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Foto:Acervo/ Gazeta Press
Foto Gazeta Press

O libertador de uma nação

Por Bruno Chazan, especial para a GE Net

Ele não foi um personagem tão heróico quanto Símon Bolívar, libertador das Américas, mas conseguiu livrar uma nação de 20 milhões de um sofrimento que durou exatamente 22 anos, oito meses e uma semana. João Roberto Basílio, um mulato magro, alto, nascido na Casa Verde, bairro da Zona Norte de São Paulo, nasceu para cumprir uma missão na Terra: renovar o orgulho e a esperança de um povo. O predestinado, que atende pelo simples nome de Basílio, é figura mítica, intocável na memória da Fiel torcida corintiana.

Basílio nunca foi um craque de futebol. Embora regular, era incapaz de fazer jogadas geniais como seus contemporâneos Ademir da Guia, Rivellino e Pedro Rocha. Porém, compensava a falta de magia com a fibra e a sorte dos guerreiros. Sua carreira é, na maioria das vezes, resumida a um único dia, o 13 de outubro de 1977, quando recebeu dos céus a benção de marcar o gol que fez do Corinthians, o segundo time mais popular do país, novamente campeão. Muitas vezes reclamou desse rótulo de jogador de uma partida só, achando-se injustiçado. Mas no fundo ele sabe que, por esse feito, sua caricatura estará para sempre tatuada na pele alvinegra.

Atuou seis anos com a camisa alvinegra, pela qual conquistou dois títulos: os de campeão paulista de 1977 e 1979, sendo, o primeiro deles, sem dúvida, um marco em sua vida e na do clube. No entanto, uma operação de menisco atrapalhou sua vida no Parque São Jorge. Caiu de produção e foi emprestado ao Juventus em 1981, a contragosto. Queria o passe livre como homenagem aos serviços prestados, mas acabou sendo ignorado. No ano seguinte, jogou pelo Nacional, e em 1984, pelo Taubaté, onde encerrou a carreira.

Voltou a trabalhar no Timão ainda em 1984, quando foi técnico dos juvenis. Dirigiu também os profissionais em quatro oportunidades, em 85, 87, 8/90 e 92, somando 116 jogos à frente do banco de reservas.

Publicação: 03/11/2003
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