| Foto Acervo/Gazeta Press |
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Vitórias fora do esporte
Acostumado a desafios, o queniano Paul Tergat resolveu enfrentar
o maior deles fora de sua carreira no atletismo. A luta mais
importante do sargento da Força Aérea do Quênia não é contra
o relógio, os quilômetros ou os adversários. É contra a fome.
Nomeado embaixador do programa de combate a fome da Organização
das Nações Unidas no início de 2004, há muito mais tempo ele
está comprometido com a melhora de vida da população carente.
Antes de tornar-se uma estrela do atletismo, ele conheceu
as dificuldades de sua terra natal, o Quênia. Com 12 irmãos
e quatro irmãs, ele admite já ter sido beneficiado pelas distribuição
de alimentos realizada pela ONU na seca região de Rift Valley,
onde nasceu. Quando teve condições, achou que era hora de
retribuir.
Inicialmente, o queniano fez um trabalho solitário, apoiando
programas de saúde básica e fornecimento de água potável para
a comunidade em que cresceu. Também patrocinou o estudo de
jovens. Com o apoio da organização internacional, pretende
ampliar seu campo de atuação. "Vou ajudar a aprofundar o que
tenho feito com minhas pequenas possibilidades. Sinto que
tenho a obrigação de dar algo de volta para a comunidade.
Fico feliz por muitas pessoas no mundo fazerem o mesmo e acho
que meus contatos e minha imagem têm um grande impacto no
auxílio ao programa da ONU", diz.
Segundo a organização, 43% da população do Quênia vive em
pobreza absoluta, principalmente os moradores das regiões
árida e semi-árida do país. Ele também passou a infância em
um local assim, mas teve sorte. Seu pai não era rico, mas
fez questão de colocar os filhos na escola. Para Tergat, esta
atitude fez toda a diferença em sua vida, como faz na de todo
mundo. "Sem educação, não há progresso em nenhum país", defende
o engajado maratonista.
A alimentação também é combustível para um treinamento consistente,
na visão do atleta. E para ele, dedicação total é o segredo
do sucesso dos fundistas quenianos. "Todos somos humanos.
Nenhum homem tem dois corações. Mas nenhuma nação treina mais
duro que o Quênia", aposta. "É preciso fazê-lo com toda a
sua mente, com todo o coração. Assim, tudo será possível.
Vencer é uma questão de cabeça."
Antes de começar a correr, o jovem de 1,82m foi pivô de basquete.
Ao ingressar no Exército, acabou mudando de esporte, quando
já tinha 23 anos. Disputou o Campeonato Militar de Cross Country
e, em 92, foi campeão nacional da modalidade. Era o início
de uma década em que acumularia títulos e ganharia popularidade
em seu país. "O povo me reconhece na rua e eu sinto que sentem
orgulho de mim", conta o realizado atleta e sargento da Força
Aérea.
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