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Assim como em todos os clubes por onde passou, Bebeto teve
destaque também na seleção brasileira. Não há como negar que
sua porta de entrada para o sucesso e a divulgação de seu
futebol foi a conquista do Campeonato Mundial Juvenil, em
1983. Na Copa de 86, no México, quando já atuava pelo Flamengo,
o baiano viu seu ídolo e amigo Zico perder um pênalti contra
a França e tirar o Brasil da competição. Um choque não só
para ele, mas para todos os brasileiros em geral. Nos anos
seguintes, quando Evaristo de Macedo era o treinador, Bebeto
foi convocado. Nunca escondeu de ninguém sua felicidade por
estar ao lado de mestres, como o próprio Zico e Sócrates,
que o ensinou muito.
Um ano marcante na carreira de seleção brasileira foi, sem
dúvida, 1989. Ano de Copa América no Brasil. Ano de golaço
no Maracanã. Ano de Bebeto e Romário. Um show. O Brasil foi
campeão do torneio sul-americano em cima do Uruguai. Mas quem
não lembra do golaço de voleio contra a Argentina.
De quem? Bebeto no ângulo. A conquista animou os brasileiros.
Afinal, dentro de um ano aconteceria o que todos esperam quatro
anos para acontecer: a Copa do Mundo.
Naquele ano, o torneio seria disputado na Itália. O time
comandado por Sebastião Lazaroni estava confiante. Composto
por Muller, Taffarel, Mozer, Dunga, Careca, Branco e outros,
a seleção era considerada por muitos críticos internacionais
como uma das mais fracas de todos os tempos já montada no
Brasil. Mas isso não assustava os brasileiros, muito menos
Lazaroni, que sempre demonstrou uma personalidade controladora.
No final, ou melhor, nas oitavas-de-final, todos sabem o que
aconteceu. A Argentina, de los mui amigos Maradona, Goycoechea,
Ruggeri e companhia, venceu por 1 a 0 no final do segundo
tempo, gol do carrasco Canniggia. Após reflexão, Bebeto pensou
em parar. Sua mágoa com Sebastião Lazaroni era pública e a
decepção, sem dúvida e obviamente, era grande. Ele e muitos
outros, como Dunga, Ricardo Rocha e Branco, tiveram que se
calar, ouvindo e aceitando todas as críticas. A vingança viria
quatro anos depois, em forma de título e comemoração.
O período de 1990 a 1994 foi negro na história da seleção
brasileira. Eliminação precoce de Copas Américas, maus resultados
e campanha difícil nas Eliminatórias. No meio disso tudo,
ainda havia esperança de uma boa participação na Copa de 94.
Muita pressão e treinamento pesado cercavam a seleção. Carlos
Alberto Parreira era o nome mais comentado, ao lado de Romário,
no país inteiro. No começo, tudo normal. Vitória sobre a Rússia
por 2 a 0. Ainda desconfiados, os brasileiros viram as vitórias
sobre Camarões (3 a 0) e o empate com a Suécia (1 a 1).
Na segunda fase, o desafio mais difícil até então. Com um
gol de Bebeto, o Brasil passou sufoco, mas seguiu em frente
após a vitória sobre os Estados Unidos, donos da casa no dia
da independência deles. Passando por todos os adversários,
Bebeto e companhia chegaram à final. Com tudo que tinha direito
- 0 a 0 no tempo normal, prorrogação com morte súbita e decisão
nos pênaltis - o Brasil sagrou-se campeão, tetracampeão mundial.
A festa, lógico, foi grande. A única contradição foi uma frase
de Bebeto logo após a conquista. "Depois do tetra, talvez
eu pare. A certeza é que não vou ser pentacampeão. Tetra está
bom", tornou-se uma sábia afirmação.
As Olimpíadas de 1996 foram um divisor de águas na vida
dos brasileiros. Como em Seul, 1988, a seleção brasileira
esteve perto do ouro, mas deixou escapar. Na Coréia, a seleção
da qual Bebeto fez parte conseguiu uma heróica medalha de
prata, perdendo para a União Soviética na final. Romário,
seu parceiro inseparável, também estava lá. Em Atlanta, 1996,
Bebeto foi convocado novamente. O fracasso nas semifinais
contra a Nigéria desgastou mais uma vez a imagem do bom baiano.
Mas ele teria mais uma chance de provar seu valor dois anos
depois do fatídico 4 a 3 das Olimpíadas. Com o corte de Romário
poucos dias antes da estréia contra a Escócia, Bebeto tinha
a certeza de que seria o titular, mesmo com Edmundo no time.
As trancos e barrancos, o time de Mario Jorge Lobo Zagallo
passou pelos escoceses (2 a 1), Marrocos (3 a 0), perdeu da
Noruega (1 a 2), goleou o Chile (4 a 1), dobrou Dinamarca
(3 a 2) e Holanda (vitória nos pênaltis). o Brasil estava
nas finais. Do início até o fim, Bebeto era criticado por
não fazer gols e até mesmo sua qualidade técnica estava sendo
discutida. Uma discussão com Dunga, quando a equipe quase
entrega o jogo para os dinamarqueses, mexeu com a cabeça dos
brasileiros. Algo estava errado.
Na final contra a França, o Brasil e o mundo viram algo
muito estranho. Apatia, abatimento e olhares medrosos estavam
estampados nas caras dos jogadores. Ninguém soube explicar
o que aconteceu. Mas já se sabia uma coisa. Aquela deveria
ser a última partida de Bebeto em sua vitoriosa carreira na
seleção.
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