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UM CASO DE AMOR NO FLU
Por Paulo Favero
No ano passado ele foi campeão do torneio, vice-artilheiro
e ainda por cima fez dois importantes gols na semifinal. E
isso tudo aos 50 anos. Se o torcedor ainda não descobriu
de quem estamos falando, aí vai uma dica: é
um dos componentes do Casal 20. "O que mais sinto falta
é de jogar. No final do ano passado eu disputei um
campeonato interno das agências do Bradesco, para maiores
de 35 anos, e venci", conta o ex-atacante Assis, que
fez fama principalmente no Fluminense e chegou à Seleção
Brasileira. E mesmo longe dos gramados ele mostra que continua
vitorioso e matador. "Acho que encontraria espaço
no futebol de hoje, pois possuo a técnica, que é
um dom. A gente vê os atacantes perderem gols fáceis
que eu até lamento. Tem de estar bem preparado na parte
emocional", afirma, dando uma dica para os mais jovens.
Mas a experiência só vem com o tempo e Assis
sofreu bastante em seu início de carreira. Hoje em
dia é até fácil falar do passado, mas
só ele sabe o quanto sofreu. "No começo
foi complicado. Eu nasci na Vila Prudente (zona leste de São
Paulo) e jogava na várzea. Nunca tive um trabalho de
base. Fui para o Juventus, fiquei dois meses, mas fui dispensado.
Aquilo me desiludiu. Aí fui para a Portuguesa e aconteceu
a mesma coisa. Resolvi parar com o futebol", diz. Mas
o esporte parecia não querer sair de sua rotina. Ele
trabalhava de dia, estudava à noite e nos finais de
semana atuava nos campos de várzea em troca de cachê.
"Muitos times me procuravam e eu jogava por quatro equipes,
duas vezes no sábado e duas no domingo. O dinheiro
extra me permitia comer uma pizza na Mooca ou pagar um sorvete
para a namorada", explica.
E nestas andanças pelos terrenos esburacados que um
olheiro viu Assis jogando. Ele é grato ao rapaz, mas
guarda na memória apenas o primeiro nome: Luís.
"Ele mexia com mesa de sinuca e quis me levar para São
José (SP). Fiz um coletivo no clube e pediram para
eu ficar. Dormi no alojamento e acabei sendo contratado. Tinha
22 anos na época", conta Assis. E continua: "Comecei
tarde na carreira, nos contratempos da ilusão e desilusão.
Mas mesmo assim, minha ascensão foi boa". E no
São José ficou sem receber. Parou e voltou para
o antigo lar, a várzea. Mas pouco depois foi para a
Internacional de Limeira. Mas não era lá que
ele chegaria ao sucesso. "Minha carreira decolou na Francana.
Fui fazer um amistoso lá com a Inter-SP e eles me compraram",
diz. E continua: "Fui artilheiro da equipe e em 79 disputamos
a primeira divisão do Paulista. Fiz gol contra o São
Paulo, Palmeiras e chamei a atenção. O (Rubens)
Minelli pediu a minha contratação, mas quando
cheguei ele havia saído do clube e chegou no São
Paulo o Carlos Alberto Silva, que já me conhecia. Nesta
época já tinha uma certa experiência".
No Tricolor, ele realizou um sonho de seu pai. E se emociona
ao lembrar de que ele não pôde vê-lo realizado.
"Meu pai incentivou muito a minha carreira, ele era são-paulino
roxo. Mas quando tinha 18 anos ele faleceu. Só que
a força espiritual dele sempre esteve em mim",
acredita. E depois do time do Morumbi ele foi para o Internacional-RS
e, logo em seguida, para Curitiba, onde atuou no Atlético
Paranaense. E teve uma ótima fase, formando dupla com
Washington. "A gente se conheceu no Inter-RS, mas não
fizemos dupla. O Cláudio Duarte não quis aproveitá-lo,
acho que depois se arrependeu", afirma, rindo. Os dois
formaram o Casal 20 na década de 80, apelido dado devido
a um famoso seriado que era exibido na época. E como
ótimos parceiros, um completava o outro e os dois infernizavam
as defesas adversárias.
O sucesso passou a chamar a atenção de muitas
equipes brasileiras. "No Atlético-PR, chegamos
na semifinal do Brasileiro em 83. Vários clubes se
interessaram e o Fluminense fez uma boa proposta. Mas eles
só queriam o Washington, que era mais novo, só
que o presidente do clube disse que só venderia a dupla.
Fui de contrapeso, fiquei mal, mas não queria atrapalhar
a vida do Washington. Jurei para mim mesmo: vou provar meu
valor", relembra Assis. E ele conseguiu, dentro de campo,
calar todos os críticos. "Hoje sou ídolo
e respeitado por todos no Fluminense", gaba-se. Ele ainda
atuou três vezes na Seleção Brasileira
e fez gols importantíssimos. "Um fato que marcou
muito, que foi o início de eu me transformar em ídolo
nacional, foi o gol que fiz contra o favorito Flamengo, em
83. Marquei aos 45 minutos e 30 segundos da etapa final e
fomos campeões", explica, citando ainda um gol
que marcou no argentino Fillol, do Flamengo, no ano seguinte,
de cabeça.
Hoje em dia Assis brinca com bola com uma freqüência
bem menor que antes e também se distanciou do amigo
Washington. O Casal 20 se separou e cada um foi para um lado.
Às vezes, o destino os aproxima, mas depois disso voltampara
o seus cantos e tudo continua normalmente. "Eu perdi
um pouco o contato
com o Washington, mas às vezes conversamos por telefone.
Nos encontramos em churrascos e peladas em Curitiba. Depois
da gente, é muito difícil uma dupla marcar tanto
assim em um clube. O Atlético-PR teve o Paulo Rink
e o Oséas, mas eles ficaram pouco tempo juntos",
comenta. E Assis agora tenta a sorte
como técnico de futebol. "Trabalhei no Rio Branco
de Cariacica e no Vitória-ES como treinador. Estou
aguardando convites", diz. E para quem quiser contratá-lo,
ou para o torcedor que quiser rememorar os bons tempos deste
artilheiro, aqui vai o e-mail dele: assiscasal20@bol.com.br.
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