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Desde os tempos em que jogava pelo Flamengo e Vasco, Bebeto
já era muito assediado por clubes europeus. O Bayern pretendia
levá-lo em 1989, pagando por isso US$ 2 milhões, um
valor estratosférico na época. Mas o próprio jogador preferiu
ficar no time da Gávea. Especulações não faltaram. Roma, Olympique
de Marselha, Juventus e outros times seriam os prováveis destinos
do jogador. Nenhum deles, no entanto, foi confirmado.
Após a Copa de 90, ele decidiu que era hora de fazer sua carreira
internacional. Em 1992, veio a primeira transferência. O destino
seria o Deportivo. Quem? La Coruña é uma cidade pequena da
Galícia, região bastante visitada na Espanha. Bebeto, que
por muitas vezes recusou ofertas de clubes da Bélgica e da
Itália por achar que eles eram pequenos, transferiu-se para
um lugar cuja equipe local não tinha nenhum título em seus
88 anos de história. No começo, ninguém entendeu o motivo,
mas o tempo mostraria que ele estava certo.
Nas primeiras temporadas, o ex-vascaíno passou por uma adaptação.
O grande "boom" veio quando o Deportivo disputou o título
em 1993/1994. A equipe estava tinindo. Parecia uma orquestra
regida por vários maestros. Barcelona, Real Madrid e Atlético
de Madri enxergaram uma nova potência no futebol espanhol
e começaram a se preocupar com aquele petulante time que ousava
ameaçar seus domínios. Com 29 gols, Bebeto bateu o recorde
de gols de um artilheiro do Deportivo e levou o time a conquistar
seu primeiro título (Copa da Espanha). Para que a temporada
fosse perfeita, só faltava o tão esperado título do Campeonato
Espanhol.
Na partida final, contra o Barceloona, o Deportivo precisava
vencer. Teve a chance, na cobrança de um pênalti,
mas acabou desperdiçando. O Barcelona, de Romários,
se aproveitou do descuido e venceu o jogo, garantindo mais
um título. O irônico era que Bebeto era cobrador
oficial do time, mas, naquele dia, resolveu não fazê-lo. Foi
a maior perda da história do clube. Mesmo assim, o brasileiro
virou líder supremo na Galícia e ídolo espanhol.
Na melhor fase de sua carreira internacional, Bebeto recusou
uma proposta milionária do Yomiuri Verdy, do Japão. Quando
a J-League ainda era algo rentável na terra do sol nascente,
o clube ofereceu US$ 7,5 milhões por três anos, casa paga,
dois carros na garagem, dois meses de férias por ano e mais
20 passagens a cada 12 meses para o Brasil. No último jogo
que realizou pelo Deportivo, ele marcou dois gols. A festa
era tão grande que o juiz não o advertiu quando saiu em direção
à torcida e jogou sua camisa aos fanáticos. Algumas faixas
diziam "Deus=Bebeto". Aclamado ao sair do Riazor, estádio
de La Coruña, Bebeto nunca mais seria o mesmo.
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