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A eficiência da Academia comandada por Ademir
era tão notória que a CBD, atual CBF, em 7 de setembro de
1965 resolveu ceder a camisa verde e amarela, bicampeã do
mundo, para o Palmeiras vestir contra o Uruguai na inauguração
do Mineirão. Essa também foi a única vez em que a seleção
brasileira jogou sob a orientação de um estrangeiro: o argentino
Filpo Nuñes, então técnico do Palmeiras. Na véspera do jogo,
Julinho disse a Filpo que não queria jogar pois estava se
recuperando de uma contusão, mas o técnico implorou para que
ele jogasse: "sem Julinho não há Academia." O craque cedeu.
Entretanto, curiosamente, na hora de distribuir as camisas,
Filpo informou a Julinho que Germano jogaria em seu lugar.
O ponta-esquerda ficou ofendidíssimo e falou que entraria
em campo de qualquer forma. E foi o que aconteceu. E naquele
7 de setembro, o Palmeiras aplicaria 3 a 0 no Uruguai e vingaria
a derrota de 1950, na final da Copa.
Mas essa foi a rara oportunidade que Ademir
teve de usar a camisa amarelinha sem ter de disputar uma vaga
com ninguém. As recordações que o negro-aço guarda da seleção
não são das melhores. Ademir diz que jogou em uma época em
que era muito mais difícil chegar à seleção. "Não havia a
possibilidade de ir jogar no exterior. A Itália era o único
país que contratava jogadores brasileiros, mas até aquele
mercado estava fechado. Logo, o principal objetivo dos atletas
era defender a seleção". E para sua infelicidade o titular
absoluto do time naquele época era Rivelino, o "Patada Atômica".
Suas chances ocorrem apenas em amistosos, mas ele foi convocado
por Zagallo para a Copa de 1974. "Antes de embarcar já sabia
que não seria o titular." Na Alemanha, Ademir só teve oportunidade
de entrar no jogo pela disputa do terceiro lugar contra a
Polônia. E isso porque Luís Pereira tinha sido expulso na
partida anterior e Paulo César Caju estava machucado. E para
surpresa geral, mesmo jogando bem, Ademir foi substituído.
Ainda assim ele defende Zagallo. "O Brasil precisava da vitória
e ele me tirou para colocar um atacante, Mirandinha."
Para muitos, o Brasil tinha tudo para conquistar
o tetra. Era só convocar metade dos jogadores da Academia
que estavam apresentando um futebol surpreendente e mesclar
com alguns jogadores remanescentes do tri. A seleção perdeu
o título e o Ademir ficou como o injustiçado.
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