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   Abertura
   Difícil início
   Hortência x Paula
   A empresária
   Com a amarelinha
   A rainha do basquete
   Raio-x
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Foto GP
Foto Gazeta Press

Comendo o pão que o diabo amassou

Ninguém esperava muito de uma pequena menina franzina, nascida em uma família humilde na cidade de Potirendaba, no interior do Estado de São Paulo. Hortência só estava preocupada em jogar basquete, era o que a garota gostava de fazer. Tinha um único objetivo em mente: ser a melhor.

O início foi muito difícil para a pequena menina com nome de flor. No colégio Tocantins, em Santo André, para onde sua família mudou, descobriu sua paixão pelo esporte. Começou jogando futsal e handebol e praticando atletismo. Na 7ª série foi para o Colégio Santa Maria, em São Caetano do Sul, no Grande ABC.

Quando a professora Mitsuko viu Hortência jogando handebol, ficou eufórica, percebendo que aquele talento todo poderia ser utilizado numa quadra de basquete. Hortência, por sua vez, adorou o novo esporte.
A jogadora ainda se lembra da velha bola de capotão que a professora lhe havia dado. Com a bola, ela começou a correr de um lado para outro e a treinar seus primeiros dribles, arremessos e passes. Foi amor à primeira vista. Antes de completar os 14 anos, a atleta começou a freqüentar as escolinhas de basquete do colégio Santa Maria. Era treinada pela Marlene, ex-estrela da seleção brasileira de basquete feminino.
Mas a menina pobre não tinha dinheiro para pagar as passagens de ônibus para treinar. A falta de apoio aos nossos atletas, por pouco, faz o mundo perder um de seus maiores talentos do basquete. No entanto, o técnico Waldir Pagan Perez, na época no Santa Maria e na seleção, já via que aquela menina chegaria longe. Pagan foi buscá-la e conseguiu um patrocínio da Caloi, que participava do projeto Adote um Atleta.

Hortência batalhava diariamente. Levantava às 6 horas da manhã e ia para o Centro Olímpico de São Paulo treinar, depois ia pra escola e chegava em casa só às 11 horas da noite. Esforçada e aguerrida, sua técnica se apurava cada vez mais e, aos poucos, como um diamante, que precisa de muito esforço e trabalho para se lapidar, Hortência ia se tornando uma grande atleta. "Posso dizer que comi o pão que o diabo amassou. Por isso dou muito valor a quem luta para conseguir alguma coisa”, afirma a atleta.

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