| Foto Marcelo Ferrelli/Gazeta Press |
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'Por que ele não nasceu
no Brasil?'
Por Renato Pazikas, especial para a GE.Net
Certamente, esta pergunta já foi feita centenas de
vezes por torcedores brasileiros em relação
à sua nacionalidade. Ele, no caso, é o lateral-direito
paraguaio Francisco Javier Arce Rolón, um dos melhores
do mundo em sua posição. É bem provável
que se tivesse nascido em terras canarinhas, seria o sucessor
de Cafu na seleção brasileira, ainda mais no
time pentacampeão comandado por Luís Felipe
Scolari, técnico em algumas de suas maiores conquistas
nos tempos de Grêmio e Palmeiras.
Perfeito em seus cruzamentos e eficiente nas cobranças
de falta, Arce, há treze anos jogador profissional,
é um exemplo para quem quer seguir carreira na posição.
Defendeu apenas três times em sua vida: Cerro Porteño,
do Paraguai, Grêmio e Palmeiras, clubes pelos quais
divide seu coração, com uma leve preferência
pelo de sua terra natal. "Meu coração é
metade Cerro, e a outra metade dividida entre Grêmio
e Palmeiras".
De Paraguari a Assunção - Nascido no
dia 2 de abril de 1971, em Paraguari, Arce começou
sua carreira nas categorias de base do XV de Mayo desta cidade.
Pela equipe, disputou a União do Futebol do Interior,
torneio no qual o vencedor dos campeonatos de cada cidade
disputavam a fase final da competição na capital
Assunção. Lá, olheiros dos grandes clubes
selecionavam os jovens craques, e foi assim que chegou ao
Cerro Porteño, em 1989.
Neste ano o jogador, então com 18 anos, ingressou
na faculdade de economia, na Universidad Nacional de Assunção,
onde foi obrigado a filiar-se ao partido Colorado, álibi
da ditadura de Stroessner, mas teve de largá-la em
conseqüência da grande carga de treinos que seu
clube lhe obrigava. Foi no Cerro que o lateral aperfeiçoou
suas cobranças de falta, espelhado em Juan Manuel Bataglia,
seu companheiro de clube. Sérgio Markarian, técnico
da equipe na época (futuramente seria o treinador da
seleção paraguaia), o obrigava a sair de campo
após os treinamentos, porque o jogador jamais pararia
de cobrar faltas por conta própria. Pelo clube paraguaio,
Arce conquistou os títulos nacionais em três
oportunidades: em 91, 92 e 94.
Consagração no futebol brasileiro -
No ano de 1994, o lateral se transferiu para o Grêmio,
de Porto Alegre, clube no qual não teve dificuldades
para se adaptar pois tinha um estilo de jogo, de forte marcação,
parecido com o dos times paraguaios. Em quatro anos no tricolor,
colecionou títulos: a Copa Libertadores em 95, Campeonato
Gaúcho em 95 e 96, Campeonato Brasileiro e Recopa Sul-americana
em 96 e Copa do Brasil em 97.
Uma de suas maiores frustrações foi a perda
do título mundial no final de 95, quando o Grêmio,
que havia vencido a Libertadores derrotando o Atlético
Nacional, da Colômbia, na decisão, perdeu para
os holandeses do Ajax na disputa de pênaltis da partida
realizada em Tóquio. Na ocasião, Arce desperdiçou
uma das cobranças ( Dinho errou a outra) que custaram
a segunda taça da competição ao time
gaúcho.
No entanto, foi no Palmeiras que o lateral perdeu sua timidez
e passou sua melhor fase na carreira. Chegou ao clube paulista
em 1998 e, reencontrando-se com Felipão, ajudou na
conquista da Taça Libertadores em 99, título
mais importante da história do time alviverde, depois
de derrotar o Deportivo Cali na decisão. Novamente
em Tóquio, quatro anos depois Arce teve a chance de
se vingar dos europeus no Mundial Interclubes, mas o time
brasileiro perdeu a final para os ingleses do Manchester United.
Ganhou mais quatro títulos pelo Palmeiras: Copa do
Brasil e Mercosul em 98, e Rio-São Paulo e Copa dos
Campeões em 2000. Além disso, passou a fazer
muitos gols, grande parte em cobranças de pênaltis
e de faltas, que o levaram a ser observado por clubes estrangeiros,
interessados em sua contratação, o que o jogador
já afirmou ser uma de suas grandes vontades antes de
encerrar sua vitoriosa carreira.
Arce conseguiu cumprir o seu objetivo. Mas, antes, teve de
amargar uma de suas maiores frustrações no futebol.
Depois de proporcionar tantas glórias ao alviverde,
o lateral-direito fez parte do elenco palmeirense que escreveu
a página mais triste da história do clube: o
rebaixamento para a Segunda Divisão do Campeonato Brasileiro.
Em 2002, com uma campanha medíocre, o time do Parque
Antártica foi engolido pelos adversários durante
todo o torneio. Na última rodada, o jogador ainda fez
o último gol do clube na competição,
na derrota por 4 a 3 para o Vitória. O pênalti
bem cobrado pelo ala, entretanto, não foi capaz de
salvar o Palmeiras do pesadelo da Segundona.
No dia 20 de janeiro de 2003, ele anunciou a transferência
para o Gambá Osaka do Japão. Arce, portanto,
não pôde participar da campanha do time na série
B, em 2003, que devolveu o clube à Primeira Divisão.
Após um ano na Ásia sem bons resultados, o
atleta voltou ao Paraguai, desta vez para defender o Libertad,
atual campeão nacional, que disputa a Copa Libertadores
da América em 2004.
Seleção paraguaia - Foi na seleção
nacional, durante a Olimpíada de Barcelona em 92 que
Arce afirma ter passado por seu melhor momento. Jogando com
a camisa 16, o que se repetiria quase uma década depois
no Palmeiras, participou do sétimo lugar da seleção
guarani na competição.
Disputou também duas Copas do Mundo, em 1998 e 2002.
Na primeira ocasião, participou do time paraguaio que
surpreendeu em um grupo que contava com Espanha, Bulgária
e Nigéria, classificando-se às oitavas-de-final
e sendo eliminados pela anfitriã França na morte
súbita de um jogo dramático, gol do zagueiro
Blanc para a seleção européia, que se
tornaria campeã.
Quatro anos mais tarde, voltou à competição
mais importante do futebol mundial. Sem o mesmo brilho de
antes, o Paraguai sofreu para avançar à segunda
fase (eliminou os modestos Eslovênia e África
do Sul), e acabou derrotado, novamente nos minutos finais,
para a Alemanha, que perderia a decisão para o Brasil.
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