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Atualização: 27/11/2007
  . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . VANDERLEI CORDEIRO

Medalhista de bronze com gosto de ouro

Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press
Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press

Nome: Vanderlei Cordeiro de Lima
Data de nascimento: 11 de agosto de 1969
Local : Cruzeiro d´ Oeste (PR)
Principais conquistas:
. Bicampeão em maratonas dos Jogos Pan-Americano (Winnipeg-1999 e Santo Domingo-2003);
. Bronze na maratona das Olimpíadas de Atenas-2004;
. Campeão da Maratona de Reims (1994);
. Campeão da Maratona de Tóquio (1996);
. Campeão da Maratona de Hamburgo (2004);
. Campeão da Maratona de São Paulo (2002);
. Vice-campeão da Maratona de Tóquio (1998);
. Terceiro lugar na Corrida de São Silvestre de 1996 e quarto em 1992, 1994 e 2000. Participações olímpicas: Atlanta-96, Sidney-2000 e Atenas-2004

Aos 35 anos,Vanderlei Cordeiro de Lima entrou para a história ao ser o primeiro medalhista brasileiro numa maratona olímpica. Mas, muito além do lugar no pódio, o atleta se tornou um herói internacional por outro fato: a agressão que sofreu do ex-padre irlandês Cornellius Horan.

Vanderlei liderava a maratona das Olimpíadas de Atenas-2004 com uma vantagem de mais de 30 segundos para o segundo colocado, o italiano Stefano Baldini. Por volta do quilômetro 36, o fanático religioso Cornellius Horan driblou a segurança, invadiu a área de competição e agarrou o brasileiro. O público ajudou Vanderlei a se soltar do agressor e o corredor seguiu em frente. Depois de perder o ritmo na prova, foi ultrapassado pelo rival e também pelo norte-americano Meb Keflezighi para ficar com a medalha de bronze.

Apesar da frustração, Vanderlei pôde ter a felicidade de, na chegada ao estádio Panathinaikos, ser o mais aplaudido ao cruzar na terceira colocação e conquistar a medalha de bronze, com direito a aviãozinho, sua marca registrada de comemoração.

O começo da carreira de Vanderlei Cordeiro também foi carregado de sofrimento, assim como a conquista do bronze olímpico. Nascido em de Cruzeiro d’Oeste, no dia 11 de agosto de 1969, o paranaense precisou trabalhar na roça na colheita de algodão para ajudar a família. Mesmo com o trabalho duro, Vanderlei arrumava tempo para estudar e jogar suas peladas de fim de semana. Foi num desses jogos de futebol que a habilidade do garoto para o atletismo foi descoberta. O professor da equipe de atletismo da escola em que Vanderlei estudava percebeu como o ponta-direita corria e convenceu o jovem a treinar junto de seu grupo de atletas.

A vida continuava difícil e o trabalho como bóia-fria atrapalhava seus treinamentos, além da paixão pelo futebol ainda falar mais alto. A certeza de que o atletismo seria seu caminho aconteceu em 1984, quando Joaquim Cruz venceu os 800m das Olimpíadas de Los Angeles. O surgimento de um ídolo foi o incentivo que Vanderlei precisava para virar um atleta. Até hoje, Joaquim Cruz tem como fã número 1 o maior maratonista brasileiro.

Foto Wander Roberto/COB/Divulgação
Foto Acervo/ Gazeta Press

Vanderlei com a medalha de ouro no Pan-Americano de Santo Domingo

A solução encontrada por Vanderlei para que a idéia de ser um atleta se realizasse foi a mudança para Maringá, uma cidade com maior estrutura. Porém, o atleta precisava de maiores desafios e, em 1988, mudou-se para São Paulo e passou a treinar junto com a equipe da Eletropaulo. Em 1989, desanimado com os treinamentos e poucos incentivos, mais uma vez mudou de cidade. Trabalhando como motorista da Usina Ester, em Cosmópolis, no interior paulista, o atleta não desistiu do esporte e continuou treinando com o apoio da Eletropaulo.

E seu primeiro grande resultado iria acontecer três anos mais tarde, quando conseguiu a quarta colocação na São Silvestre de 1992. Essa foi a primeira das seis vezes que o brasileiro terminou a prova entre os cinco primeiros. No entanto, em sua última participação, no ano de 2005, ele amargou um resultado abaixo do esperado após o bronze olímpico: apenas o 14º lugar.

No entanto, o rótulo de “melhor maratonista brasileiro” não dependeu de seus resultados na prestigiada São Silvestre. A alcunha começou a ser construída em 1996, na maratona de Tóquio. Vanderlei bateu o recorde sul-americano com o tempo de 2h8min38seg e venceu a prova por uma passada do português Antônio Pinto.

Foto Washington Alves/COB/Divulgação
Foto Washington Alves/COB/Divulgação

Vanderlei comemora o 3º lugar na Maratona dos Jogos Olimpicos de Atenas

Classificado para a Copa do Mundo de Maratona de Atenas, em 1997, Vanderlei mais uma vez se destacou e conseguiu a medalha de bronze. Em 1998, mais dois bons resultados comprovaram a qualidade do maratonista brasileiro. Em fevereiro, foi vice-campeão da Maratona de Tóquio com o tempo de 2h08min31seg, novo recorde sul-americano. Em novembro, na tradicional corrida de Nova York, o brasileiro chegou em quinto lugar.

Correndo pelo Brasil - O atleta participou de três Jogos Pan-Americanos e três Olimpíadas, sempre deixando clara a honra de representar o Brasil. E não fez feio. Conquistou duas medalhas de ouro em pan-americanos e uma de bronze em Olimpíadas.

Sua primeira participação representando o país em Jogos Olímpicos foi em Atlanta-1996. Vanderlei Cordeiro cumpriu seu objetivo de terminar a maratona e cruzou a linha de chegada em 45º. Quatro anos depois, nas Olimpíadas de Sidney-2000, uma contusão muscular dias antes da prova prejudicou o desempenho do brasileiro, que terminou a prova num decepcionante 75° lugar.

Em Atenas-2004, a conquista da medalha de bronze coroou a carreira de Vanderlei e o tornou celebridade mundial. Para ele, não importa que o irlandês tenha lhe tirado a chance de conquistar uma medalha de ouro, pois seu maior desafio era conquistar uma medalha olímpica.

A história do paranaense em Jogos Pan-americanos é salientada por duas conquistas importantes e uma decepção. Em Winnipeg-1999, Vanderlei não teve dificuldades em garantir a medalha de ouro para o Brasil, com tempo de 2h11min20seg. No Pan de Santo Domingo-2003, o maratonista confirmou o bom momento na carreira com outra vitória incontestável e subiu ao lugar mais alto do pódio pela segunda vez.

A expectativa de conquistar o tricampeonato em solos brasileiros, no entanto, foi frustrada com o desempenho de Vanderlei nos Jogos Pan-americanos do Rio de Janeiro de 2007. O atleta, responsável por carregar a bandeira nacional na cerimônia de abertura da competição, chegou como favorito para vencer na capital carioca, mas uma câimbra o fez abandonar a prova. Sorte que Franck Caldeira manteve a medalha dourada no Brasil.

Com o mau resultado no Pan, o brasileiro se prepara agora para Pequim-2008. “Meu objetivo é trabalhar para conseguir o índice e disputar mais uma Olimpíada”, assegurou o atleta, que na competição estará perto de completar o seu 39º aniversário.


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