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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . MOSQUITO
Foto Gazeta Press
Foto Gazeta  Press

Realização nas quadras

Por Marta Teixeira

Ele teve uma passagem rápida e, quase proibida, pelo futebol, mas foi nas quadras de basquete que Carlos Domingos Massani fez sua fama. Aliás, de Carlos Domingos pode ser que poucos tenham ouvido falar, mas de Mosquito certamente muitos hão de lembrar.

Campeão mundial em 1963, no Rio de Janeiro, Mosquito começou nas quadras defendendo o São Paulo com 10 anos porque o pai não o queria nem perto do futebol. Mas Mosquito ainda ensaiou alguns dribles no campo sãopaulino, quando ainda ficava na marginal onde hoje é o Canindé.

Durante um ano, ele praticou futebol até que, finalmente, se transferiu de vez para as quadras. Logo no início, Mosquito já começou a conquistar títulos. Foi duas vezes campeão infantil, repetindo a performance depois no campeonato juvenil. Com 15 anos, Mosquito foi para o Palmeiras onde permaneceu nove anos. Com o alviverde, ele foi três vezes campeão paulista, transferindo-se depois para o Sírio, que defendeu por quase 15 anos, o fim da carreira foi no São Caetano/Tamoyo, equipe pela qual atuou como jogador e técnico.

Mosquito pode se orgulhar de ter participado da época de ouro da seleção brasileira. A primeira convocação veio com o técnico Kanela para o Mundial de 1959, no Chile, quando ainda era juvenil. "Fiquei quase seis meses concentrado, mas no final fui dispensado", lembra o ex-armador. Depois, Mosquito voltou para não sair tão cedo, foram quase 30 anos na seleção.

Defendendo a camisa nacional, este paulista participou das campanhas que levaram ao bronze nos Jogos Olímpicos de Roma-1960 e Tóquio-1964 (no total foram quatro Olimpíadas: 1960, 64, 68 e 72). Em uma época que o esporte vivia totalmente no esquema amador, Mosquito lembra que o amor ao basquete exigia sacrifícios.

"Era um grupo muito sacrificado, perdemos muitas oportunidades. Mas a gente fazia tudo porque gostava do esporte", diz, lembrando que os treinos só podiam ser feitos três vezes por semana, à noite. Apesar de todas as dificuldades, o ex-armador acha que no geral tudo valeu a pena.

"No meu ego me sinto valorizado. Tenho as portas abertas onde quer que vá e conheci o mundo todo praticamente". Lembranças desta época não faltam e ele ainda pensa na possibilidade de criar uma sala em sua casa para reunir os troféus, medalhas e fotos. "Tenho bastante coisa guardada, mas poucas fotos", diz, revelando uma predileção especial pela medalha dos Jogos de Roma. "Não teve como a da Itália, com uma corrente que imita folhas de louro".

No entanto, Mosquito não disfarça uma certa mágoa quando fala de algumas tentativas de voltar à ativa no basquete.

"O presidente da Federação (Paulista de Basquete, Antônio Chakmati) diz que estou ultrapassado. Cheguei a levar um projeto para o Tony para trabalhar em colégios", diz, acrescentando que a tentativa não deu em nada. "Nunca fiz nada para ele, talvez ele tenha bronca porque me convidou para ser técnico do Monte Líbano e não aceitei".

Mesmo fora das quadras há mais de 20 anos, parou de jogar com 40 anos, Mosquito mantém o hábito de acompanhar a modalidade. Mas confessa um certo saudosismo de uma hora em que o raciocínio e a técnica eram muito mais decisivos que o físico. "O que seria um jogo de basquete bonito, como um jogo de xadrez, vai acabando com as mudanças das regras", lamenta o ex-jogador, que não é muito fã do basquete no estilo norte-americano, no qual a posse de bola não pode ultrapassar os 24 segundos.

Publicação: 12/03/2003
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