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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ZEQUINHA BARBOSA
Foto Gazeta Press
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Colhendo vitórias desde criança

Foi depois de conquistar a medalha de prata nos 800m do Mundial de Tóquio de 91 que José Luis Barbosa, o Zequinha Barbosa, resolveu desabafar. Ele revelou que não tinha o que agradecer ao governo brasileiro, pois suas conquistas eram fruto de esforço próprio. "Não quero arranjar desculpas pelo meu segundo lugar aqui no Japão. Mas é preciso admitir que nós (atletas) somos solitários em nossa luta", afirmou, à época. Mas apesar da mágoa com a situação do esporte no Brasil, ele agora luta para ajudar a formar novos corredores.

O menino que enfrentou a pobreza para se tornar um dos principais meio-fundistas do mundo dedica-se agora ao trabalho social. O Instituto Zequinha Barbosa Correndo pela Vida inicia suas atividades em março, com 120 crianças de 7 a 14 anos, e objetivo de dar formação escolar e esportiva. A sede será em Campo Grande, capital do Mato Grosso do Sul, estado onde nasceu. Com isso, a instituição pode tornar mais fácil o início de carreira dessas crianças, para que não passem pelas mesmas dificuldades pelas quais ele passou.

Quinto filho de uma família de seis irmãos, o atleta nasceu no dia 27 de maio de 1961, em Três Lagoas, MS. Seu pai abandonou a família quando Zequinha tinha apenas seis anos. Começou no atletismo em 1978, aos 17 anos, ainda em sua cidade natal. Transferiu-se depois para Araçatuba, no Interior Paulista, onde conheceu seu primeiro treinador, José dos Santos Primo. Nessa época seu porte não era nada atlético: 1,77m e 51kg. Mas a obstinação por vencer o fez alcançar resultados rápidos. Em 83, conquistou a melhor marca do mundo nos 800m. Ele fez 1min44s03 durante a disputa do Troféu Brasil, considerado o melhor momento de sua carreira. A conquista lhe rendeu patrocinadores e a mudança para os Estados Unidos.

Sua vontade maior, no entanto, era disputar uma Olimpíada, ideal que sempre lhe foi passado por Primo. E Zequinha conseguiu participar não de uma, mas de quatro Olimpíadas: Los Angeles/84, quando foi semifinalista, Seul/88, quando conseguiu um modesto sexto lugar, Barcelona/92, quando em sua melhor forma física, deixou escapar o bronze por meros segundos e terminou em quarto lugar, e Atlanta/96.

Mas foi nos mundiais que ele se destacou, começando com o ouro no Mundial Indoor de 1987, em Indianápolis (Estados Unidos) e encerrando com a prata, no Outdoor de Tóquio (Japão), em 1991. Sua última grande conquista foi a medalha de ouro no Pan-Americano de Mar del Plata, em 1995.

O sonho do ouro olímpico continuaria em Sydney/00, no entanto o atleta não conseguiu alcançar o índice exigido pela Confederação Brasileira de Atletismo na prova dos 800m, de 1min45s50, no Troféu Brasil de agosto de 2000. Despediu-se das pistas no último dia de disputa do evento. "Agradeço a Deus por ter me ajudado a fazer da pobreza uma arma para vencer na vida". Foi sua declaração de despedida.

Os 800m, tradicional prova do atletismo, teve, além de Zequinha, outros grandes nomes, como Joaquim Cruz e Agberto Guimarães. Todos bem-sucedidos atualmente, como o próprio Zequinha, que não bastassem as glórias no atletismo, formou-se em jornalismo nos EUA, e é fluente em inglês, francês e italiano.

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