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Foto Gazeta Press
Foto Gazeta Press

O começo - Oscar Schmidt nasceu em Natal, no Rio Grande do Norte, no dia 16 de fevereiro de 1958. Seu pai, Oswaldo, era farmacêutico da Marinha e jogava vôlei. Sua mãe, Janira, também jogava vôlei. Quando tinha sete anos, em Natal, Oscar teve sua primeira experiência com o basquete, no clube AABB. A quadra era de cimento, ao ar livre e sem redinha. Não deixou saudades.

Aos 13 anos, já em Brasília, foi jogar no Unidade Vizinhança, onde conseguiu tomar gosto pelo esporte. Com 15 anos, foi convocado para a seleção dos Jogos Estudantis Brasileiros, para a seleção juvenil e adulta de Brasília. Essas três convocações lhe valeram a convocação para a seleção brasileira juvenil, onde foi campeão sul-americano.

Palmeir
as e Sírio - O próximo passo na sua carreira foi o Palmeiras. Com 17 anos, já era titular do time principal, . Em 78, o Verdão desmontava sua superequipe e Mortari e Oscar iam para o Sírio, que já contava com Dodi, Marquinhos, Marcel, Larry Williams, Marcelo Vido, Agra, Paulinho Esteves, Saiani, Mike e Luizão.

No ano seguinte, o Sírio ganhou tudo: o Sul-americano contra o Guaiqueries, em Isla Marguerita, na Venezuela, e o Mundial, em São Paulo, contra o Bosna da Iugoslávia, na prorrogação. Esta foi a maior emoção na carreira do Mão Santa, que covertou os dois lances livres que empataram a partida no tempo normal.

Exterior - No início da década de 80, Ary Vidal convenceu a diretoria do América do Rio a montar um supertime de basquete com Marquinhos, Marcelo Vido, Gílson, Zé Galinha e Oscar. Só que Oscar nem chegaria a vestir a camisa branca e vermelha. Uma proposta do Caserta, da Itália, fazia com que o "Mão Santa", apelido que ele já incorporara, fosse para a Europa.

No início, a coisa não foi fácil para o jovem de 24 anos. O time perdeu seis partidas em nove disputadas e ocupava as últimas colocações da segunda divisão. Mas quando o novo ginásio da equipe foi inaugurado, a equipe embalou e venceu 18 jogos nos 21 disputados. Com essa surpreendente campanha, a equipe subiu para a primeira divisão do campeonato italiano.

Dos treze anos que passou fora do País, oito foram em Caserta, onde Oscar tem as melhores recordações de sua carreira internacional. Nos oito anos em que morou em Caserta, cidade do sul da Itália, o time chegou a sete finais, conquistando uma Copa Itália e o vice-europeu de 88/89 contra o Real Madrid, num jogo emocionante e decidido no último segundo. Em Caserta, o brasileiro era conhecido como Oscar O'Rey e era realmente tratado como um rei. O carinho fez com que o astro recusasse propostas do Real Madrid e do Macabi para ganhar, às vezes, o triplo do que ganhava na Itália.

Ele chegou até a receber uma proposta do New Jersey Nets, que tinha o ala Drazen Petrovic da Iugoslávia, mas acabou recusando-a, pois se jogasse um só jogo na liga profissional norte-americana não poderia mais, naquela época, defender a seleção brasileira. Isso durou até a morte do presidente do clube Giovanni Majjó. No seu jogo de despedida do clube, um faixa pedia: "Seu coração é a nossa força. Oscar, fique conosco". Nessa mesma partida, a camisa 18 que vestia foi pendurada e nunca mais será utilizada por outro jogador.

No contrato com o Caserta havia uma cláusula que impedia Oscar de atuar por outro time da série A1 da Itália. Oscar voltou então a disputar a A2 com o Pavia, time com o qual fez um bom contrato. Já na primeira temporada, Oscar comandou o time à conquista da segunda divisão. No ano seguinte, o time já figurava entre os grandes da Itália. Na temporada 90/91, aos 33 anos, o Mão Santa fez o melhor campeonato de sua carreira. Teve uma média de 44 pontos em 40 jogos, num total de 1.760 pontos.

Embora o ala estivesse fazendo "chover" na Pavia, a equipe não foi crescendo como o Caserta e continuava numa divisão intermediária. Nosso astro ficou por lá por três anos até que o time faliu. Após a falência, Oscar recebeu uma boa proposta de espanhol Valladolid. No basquete espanhol, o profissionalismo imperava e não havia aquela amizade existente no sul da Itália.

Seleção - Com 16 anos de idade, ainda jogando como pivô, Oscar recebia sua primeira convocação para a seleção brasileira principal, que era treinada pelo técnico Édson Bispo dos Santos. Só que o atleta acabou sendo cortado e a seleção não ficava de fora das Olimpíadas de Montreal em 76. Foram cinco Olimpíadas, um recorde no esporte brasileiro. É o maior cestinha da história da competição, com 1.093 pontos. Além disso, também tem recordes em Mundiais. Em 1990 marcou 50 pontos contra a Austrália, marca nunca alcançado por outro atleta.

Mas com certeza a maior emoção com a seleção aconteceu no final de tarde do dia 23 de agosto de 1987. O palco era o Market Square Arena, Indianápolis, ginásio do Indiana Pacers e da Universidade de Indiana. Depois de estar perdendo por 20 pontos no final do primeiro tempo, o Brasil ganhou a medalha de ouro dos Jogos Pan-americanos com uma vitória de virada sobre os Estados Unidos, por 120 a 115.

Foram essas atuações que colocaram Oscar como o primeiro jogador brasileiro a ter sua camisa colocada no hall da fama do basquete norte-americano, em Springfield, Massachussets.

Retorno ao Brasil - Em 1996, Oscar está de volta ao Brasil e desta vez para vestir a camisa alvinegra do Corinthians-Amway. A equipe do Parque São Jorge investe em um grande time com o Mão Santa, Fernando Minucci, Paulo Cheidde, o porto-riquenho James Carter e o técnico Flor Melendez. Já no mesmo ano, a equipe consegue a histórica conquista do Campeonato Brasileiro, vencendo na final o Corinthians gaúcho.

No ano seguinte a equipe perdeu o patrocínio da multinacional Amway e Oscar decide inovar mais uma vez e monta a sua própria equipe, o Banco Bandeirantes, de Barueri, a primeira equipe profissional do País. Mas o título esperado não veio. No ano seguinte uma reformulação é proposta. Entra Cláudio Mortari e sai Marcel. Saem também alguns dos veteranos como Maury e Rolando. Forma-se, agora, o Mackenzie-Microcamp. A equipe contava com o apoio da universidade onde Oscar começou a estudar Administração há quase vinte anos e com o empresário Eloy Tuffi, responsável pela Microcamp. O projeto deu certo e o time foi campeão paulista em 1998.

Após vencer o Paulista, Oscar Schmidt ainda teve fôlego para se lançar na política como candidato a Senador pelo PPB de São Paulo. O seu discurso era simples: prometia lutar contra as drogas e pela juventude. Perdeu a eleição para Eduardo Suplicy.

Flamengo e a aposentadoria - Em 1999, Oscar transferiu-se para o basquete carioca, vestindo a camisa do Flamengo. Na equipe da Gávea, Mão Santa descobriu uma nova família. Chegou trazendo sorte e garantindo o título Estadual. No ano seguinte, foi vice-campeão Nacional, perdendo para o Vasco na final.

O ano de 2001 não foi muito fácil para os rubro-negros, que não tiveram boa campanha no Carioca nem no Nacional, levando Oscar a pensar na aposentadoria. O craque anunciou que 2002 seria sua última temporada, mas acabou adiando a decisão depois de um confronto tumultuado contra o COC/Ribeirão, em São Paulo.

Nas quadras, Oscar e Flamengo conquistaram o título Carioca de 2002 e seguiram para mais campanha no Nacional. A disputa do torneio durou até as quartas-de-final, quando a equipe foi eliminada pelo Universo/Minas por 3 a 0. No último jogo da série, em 14 de maio, Oscar já falava na provável aposentadoria, confirmada no início da tarde de 26 de maio de 2003.

Em seus quatro anos de Flamengo, Oscar disputou 218 jogos. O Mão Santa marcou 7.247 pontos, com média de 33,3 por confronto. No clube, ele pode realizar o sonho de jogar ao lado do filho Felipe.
Com sua aposentadoria, o Flamengo decidiu também aposentar a camisa 14, com a qual defendeu o clube

Nossa Liga de Basquete - Em 2005, cansado de anos e anos de críticas freqüentes à estrutura oferecida para a prática do esporte em nível de competição no país, Oscar decidiu arregaçar as mangas e fazer acontecer. Em sua primeira temporada como dirigente do Telemar, peitou a Confederação Brasileira de Basquete (CBB), uniu-se aos dirigentes dos principais clubes nacionais e criou a Nossa Liga de Basquete.

O objetivo era assumir a responsabilidade pela organização dos torneios nacionais da modalidade, em uma estrutura de trabalho, que permitisse aos clubes não ter mais prejuízo com a manutenção do esporte.

atualização: 24/05/2005
 
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