttgart, no mesmo circuito. Além disto, Maurren também foi campeã ibero-americana do salto em distância.

Choro em Sydney - Tudo apontava para uma brilhante atuação nos Jogos Olímpicos de Sydney-2000: a paulista era a esperança brasileira buscando uma medalha de ouro. Em vez da conquista, porém, o que o Brasil inteiro assistiu, direto da Austrália, foram as lágrimas da promessa. Uma contusão na coxa direita tirou Maurren da disputa das semifinais do salto em distância. Uma mágoa que ela carregaria na bagagem de volta ao Brasil.

Depois das Olimpíadas, Maurren se afastou das pistas, em tratamento. Sua expectativa e a do técnico Nelio Moura era de que a atleta só voltaria a ter toda sua boa performance no segundo semestre de 2001. Felizmente, Maurren voltou a surpreender. Logo nos primeiros meses do novo ano, ela viajou para a Europa para uma temporada de dois meses no exterior. Sem pretensão e sem as cobranças, sentiu-se segura para ousar. O resultado disso foi a conquista de quatro medalhas de ouro.

“Não esperava que os resultados viessem tão cedo”, comentou, na época. “A Maurren tem uma recuperação surpreendente”, elogiou seu técnico. Três medalhas na Universíade, em Pequim (ouro no salto em distância e prata nos 100m sobre barreiras e no revezamento 4x100m) e um vice nos 100m sobre barreiras dos Jogos da Amizade, em Brisbane (Austrália), completaram as conquistas da atleta no ano.

Os resultados negativos ficaram justamente no Mundial de Edmonton, no Canadá, em que terminou em sétimo lugar. Mas ela garantiu não ter se sentido pressionada. “O problema foi apenas o vento contra nos meus saltos, enquanto as outras saltaram com vento a favor. Não teve nenhum fator psicológico”, garantiu.

Ápice - Em 2002, a paulista ganhou espaço e respeito no cenário internacional. Em um ano sem grandes competições para o atletismo, ela conseguiu bons resultados em vários meetings fora do Brasil, com destaque para a vitória no salto em distância na final do circuito Grand Prix, em Paris, e a medalha de prata na Copa do Mundo de Madri. Na competição francesa, Maurren saltou 7,02m, seu melhor resultado do ano.

A brasileira fechou a temporada na vice-liderança do ranking mundial do salto em distância e foi convidada especial da festa anual da IAAF (Federação Internacional de Atletismo), realizada em Mônaco. Entrevistada durante o evento, ela afirmou que 2002 foi o melhor ano de sua carreira desde 1999, ano em que despontou para o país.

Isso por não saber o que viria em 2003. Antes de ser pega no antidoping, Maurren foi bronze no Mundial Indoor de Birmingham, Inglaterra, o primeiro pódio de uma brasileira em um Mundial adulto de atletismo, e primeira medalha em uma prova de campo em Mundiais. Em 3 de junho, no Meeting de Milão, saltou 7,06m, marca que foi a melhor da temporada.

No mesmo mês, obteve a segunda e a terceira melhores marcas de 2003 até então. Em Haniá (Grécia), saltou 6,95m. Em Turim, na Itália, alcançou 6,94m. No final do ano, as distâncias eram a quarta e quinta melhores. O bom desempenho, porém, seria bruscamente interrompido e jamais se saberá até onde Maurren chegaria caso não tivesse ficado quase três anos afastada das competições.

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