| Foto: Acervo / Gazeta Press |
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| Em pé: Zé
Maria, Tobias, Moisés, Ruço, Ademir e Wladimir.
Agachados: Vaguinho, Basílio, Geraldão,
Luciano e Romeu. |
1977 - O ano da salvação
O Corinthians classificou-se para
as finais do Campeonato Paulista de 1977 da maneira como seu
torcedor mais gosta: suada, sofrida. A campanha irregular
na fase de classificação teve um divisor de
águas: a derrota para o Guarani, no dia 21 de setembro.
O revés de 1 a 0 no Pacaembu lotado por 40 mil pessoas
obrigou o time a vencer todos os jogos restantes: contra o
perigoso Botafogo, em Ribeirão Preto, e dois clássicos
diante de Portuguesa e São Paulo. Reza a lenda que,
nos vestiários, o técnico Oswaldo Brandão
lavou as mãos e disse a seus jogadores: "Agora
é com vocês". Pois bem, os atletas assimilaram
o recado e venceram os três jogos, levando a equipe
às finais contra a temida Ponte Preta.
Temida porque a Macaca contava com o melhor time de sua história,
com jogadores selecionáveis como o goleiro Carlos,
o zagueiro Oscar e o meia Dicá. Tecnicamente, muito
superior ao Corinthians, que encarnava a velha mística
da raça para superar seus adversários. No primeiro
jogo das finais, uma quarta-feira à noite, deu Timão
1 a 0, gol de rosto de Palhinha - comprovando a teoria da
"vontade acima da técnica. No segundo, em que
um empate daria o tão sonhado caneco aos corintianos,
a Fiel simplesmente invadiu o Morumbi e 138 mil torcedores
espremeram-se nos concretos do estádio. Dizem os filósofos
que a vitória da Ponte, de virada, por 2 a 1, foi um
bem para a paz na cidade, já que a Polícia Militar
não teria como conter os excessos de uma eventual conquista
corintiana naquele domingo.
O Dia "B" - B de Basílio
O terceiro jogo final foi disputado na quinta-feira, dia
13 de outubro. Porém, a história desse confronto
merece ser contada desde sua véspera. Basílio
estava preparando-se para dormir, quando, entra em seu quarto,
Oswaldo Brandão. Fato normal, já que o treinador,
considerado um "paizão", tinha o hábito
de levar longos bate-papos com os jogadores nas concentrações.
No entanto, Brandão tinha um recado especial para dar
ao seu camisa oito. "Durma bem, negão, porque
você vai fazer o gol do título".
Basílio nem deve ter se lembrado das palavras do seu
treinador enquanto o ônibus corintiano se dirigia ao
Cícero Pompeu de Toledo. Afinal, a aglomeração
e a gritaria dos torcedores ao redor era tão grande
que o único pensamento dos jogadores era manter a concentração
para o duelo decisivo.
Precisamente às 21h11, o time mosqueteiro aparecia
no túnel, capitaneado pelo lateral-direito Zé
Maria. Depois da tradicional reza, ele entra em campo, debaixo
de um bombardeio de fogos jamais visto na época. A
maioria tenta evitar as entrevistas, mas o assédio
dos repórteres é tão grande que quase
todos páram para falar.
Começa o jogo, e o que se vê é uma partida
truncada, mas equilibrada. Aos 16 minutos, um lance que deixaria
dúvidas por anos: o atacante ponte-pretano Rui Rei
é expulso por reclamação pelo juiz Dulcídio
Wanderley Boschilla.
Mesmo com um a mais, o Corinthians esbarra na forte marcação
adversária, comandada por Oscar. Passam-se os minutos,
e o tão sonhado gol não sai. A torcida, com
o grito preso na garganta, começa a se lembrar de 1974,
quando na decisão daquele ano o Palmeiras tirou o sonho
do fim do jejum. No entanto, aos 35 minutos, uma falta na
ponta direita deu um novo alento à multidão.
O lance que se viu a seguir foi digno de um suspense de Hitchcok.
Zé Maria alçou a bola na área, Wladimir
raspou de cabeça e a bola sobrou para Vaguinho, que,
de canhota, mandou uma bomba no travessão. No rebote,
Wladimir cabeceou mais uma vez, mas no corpo de Oscar, que
impediu o gol. No segundo rebote, ..... é melhor deixar
o próprio personagem contar...
"Quando vi a bola pulando e se oferecendo para meu pé
direito, pensei rápido 'É agora ou nunca. Vou
entrar rasgando, que ele não (Carlos) não pega'.
Vi a bola estufando e foi uma loucura. Até hoje ainda
sinto a bola tocar no meu pé. Jamais vou esquecer aquele
dia".
A partir daí, começaram as comemorações
pela cidade. Foi só o juiz terminar o jogo para que
torcedores - alguns deles presentes no estádio desde
o meio-dia - invadirem o campo e atravessá-lo de joelhos.
Outros penduraram-se nas traves, arrancando pedaços
da rede. Houve alguns mais exaltados que comeram a grama.
Um exagero digno de uma nação chamada Corinthians
enfim liberta de seu castigo.
Estava cumprida a profecia que o mesmo Basílio havia
anunciado dias após desembarcar no clube, e que foi
endossada pelo saudoso Brandão na véspera do
jogo. O 13 de outubro não é um feriado paulistano,
muito menos nacional. Mas que a Fiel trabalha neste dia com
um carinho especial no peito, isso não há duvida.
| Ficha Técnica |
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Corinthians 1 x 0 Ponte Preta
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Corinthians:
Tobias; Zé Maria, Moisés, Ademir e Wladimir;
Ruço, Luciano e Basílio; Vaguinho, Geraldão
e Romeu. Técnico: Oswaldo Brandão. |
Ponte
Preta: Carlos; Jair, Oscar, Polozzi e Angelo; Marco
Aurélio, Dicá e Vanderlei; Lúcio,
Rui Rei e Tuta. Técnico: Zé Duarte. |
Data: 13/10/1977. Local: Morumbi,
São Paulo. Público: 86.677. Juiz:
Dulcídio Vanderley Boschilla.
Gol: Basílio, aos 37 minutos do segundo tempo.
Cartões vermelhos: Rui Rei, Oscar e Geraldão. |
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