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Na Marginal, mais à frente, novos desafios

Foto: Acervo / Gazeta Press
Foto Gazeta Press

Basílio identificou-se logo de cara com a massa corintiana. Sabia do sofrimento dos 22 anos de decepções e empenhou-se desde a primeira semana para acabar com a sede de títulos e com a sombra do ídolo Rivellino, que um mês antes fora negociado com o Fluminense. Chegou ao clube numa quarta-feira, e no dia seguinte já se colocou à disposição do técnico Silvio Pirillo para um amistoso, ironicamente contra o Fluminense, com Riva e companhia. Basílio subiu ao gramado do Pacaembu com a camisa 10 nas costas e nem deve ter reparado numa faixa colocada nas grades do estádio que dizia "A Fiel já esqueceu o Ruinzinho do Parque", se referindo ao ex-reizinho Rivellino. Pois bem, o Flu ganhou por 2 a 1 - com um gol marcado por Riva - , mas ali a Fiel já foi apresentada ao seu novo herói.

Duas semanas após essa partida, Basílio concedeu uma entrevista ao jornalista João Bosco, de A Gazeta Esportiva, que, na época, soou como mais uma vã promessa dos novos contratados do Timão para fazer média com a torcida. Mas, dois anos e meio depois, suas palavras ganharam um tom místico, profético, digno de quem realmente possui a luz dos predestinados. Confira um trecho desse prelúdio:

"Confesso que minha luta na Portuguesa sempre foi obter um título e acabar com essa história de tabu (a Lusa não era campeã desde 1936). O dia em que fomos campeões paulistas, senti-me realizado. Agora vim para cá na mesma situação. Tenho certeza de que nossa luta não será inglória. Vamos acabar com esse negócio de fila. (...) Tenham certeza, torcedores corintianos, de que vamos lutar por isso. Será minha gratidão pela maneira com que fui recebido aqui. Quero ser campeão".

E a profecia de Basílio quase se concretizou no ano seguinte: quando o Corinthians sagrou-se vice-campeão brasileiro, perdendo o título para o Internacional. Naquele certame, houve um fato histórico que demonstrava que tudo estava pronto para os novos tempos. Uma massa de 70 mil fiéis invadiu o Rio de Janeiro para dividir o Maracanã com os torcedores do Fluminense nas semifinais. Era o início da virada. E o dia da salvação estava cada vez mais próximo.

Publicação: 03/11/2003
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