| Leandrinho, uma história
sendo escrita
| Foto Djalma Vassão/Gazeta Press
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Nome: Leandro Mateus Barbosa
Nascimento: São Paulo, 28/11/1982
Posição: armador
Residência: Phoenix (EUA)
Clubes que defendeu: Continental (SP),
Palmeiras (SP), Tietê (SP), Monte Líbano
(SP), Espéria (SP), Corinthians (SP), Bauru/Tilibra/Copimax
(SP) e Phoenix Suns (NBA)
Principais conquistas:
. Melhor Sexto Homem (reserva) da NBA na temporada 2006/07
. Primeiro brasileiro a disputar uma final de Conferência
na NBA, defendendo o Phoenix Suns no Oeste na temporada
2004/05
. Semifinalista da Conferência Oeste em 2006/07
. Quarto colocado no Pré-olímpico de Las
Vegas-2007
. Oitavo colocado no Mundial de Indianápolis-2002
. Sétimo colocado no Pré-Olímpico
de San Juan-2003
. Campeão nacional de 2002 com Bauru.
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O dia 26 de junho de 2004 foi um marco na trajetória do armador
Leandrinho. No Madison Square Garden, templo do basquete norte-americano,
em Nova York, ele acompanhava atento à cerimônia do draft
da NBA. Quase ao término da primeira rodada, 28ª escolha,
ele finalmente teve seu destino definido, sendo selecionado
pelo San Antonio Spurs. No mesmo dia, a franquia negociou-o
com o Phoenix Suns.
A vida nunca foi fácil para o armador que, nascido em família
simples, teve de trabalhar na feira para ganhar alguns trocados.
Mas também nunca lhe faltou apoio para realizar o sonho de
viver do basquete. O irmão Artur e a mãe Ivete foram figuras
chaves nesta trajetória, que começou no clube Continental,
em São Paulo.
Aos cinco anos, Artur já acompanhava o garoto franzino aos
treinamentos. Quatro anos mais tarde, o General (apelido de
Artur) passou a levar Leandrinho para jogar nas quadras públicas
do Ibirapuera. No parque, não tinha moleza não, os adversários
eram maiores e mais fortes. Mas Leandrinho, ou Barbosa como
ficou conhecido nos Estados Unidos, não se deixava intimidar
e enfrentava os adversários de igual para igual. A experiência
provou ser valiosa anos depois, quando foi convocado para
a seleção brasileira adulta pela primeira vez aos 16 anos.
Nos clubes, a responsabilidade também chegou cedo. Em 2001,
destacou-se jogando por Bauru no Campeonato Paulista e, dois
anos depois, com um verdadeiro desmanche que tirou os principais
jogadores da equipe, acabou sobrando para o atleta comandar
o time no Nacional.
Essas experiências só serviram para deixá-lo mais confiante
em suas possibilidades e, com isso, personalidade não lhe
faltava nas apresentações da seleção brasileira no Mundial
de 2002 nem no Pré-olímpico do ano seguinte. Foi assim que
ele conseguiu chamar a atenção dos olheiros da NBA e chegou
ao draft, um ano depois do desbravador Nenê, entre os mais
cotados atletas internacionais para a primeira rodada de escolhas
mesmo tendo sofrido com uma lesão no quadril durante a fase
de testes nas equipes.
Com a vaga garantida na Liga, Leandrinho teve de enfrentar
outra batalha, essa para se desvencilhar de sua antiga equipe
que relutava em liberá-lo. No final, precisou esperar a eliminação
da equipe no Nacional para poder se apresentar nos Estados
Unidos.
Como em todas as conquistas, seu esforço pessoal foi fundamental
e o armador pegou pesado na preparação antes da estréia. Treinou
com o campeão Ron Harper, fez muita musculação para ganhar
massa (o físico franzino sempre foi uma de suas características)
e seguiu confiante para a primeira temporada.
Reserva no início da campanha, contou com a sorte de uma
negociação dos Suns, que cederam Stephon Marbury e apostaram
no brasileiro. Isso rendeu minutos importantes para o atleta,
que fechou a primeira temporada com média de 21min40 por confronto.
Para 2004/05, a franquia contratou o experiente canadense
Steve Nash como reforço e ficou a dúvida sobre como ficaria
a situação do brasileiro. A resposta veio nas quadras. Leandrinho
perdeu a condição de titular, mas ganhou em experiência. O
tempo de jogo caiu para 17min30, mas conseguiu um 'professor'
que poucos jogadores puderam ter na carreira.
Nash foi eleito MVP da temporada regular e provou ser um
companheiro de quadra como poucos. Os Suns foram à final da
Conferência do Oeste e Leandrinho tornou-se o primeiro brasileiro
a chegar tão longe na competição. Depois da eliminação da
franquia, o brasileiro fez questão de destacar a ajuda que
recebeu do colega de quem se tornou amigo – como acontecera
com Marbury.
Ao contrário de muitos que poderiam ter visto a chegada
de Nash como uma 'sentença de morte' para seu crescimento
nos Suns, Leandrinho preferiu ver o lado positivo e tirar
disso o melhor possível. A opção provou ser a mais acertada.
Conquistando a segurança do técnico Mike D’Antoni, sua média
de tempo em quadra subiu para 27min90 em 2005/06. Apelidado
de Ligeirinho pela velocidade e agilidade, que não foram afetadas
por uma lesão no ligamento do joelho esquerdo ocorrida em
dezembro, Leandrinho ganhou também a admiração da torcida
e espaço na mídia, mas seu auge aconteceu na temporada seguinte.
Em 2006/07, Leandrinho teve ainda mais tempo de jogo (32min70),
apesar de sua equipe parar na semifinal do Oeste contra o
San Antonio Spurs. Durante os playoffs, as dores que incomodavam
o brasileiro no cotovelo esquerdo aumentaram. Ele disputou
toda a fase, mas precisou ser operado após a eliminação. Mesmo
assim, fechou a temporada eleito como o Melhor Sexto Homem
(reserva) da NBA. Na disputa, superou o argentino Manu Ginóbili,
campeão olímpico, e reserva com status quase de titular nos
Spurs.
Leandrinho somou 578 dos 635 pontos possíveis em uma votação
que incluiu jornalistas e comentaristas dos Estados Unidos
e Canadá. Ginóbili somou 269 pontos e Jerry Stackhouse, do
Dallas Mavericks, 210. O brasileiro teve 101 indicações como
primeira opção para o prêmio.
Enquanto estava no exterior, Leandrinho dedicou parte de
seus esforços a convencer o ala/pivô Nenê a voltar à seleção
brasileira. De volta ao Brasil, não participou dos Jogos Pan-americanos
do Rio por causa da cirurgia, mas foi o cestinha e destaque
da seleção no Torneio Pré-olímpico de Las Vegas. Após uma
crise interna, com direito a declarações do ala/pivô Marquinhos
que a equipe não se entendia com o técnico Lula, o Brasil
terminou a competição em quarto e foi para a repescagem olímpica
mundial para os Jogos Olímpicos de Pequim-2008. A seleção
negou o racha no retorno ao país, mas o técnico foi dispensado.
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