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Publicação: 25/05/2007
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ADEMIR DE MENEZES

O artilheiro de uma Copa perdida

Por Emanuel Colombari

Ademir era presença constante com na seleção brasileira desde 45, quando o técnico Flávio Costa convocou o jogador para a disputa do Sul-americano do Chile. Os bons momentos vividos no futebol carioca fizeram da parceria com o treinador uma constante, que se seguiu pelos anos seguintes. Foi assim na Copa Rocca de 45 e na Copa América de 49, ambas vencidas pelo Brasil.

Com o bom momento que o Brasil viva em âmbitos continentais, era natural que a base da seleção fosse mantida para o Mundial de 50, que aconteceria no Brasil. Convocado, Ademir estreou junto com o Brasil, em uma goleada por 4 a 0 sobre o México. O time que fez o primeiro jogo no Maracanã tinha Barbosa; Augusto e Juvenal; Eli, Danilo e Bigode; Maneca, Ademir, Baltazar, Jair e Friaça. Ademir fez o primeiro e o último; Baltazar e Jair completaram.

No jogo seguinte, no Pacaembu, Flávio Costa resolveu agradar à torcida paulista e escalou a mítica linha média do São Paulo; Rui, Noronha e Bauer. Na ponta-direita, sacou Friaça e escalou um zagueiro, Alfredo. Com a Suíça fechada, o time não conseguiu mais do que um empate em 2 a 2, gols de Baltazar e Alfredo, contra dois de Fatton.

No terceiro jogo, o Brasil voltou ao Maior do Mundo sem invenções no meio: Bauer, Danilo e Bigode. Ademir deixaria o seu na vitória por 2 a 0 sobre a Iugoslávia, em uma boa apresentação que convenceu Flávio Costa a repetir o time na próxima partida, contra a Suécia. Resultado: quatro gols do Queixada, dois de Chico, um de Maneca e um empolgante 7x1.

A atuação da Seleção animava os torcedores, que lotaram o Maracanã para a partida contra a Espanha. Agraciada por uma apresentação brilhante do time, a torcida carioca explodia nas arquibancadas imitando o 'Olé' das touradas ibéricas. Ao som de 'Touradas de Madri', o trio Ademir-Jair-Chico empurrou o time, com dois gols cada. E o Brasil chegou ao jogo contra os uruguaios precisando apenas do empate. Ademir já era o artilheiro do Mundial de 50, com nove gols.

Na final, Friaça faria o gol brasileiro, mas o Uruguai viraria com gols de Schiaffino e Gigghia. As atuações de Bigode e Barbosa seriam crucificadas, mas Ademir de Menezes seria poupado. Pudera: com 35 gols em 41 partidas pela seleção em toda a carreira, a torcida parecia à vontade para lamentar todos os jogadores, menos um. Mesmo assim, ele tentou diminuir o peso da derrota mais dolorida da história do futebol brasileiro.

“Para mim, não foi uma frustração, apenas uma tristeza. Afinal, foi o único título que eu não ganhei. Mas me considero realizado por tudo que consegui na minha carreira”, disse Ademir antes de falecer.Ainda assim, não conseguia esconder a decepção daquele time. “O primeiro mês, ou melhor, o primeiro ano após aquela Copa do Mundo foi bastante penoso para nós. Se a imprensa e os torcedores sentiram, imaginem os jogadores como ficamos abatidos. Mas foi obra do destino, coisas do esporte e, sendo assim, não podemos encontrar nenhum culpado pela derrota”, completou o craque, que se despediu de suas aspirações à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro após a Copa.

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