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Seleção brasileira: Xerife do Tetra

Foto: Gazeta Press

A história de Aldair na seleção brasileira começou no dia 29 de março de 1989. Naquele dia, o então zagueiro do Flamengo vestia a amarelinha para enfrentar o time saudita do Al Ahly, em uma partida amistosa. O Brasil venceu por 3 a 1, embora o resultado não importe. O rapaz começava a mostrar o bom futebol que o consagraria anos mais tarde em palcos internacionais.

Naquele mesmo ano, veio o primeiro título com a seleção brasileira. E não podia ser melhor: o Brasil conquistou a Copa América, disputada em território brasileiro, passando por Argentina, Paraguai e Uruguai na campanha. Mais tarde, Aldair fez parte do elenco que conquistou a vaga para a Copa do Mundo de 1990, a ser disputada na Itália.

Na época atuando pelo Benfica, foi para a competição com muitas esperanças de realizar um bom papel. Decepcionado, passou o torneio no banco de reservas, de onde assistiu à humilhante eliminação em derrota para os argentinos. Na época, disparou contra o técnico Sebastião Lazaroni, afirmando que deveria ter peitado o comandante para conseguir a vaga, já que todos o tinham feito.

Sua indisciplina na ocasião lhe custou caro. Ficou de fora das convocações até 1993, mesmo que, em grande parte deste tempo, a razão de sua exclusão não foi técnica ou disciplinar, e sim física - lutou contra contusões. Perdeu as Eliminatórias para a Copa do Mundo 1994, mas a sorte esteve do seu lado.

Seu amigo Mozer, convocado para o Mundial, teve que ser cortado em decorrência de uma contusão. Eis que Aldair surge como convocado. Mas queria o destino que o técnico Carlos Alberto Parreira colocasse Aldair como titular. Isso foi possível com a contusão de Ricardo Rocha. Depois de tanta sorte, o zagueiro resolveu provar que tinha valor para estar naquela posição e, ao lado de Márcio Santos, formou uma barreira defensiva quase intransponível, que ajudou o Brasil a trazer o tetracampeonato mundial para casa.

Consagrado, passou por momentos em que não havia uma pessoa no Brasil que discordasse da sua condição de titular da seleção canarinho. Tanto que, nas Olimpíadas de 1996, em Atlanta, foi convocado entre os três atletas acima de 23 anos para a disputa da competição.

Mas o torneio acabou sendo um dos fracassos pessoais de Aldair. Logo na primeira partida, contra o Japão, foi protagonista de um lance patético com o goleiro Dida. Em uma bola fácil, os dois trombaram, deixando o gol livre para o atacante adversário. Apesar do erro ter sido marcante, o que fica daquele time foi a frustração de novamente ver a medalha de ouro olímpica escapando.

Mas Aldair ainda teria uma chance para redenção, na Copa do Mundo de 1998. O jogador era a esperança defensiva do Brasil naquele torneio. Após uma campanha cheia de percalços, o time chegou na final, para ser humilhado pela França, dona da casa, por 3 a 0, na maior derrota brasileira na história das Copas.

Depois disso, já veterano, ainda vestiu a camisa da seleção brasileira por mais algumas oportunidades. Acabou por se despedir de forma melancólica, na partida das Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2002 contra o Uruguai, no Maracanã, quando cometeu um erro que custou o empate ao Brasil.

Hoje, lembrando todas as suas conquistas pela seleção brasileira, Aldair não se arrepende desses doze anos servindo o seu país. Foram várias conquistas, entre elas duas Copas América, uma Copa das Confederações e uma Copa do Mundo.

Publicação: 05/09/2003
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