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Atualização: 09/01/2008
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . LEANDRINHO

Leandrinho, uma história sendo escrita

Foto Djalma Vassão/Gazeta Press

Nome: Leandro Mateus Barbosa
Nascimento: São Paulo, 28/11/1982
Posição: armador
Residência: Phoenix (EUA)
Clubes que defendeu: Continental (SP), Palmeiras (SP), Tietê (SP), Monte Líbano (SP), Espéria (SP), Corinthians (SP), Bauru/Tilibra/Copimax (SP) e Phoenix Suns (NBA)
Principais conquistas:
. Melhor Sexto Homem (reserva) da NBA na temporada 2006/07
. Primeiro brasileiro a disputar uma final de Conferência na NBA, defendendo o Phoenix Suns no Oeste na temporada 2004/05
. Semifinalista da Conferência Oeste em 2006/07
. Quarto colocado no Pré-olímpico de Las Vegas-2007
. Oitavo colocado no Mundial de Indianápolis-2002
. Sétimo colocado no Pré-Olímpico de San Juan-2003
. Campeão nacional de 2002 com Bauru.

O dia 26 de junho de 2004 foi um marco na trajetória do armador Leandrinho. No Madison Square Garden, templo do basquete norte-americano, em Nova York, ele acompanhava atento à cerimônia do draft da NBA. Quase ao término da primeira rodada, 28ª escolha, ele finalmente teve seu destino definido, sendo selecionado pelo San Antonio Spurs. No mesmo dia, a franquia negociou-o com o Phoenix Suns.

A vida nunca foi fácil para o armador que, nascido em família simples, teve de trabalhar na feira para ganhar alguns trocados. Mas também nunca lhe faltou apoio para realizar o sonho de viver do basquete. O irmão Artur e a mãe Ivete foram figuras chaves nesta trajetória, que começou no clube Continental, em São Paulo.

Aos cinco anos, Artur já acompanhava o garoto franzino aos treinamentos. Quatro anos mais tarde, o General (apelido de Artur) passou a levar Leandrinho para jogar nas quadras públicas do Ibirapuera. No parque, não tinha moleza não, os adversários eram maiores e mais fortes. Mas Leandrinho, ou Barbosa como ficou conhecido nos Estados Unidos, não se deixava intimidar e enfrentava os adversários de igual para igual. A experiência provou ser valiosa anos depois, quando foi convocado para a seleção brasileira adulta pela primeira vez aos 16 anos.

Nos clubes, a responsabilidade também chegou cedo. Em 2001, destacou-se jogando por Bauru no Campeonato Paulista e, dois anos depois, com um verdadeiro desmanche que tirou os principais jogadores da equipe, acabou sobrando para o atleta comandar o time no Nacional.

Essas experiências só serviram para deixá-lo mais confiante em suas possibilidades e, com isso, personalidade não lhe faltava nas apresentações da seleção brasileira no Mundial de 2002 nem no Pré-olímpico do ano seguinte. Foi assim que ele conseguiu chamar a atenção dos olheiros da NBA e chegou ao draft, um ano depois do desbravador Nenê, entre os mais cotados atletas internacionais para a primeira rodada de escolhas mesmo tendo sofrido com uma lesão no quadril durante a fase de testes nas equipes.

Com a vaga garantida na Liga, Leandrinho teve de enfrentar outra batalha, essa para se desvencilhar de sua antiga equipe que relutava em liberá-lo. No final, precisou esperar a eliminação da equipe no Nacional para poder se apresentar nos Estados Unidos.

Como em todas as conquistas, seu esforço pessoal foi fundamental e o armador pegou pesado na preparação antes da estréia. Treinou com o campeão Ron Harper, fez muita musculação para ganhar massa (o físico franzino sempre foi uma de suas características) e seguiu confiante para a primeira temporada.

Reserva no início da campanha, contou com a sorte de uma negociação dos Suns, que cederam Stephon Marbury e apostaram no brasileiro. Isso rendeu minutos importantes para o atleta, que fechou a primeira temporada com média de 21min40 por confronto.

Para 2004/05, a franquia contratou o experiente canadense Steve Nash como reforço e ficou a dúvida sobre como ficaria a situação do brasileiro. A resposta veio nas quadras. Leandrinho perdeu a condição de titular, mas ganhou em experiência. O tempo de jogo caiu para 17min30, mas conseguiu um 'professor' que poucos jogadores puderam ter na carreira.

Nash foi eleito MVP da temporada regular e provou ser um companheiro de quadra como poucos. Os Suns foram à final da Conferência do Oeste e Leandrinho tornou-se o primeiro brasileiro a chegar tão longe na competição. Depois da eliminação da franquia, o brasileiro fez questão de destacar a ajuda que recebeu do colega de quem se tornou amigo – como acontecera com Marbury.

Ao contrário de muitos que poderiam ter visto a chegada de Nash como uma 'sentença de morte' para seu crescimento nos Suns, Leandrinho preferiu ver o lado positivo e tirar disso o melhor possível. A opção provou ser a mais acertada. Conquistando a segurança do técnico Mike D’Antoni, sua média de tempo em quadra subiu para 27min90 em 2005/06. Apelidado de Ligeirinho pela velocidade e agilidade, que não foram afetadas por uma lesão no ligamento do joelho esquerdo ocorrida em dezembro, Leandrinho ganhou também a admiração da torcida e espaço na mídia, mas seu auge aconteceu na temporada seguinte.

Em 2006/07, Leandrinho teve ainda mais tempo de jogo (32min70), apesar de sua equipe parar na semifinal do Oeste contra o San Antonio Spurs. Durante os playoffs, as dores que incomodavam o brasileiro no cotovelo esquerdo aumentaram. Ele disputou toda a fase, mas precisou ser operado após a eliminação. Mesmo assim, fechou a temporada eleito como o Melhor Sexto Homem (reserva) da NBA. Na disputa, superou o argentino Manu Ginóbili, campeão olímpico, e reserva com status quase de titular nos Spurs.

Leandrinho somou 578 dos 635 pontos possíveis em uma votação que incluiu jornalistas e comentaristas dos Estados Unidos e Canadá. Ginóbili somou 269 pontos e Jerry Stackhouse, do Dallas Mavericks, 210. O brasileiro teve 101 indicações como primeira opção para o prêmio.

Enquanto estava no exterior, Leandrinho dedicou parte de seus esforços a convencer o ala/pivô Nenê a voltar à seleção brasileira. De volta ao Brasil, não participou dos Jogos Pan-americanos do Rio por causa da cirurgia, mas foi o cestinha e destaque da seleção no Torneio Pré-olímpico de Las Vegas. Após uma crise interna, com direito a declarações do ala/pivô Marquinhos que a equipe não se entendia com o técnico Lula, o Brasil terminou a competição em quarto e foi para a repescagem olímpica mundial para os Jogos Olímpicos de Pequim-2008. A seleção negou o racha no retorno ao país, mas o técnico foi dispensado.

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