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Por Mário Sérgio Lima, especial
para GE.Net
Em uma época onde os jogadores são tachados
pelos torcedores de mercenários a cada transferência
para outro time, motivadas por propostas financeiras mais
vantajosas, poucos são aqueles que se mantêm
tanto tempo em um clube que passam a ter uma identificação
especial com o time e a torcida. Como toda regra tem sua exceção,
Aldair está aí para provar que o amor às
cores de uma equipe ainda não saiu de moda.
| Foto Gazeta Press |
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Lançado pelo Flamengo,
em 1986, começava ali a carreira de um dos mais talentosos
zagueiros do futebol brasileiro nos últimos anos. Garoto
tímido, vindo de Ilhéus, na Bahia, Aldair foi
forçado a se impor em um time que contava com Mozer,
já consagrado zagueiro, na defesa. Foi a coragem do técnico
Sebastião Lazaroni que
permitiu ao jogador a sua oportunidade. E ele não iria
desperdiçá-la.
Não demorou para que o atleta se firmasse no time
principal. Atraindo a atenção dos torcedores,
Aldair foi cada vez mais confirmando que a aposta estava correta.
Com um futebol técnico e de muita pegada, ele ganhava
respeito dos adversários e admiração
dos fãs. No elenco do Flamengo foi campeão brasileiro
de 1987 (título não reconhecido pela Confederação
Brasileira de Futebol - CBF).
Jogando no clube de maior torcida do país, conquistando
títulos, não era de se surpreender que Aldair
seria chamado para integrar o quadro da seleção
brasileira. Novamente, Lazaroni abriu-lhe as portas. Alçado
à condição de titular, conquistou com
a seleção canarinho o título da Copa
América em 1989, que foi disputada no Brasil.
Essa conquista rendeu-lhe uma transferência bastante
vantajosa em termos econômicos para o futebol europeu.
O destino foi o Benfica, de Portugal. O time precisava de
um substituto para o zagueiro Mozer, que tinha saído
para atuar no Marseille, da França. Os lusitanos preferiram
apostar as fichas no também ex-zagueiro rubro-negro.
Mas a aventura no Benfica seria curta, apenas um ano. O jogador
foi muito bem, se destacando em uma campanha que culminou
com a final da Copa dos Campeões, quando Aldair sentiu
a decepção de ser vice-campeão, perdendo
para o Milan na final. Ao final da temporada, mais um desafio:
disputar a Copa do Mundo pela seleção brasileira.
O torneio, que tinha tudo para revelar o jovem talento, acabou
por ser uma grande decepção para Aldair.
O atleta não jogou um minuto sequer naquela fracassada
campanha, ficando na reserva. O zagueiro até chegou
a se rebelar, mas não tinha jeito. Mesmo assim, ao
final da Copa, veio a proposta que mudou sua vida: a Roma,
da Itália, ofereceu-lhe um contrato.
O que seguiria seria uma das mais bonitas histórias
de fidelidade clubística que se tem notícia
no futebol em tempos de mercado. Aldair começava ali
uma caminhada de 13 anos defendendo as cores do time da capital
italiana. Nesse tempo acabou por inscrever seu nome na história
do time romano de forma ainda mais profunda do que outro brasileiro,
Falcão, o Rei de Roma, jamais conseguira.
Atuando pela Roma, acabou por ser recompensado na seleção,
da qual ficou excluído desde a Copa do Mundo na Itália,
ao ser chamado para o Mundial de 1994, nos Estados Unidos.
Aldair entrou pela porta dos fundos, é verdade. Só
foi convocado devido à contusão de Mozer e só
foi titular por causa da lesão de Ricardo Rocha. Sorte
de Aldair? Sorte da seleção brasileira, que
venceu a Copa com uma das defesas mais seguras da história
do Brasil.
Sua caminhada pela seleção teve, depois, três
episódios tristes: o fracasso nas Olimpíadas
de 1996 (quando, além da eliminação,
teve que aturar as gozações por conta de uma
falha bizarra na partida contra o Japão), o vice na
Copa de 1998 e a sua "aposentadoria forçada"
com a amarelinha após uma partida contra o Uruguai,
nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002.
Na Roma, Aldair continuava ídolo, e conseguiu realizar
uma proeza inimaginável. Ficou 13 anos na mesma equipe,
se tornando o estrangeiro com o maior número de temporadas
no futebol italiano. Foi tão importante que a Roma,
em homenagem a um dos maiores ídolos de sua história,
resolveu aposentar a camisa 6, sua marca registrada. Honra
para poucos.
Com 37 anos de idade, encarou o dilema de definir o que faria
da sua experiente carreira: aposentadoria ou Flamengo. Nenhum
dos dois. As especulações de que voltaria à
Gávea não passaram de boatos e o atleta se transferiu
para o Genoa, da segunda divisão italiana. Depois de
cinco meses no time, ele deixou a equipe junto com outro brasileiro,
Zé Elias, e se despediu dos gramados. Será sempre
lembrado como um dos grandes zagueiros do país nas
décadas de 1980 e 1990.
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