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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . WLAMIR MARQUES
Foto Gazeta Press
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O verdadeiro Diabo Loiro

Por Marta Teixeira

Quem só tem olhos para o futebol acha que Diabo Loiro é o atacante Paulo Nunes, mas quem realmente gosta de esporte não tem dificuldade para lembrar que o Diabo Loiro original foi mesmo Wlamir Marques, um dos melhores ala/armadores que o basquete nacional já teve a seu serviço. E pensar que justamente o futebol quase tirou das quadras aquele que se tornaria um mito na modalidade. A ameaça surgiu no início dos anos 50 e, ironia das ironias, pelas mãos do próprio técnico Kanela, responsável por algumas das principais conquistas do basquete brasileiro.

Foi Kanela quem levou Wlamir para treinar no Flamengo, quando Fleitas Solich comandava a equipe. Alto, 1,85m, esguio e ágil, Wlamir ia bem no gol e antes havia defendido a equipe do Santos, ao lado de Del Vecchio e Pepe.

Mas o flerte com o gramado durou pouco e logo ele decidiu manter os pés na quadra. "Tive que me decidir entre um esporte e outro e acabei optando pelo basquete, onde estava em plena ascensão. Acho que escolhi certo", declarou anos depois à Gazeta Esportiva. Sem sombra de dúvida.

Wlamir é um dos poucos brasileiros que teve o privilégio de ganhar duas medalhas olímpicas e dois títulos Mundiais. Ele defendeu o país em quatro Olimpíadas e fez parte da geração que mais conquistou títulos para o Brasil, tornando-se um mito reverenciado por todos que entendem de basquete. Como resultado disso, foi escolhido um dos melhores jogadores brasileiros do século, ao lado de Amaury Pasos, Oscar, Marquinhos e Ubiratan.

Ainda hoje, quando se fala em basquete, são os títulos desta geração, mais o Pan-americano de 1987, que primeiro são citados pelos fãs do esporte. Mas o campeoníssimo Wlamir não se deixa iludir pelos louros da fama. "Hoje, tem um valor fantástico, mas na época...", afirma. Para ilustrar o que esperavam do grupo, Wlamir lembra que quando o grupo ficou com o bronze nas Olimpíadas de 1960, as pessoas não perdoaram. "Éramos muito vencedores e fomos muito criticados (pelo bronze). Diziam que estávamos velhos", recorda.

Mas cada palavra contra o grupo teve de ser engolida em seco pelos críticos três anos depois, quando a seleção assegurou o ouro no Mundial do Rio de Janeiro. A conquista em casa é lembrada pelo craque como uma de suas maiores emoções, justamente pelo envolvimento com a torcida, que lotou o Maracanãzinho para incentivar seus jogadores.

Apesar do encantamento que confessa com estes momentos, Wlamir não se apega às lembranças. Da enorme coleção de troféus e medalhas conquistadas ao longo do tempo, afirma ter em seu apartamento atual apenas as duas olímpicas e a do bicampeonato mundial, as outras "estão por aí, na casa dos filhos". Ele confessa que os símbolos das vitórias, até mereceram um cantinho especial enquanto morava em casa, "mas depois que mudei para apartamento não tenho mais".

Mais do que oba-oba pelas conquistas, homenagens e tapinhas nas costas, Wlamir quer apoio e reconhecimento para os atletas que fizeram tanto pelo nome do Brasil no esporte internacional. "Minha geração precisa é de dinheiro para ganhar a vida", diz claro, ressaltando que alguns destes eternos campeões têm dificuldades para se manter.

Isto explica porque Wlamir nunca descansou sob as glórias do passado. Formado em educação física, até hoje leciona, atualmente na Fefisa. Além disso, trabalha como comentarista esportivo de televisão e como comissário da Federação Paulista de Basquete.

Ativo, o Diabo Loiro estudava com o ex-pivô Ubiratan uma maneira de conseguir apoio financeiro do governo para os bicampeões mundiais. Mas a mudança constante de ministros e a recente morte de Bira inviabilizaram a concretização do projeto.

Publicação: 17/01/2003
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