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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .MAGIC PAULA
Foto Gazeta Press
Foto Gazeta Press


Por Gabriela Trevisan, especial para GE Net

Maria Paula Gonçalves da Silva, mais conhecida como Magic Paula. O apelido começou por causa de comparações com o ídolo do Los Angeles Lakers, Magic Johnson. Mas a brasileira tem seu estilo próprio de jogo. Paula jogou tanto como ala quanto como armadora. Mostrou eficiência fazendo assistências, cobrando lances livres e convertendo cestas de três pontos. Sem dúvida é uma melhores jogadoras brasileiras de todos os tempos, assim como Hortência, com quem viveu um dilema entre amizade e rivalidade, que só se encerrou quando Paula abandonou as quadras, em 2000.

História - Paula começou a trilhar seu caminho pelo basquete com apenas dez anos de idade. A garotinha acompanhava a irmã Cássia, seis anos mais velha, aos treinos do recém-criado time do Clube das Bandeiras, em Osvaldo Cruz, interior paulista. Paula, por ser muito nova, teve que insistir muito para ser aceita no time. Com quase 11 anos, finalmente conseguiu, e já foi titular no seu primeiro jogo. Destacou-se tanto que em 1974 foi convidada pelo técnico do Assis Tênis Clube para integrar o time da cidade. Incentivada por seus pais, resolveu aceitar. Após um ano e meio o time acabou. Mas o basquete havia ganho um talento, que não iria desperdiçar as chances. Paula foi então para Jundiaí, jogar na equipe do Colégio Divino Salvador. Passados três meses, foi convocada pela primeira vez para a seleção brasileira adulta, com apenas 14 anos. Depois de quatro anos no Divino, já consagrada, Paula transferiu-se para o Unimep, em Piracicaba, onde viveu grandes momentos . Lá jogou durante oito anos, até que voltou para o Cica/Divino Salvador.

Pouco tempo depois Paula resolveu dar uma guinada na carreira e aceitou a proposta do time espanhol Tintoretto. Uma lesão no joelho e uma certa dificuldade de adaptação ao estilo de treino da equipe espanhola colaboraram para que Magic Paula voltasse logo ao Brasil, mais precisamente em 1991, quando vestiu a camisa do BCN/Piracicaba.

Nos Jogos Pan-americanos de Havana, realizados em 1991, a seleção brasileira feminina disputou as finais do torneio com as próprias cubanas. Fidel Castro compareceu ao jogo. O placar da primeira metade da partida exprimia o equílibrio entre as equipes. Mas Magic Paula brilhou ainda mais: no segundo tempo, Paula fez cinco arremessos de três pontos. Acertou quatro. Com isso, as brasileiras acabaram vencendo por 97 a 76. Na entrega da medalha de ouro, Fidel Castro pediu para Paula ficar de costas e, apontando para sua camisa, fez um gesto negativo com o dedo como se tivesse a intenção de não entregar o ouro à atleta, chamando-a de "bruxa", brincando.

Em 1993, Paula fechou contrato com o Ponte Preta, em Campinas, onde jogou ao lado de Hortência e conquistou o título mundial de clubes. Após certos confrontos pessoais com Hortência - um deles por causa da irmã Branca, também jogadora - Paula voltou a Piracicaba para defender o Unimep. Em 1996, já jogando pelo Microcamp, além de ser campeã paulista pela oitava vez, brilhou com a seleção brasileira nos Jogos Olímpicos de Atlanta, conquistando a medalha de prata. Despede-se da seleção, mas continua na quadra, disputando os campeonatos paulistas e nacionais, até o adeus definitivo, com a camisa do BCN/Osasco, no início de 2.000.

Fora das quadras - Magic Paula não se destacou somente dentro das quatro linhas da quadra. A jogadora recebeu várias propostas para posar nua, além de um convite para se candidatar a vereadora de um partido da capital paulista em 1992. Não aceitou nenhuma das propostas. Em 1994, segundo a própria, teve um de seus sonhos realizados: lançou uma grife. A marca "Magic Paula" estava em camisetas e trajes esportivos, incluindo faixa de cabelo que tornou-se marca registrada da ala/armadora. No ano seguinte, Paula lança "A trajetória de uma campeã", livro que conta seus passos no basquete. Fora das quadras desde o início de 2000, agora está investindo na área social. Magic Paula reuniu cerca de 300 crianças em Piracicaba para trabalhar com quatro modalidades esportivas, além de oficinas de informática e estudo em geral. E não pára por aí. Paula foi escolhida pela prefeita de São Paulo, Marta Suplicy, para ser diretora do Centro Olímpico do Ibirapuera.

Paula ficou no Centro até maio de 2003, quando recebeu um convite do Governo Lula para assumir a secretaria nacional de alto rendimento do Ministério do Esporte. A passagem pelo órgão Federal durou 158 dias. Em outubro, a ex-jogadora pediu demissão, após um polêmico incidente no qual ficou constatado que o Comitê Olímpico Brasileiro (COB) pagou a estadia de membros do Ministério durante a realização dos Jogos Pan-americanos de Santo Domingo.

A secretária, que recebera uma verba governamental para estas despesas, não havia devolvido os recursos. Paula disse que tentou fazer o reembolso e aguardava apenas a liberação de um código para tanto. Dias depois do escândalo vir a tona, ela pediu sua exoneração e saiu criticando muito o sistema de trabalho da administração governamental.

Segundo ela, quase não foi consultada para decisões esportivas. Além disso, ela contestou a falta de autonomia e morosidade do sistema. Mas não demorou muito e ela foi chamada a reassumir o cargo que ocupava no Centro Olímpico.

Em 2005, ela, Hortência e Janeth uniram-se à iniciativa de Oscar e diretores das principais equipes do país na formação da Nossa Liga de Basquete (NLB) com o objetivo de tirar a modalidade e seus clubes do risco de insolvência.

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