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Defendendo
a amarelinha
Ao mesmo tempo em que liderava a seleção juvenil
no Mundial de 89, obtendo a oitava colocação, Janeth já vestia
a camisa verde-amarela da seleção adulta. Em 1990, a ala saía
um pouco de sua posição habitual e mostrava sua versatilidade
característica, atuando como pivô titular da seleção brasileira
no Mundial e nos Jogos da Boa Vontade (Goodwill Games).
O quinteto titular formado por Paula, Hortência, Vânia Teixeira,
Joyce e Janeth marcava uma fase de transição no basquete.
A técnica Maria Helena voltava a comandar a seleção. O 11º
lugar no Mundial era uma decepção para a torcida brasileira,
mas a 4ª colocação nos Jogos da Boa Vontade traziam esperanças.
E com essa esperança, a seleção ia disputar o Pan-americano
de 1991, na cidade de Havana, capital cubana. A base da seleção
era formada por Paula, Hortência, Janeth, Ruth e Marta. O
time estava confiante numa boa apresentação, mas tinha muito
respeito pelas donas da casa, eternas rivais brasileiras,
e pelos Estados Unidos, inventores do basquete.
A seleção de Paula e Hortência enchia os olhos do torcedor,
mas deixava a desejar quanto aos títulos, já que tinha enormes
dificuldades para a disputa de torneios internacionais. "O
Brasil não conseguia fazer um jogo de equipe e se concentrava
muito em duas jogadores, Paula e Hortência, e depois que a
Janeth entrou a coisa começou a se modificar e nós começamos
a conseguir os títulos", relembra a jogadora.
E foi o que aconteceu. Com um equilíbrio maior na defesa e
no ataque e graças ao jogo simples e eficiente de Janeth,
a seleção fez o que parecia impossível. Já na estréia, o Brasil
vencia a forte equipe norte-americana, fato que se repetiu
nas semifinais, garantindo às brasileiras um lugar no pódio
e a honra de fazer a final da competição contra as cubanas.
Só que Janeth e companhia não deixaram por menos e nem mesmo
a presença de Fidel Castro, no Coliseu de Havana, foi suficiente
para que as cubanas conseguissem parar o jogo coletivo do
Brasil. O ditador não conseguia acreditar no que assistia,
mas no final se rendeu ao talento das meninas do Brasil. Essa
foi, na opinião de Janeth, sua vitória mais marcante. "Esses
títulos me trouxeram um maior reconhecimento e fizeram com
que eu acreditasse ainda mais no meu basquete".
Na tevê, o cronista Armando Nogueira estava assustado com
a jogadora número 9, a quem ele não conhecia até aquele momento,
e não parava de lhe render elogios e repetir: "Muito prazer
em conhecê-la". E assim, não só Armando Nogueira e Fidel Castro,
mas as Américas conheciam Janeth. No ano de 1992, com a ajuda
de Janeth, a seleção conseguia outro feito inédito na história
do basquete feminino. Após um Pré-olímpico disputadíssimo,
o Brasil eliminava a Austrália e se classificava para disputar
sua primeira Olímpiadas. Infelizmente, nos Jogos Olímpicos
de Barcelona, as coisas não deram certo para Janeth e muito
menos para a seleção, que decepcionou.
Em 94, Miguel Ângelo comandou a equipe no Mundial da Austrália.
A seleção não aparecia entre as cinco favoritas para o título
da competição. Só que mais uma vez, o talento de Janeth fez
a diferença. Cestinha da competição, a ala, novamente ao lado
de Paula e Hortência, conseguia outro feito inédito e inesperado:
o título mundial. Em 96, o Brasil já tinha sua vaga garantida
e figurava, junto com as norte-americanas, entre os favoritos
para o ouro nos Jogos Olímpicos de Atlanta. Dessa vez, não
deu, mas Janeth novamente era a cestinha do Brasil e o destaque
na partida final contra as norte-americanas.
A prata olímpica é outro título inédito para o basquete brasileiro,
conseguido graças ao talento, garra e determinação da jovem
menina, filha de uma família humilde, mas que foi atrás de
seu sonho que era jogar basquete. Com a saída de Hortência
e de Magic Paula, a atleta se prepara para ser a nova comandante
do time brasileiro e encara essa tarefa com muita tranqüilidade
e seriedade. "Eu sempre encarei tudo muito a sério, até mesmo
quando elas (Paula e Hortência) estavam jogando. Eu acho que
o momento agora é o da Janeth. Não só agora, mas já vem vindo
desde o Mundial da Austrália, onde eu estive entre as cinco
melhores jogadoras, fui a cestinha do Brasil e a segunda do
Mundial. Isso é uma coisa que vem vindo, não é de agora. Não
vai ter cobrança, porque o trabalho da Janeth todo mundo já
conhece a seriedade".
Em 2000, Janeth subiu mais uma vez ao pódio
olímpico para comemorar a medalha de bronze dos Jogos
de Sydney. Apesar da conquista, a campanha brasileira na temporada
deixou evidente que a seleção sofria com um
problema de tempo. Com suas principais jogadoras bem cotadas
no exterior, a equipe acaba ficando com pouco tempo para treinar
junto antes das principais competições.
Esta dificuldade ficou evidente em 2002, quando
a seleção disputou o Campeonato Mundial na China
e, ao invés de confirmar seu favoritismo para um lugar
no pódio, terminou na modestíssima sétima
posição. Além do desempenho abaixo do
esperado, o resultado também criou um problema extra
para a classificação para os Jogos Olímpicos
de Atenas-2004, já que o continente americana ficou
com apenas uma vaga para a Grécia, decorrente do título
conquistado pelos Estados Unidos.
Foi com a responsabilidade de ser campeã,
ou ficar fora dos Jogos de Atenas, que Janeth e suas companheiras
partiram para a disputa do Pré-olímpico no México,
em 2003. Desta vez, não houve decepções.
A equipe venceu a competição com uma campanha
invicta e assegurou mais uma participação olímpica.
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