| Foto: Dylan Martinez/Reuters |
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Craque da bola e do marketing
É difícil encontrar
uma definição para o meia inglês David
Beckham. Dentro das quatro linhas ele pode ser considerado
um craque. Mas também sabe usar sua imagem em benefício
próprio e, muitas vezes, suas notícias saem
das páginas esportivas para as de fofoca e para as
colunas sociais. Mas Beckham parece não se importar.
Ou melhor, sabe que isso só ajuda em sua carreira e
na renovação de contratos de patrocínio.
Mas nem sempre foi assim.
Há pouco mais de quatro anos, ele era considerado
um jogador Temperamental. Na Copa de 98, na França,
a Inglaterra enfrentava a Argentina e ele caiu na provocação
de Diego Simeone. Acabou sendo expulso, prejudicou sua seleção
e foi considerado culpado pela eliminação do
time. Também no Mundial de Clubes da Fifa, recebeu
o vermelho no jogo contra o Necaxa, do México, e não
jogou mais no torneio. Isso tudo sem falar do conflito com
o treinador de seu Manchester United, sir Alex Ferguson.
Mas Beckham sempre mostrou uma capacidade de superar os problemas
e de dar a volta por cima. Com a camisa do Manchester, apagou
o vexame na Copa de 98 e, um ano depois, levou o clube à
conquista do Campeonato Inglês, da Copa da Inglaterra,
da Copa dos Campeões da Europa e do Mundial Interclubes.
Virou herói nacional. "Realmente as coisas mudaram
nos últimos anos. Estou feliz pela forma como tudo
está caminhando", afirma. E foi na Copa de 2002,
na Coréia do Sul e no Japão, que mostrou seu
valor.
Mas ele viveu um drama antes do Mundial. Contundiu-se na
partida contra o La Coruña, na semifinal da Copa dos
Campeões da Europa, depois de uma entrada desleal do
argentino Duscher. Foi uma fratura no pé direito e
ele correu o risco de não participar da competição.
Mas lutou, se recuperou e pôde enfrentar a Argentina,
na partida mais esperada da primeira fase da Copa. E desta
vez não caiu na catimba dos sul-americanos e deu a
vitória por 1 a 0 para a Inglaterra, marcando em cobrança
de pênalti.
Além das conquistas dentro de campo, ele também
é notícia fora. Casou com Victoria Adams, ex-membro
do grupo pop Spice Girls. Teve o filho Brooklyn e costuma
caprichar no visual para chamar a atenção. Já
usou franja longa e cortou o cabelo quase careca. E foi na
última Copa que lançou mais uma moda, com um
cabelo moicano. E nas pontas, no alto da cabeça, tonalidades
mais claras davam um toque final no visual. Muitos torcedores
passaram a fazer este tipo de corte, que virou uma marca dos
jogadores guerreiros no Mundial.
Tudo isso ajuda a melhorar sua imagem. O antes garoto-problema
é hoje um "sex symbol" e um exemplo para
os torcedores. Tanto que acha que é por isso que é
o capitão do Manchester. "Eu sou mais um modelo
do que um falador. Não sou um Terry Butcher, um Roy
Keane ou um Bryan Robson, que foram grandes capitães.
Eu sou diferente. Não fico gritando, não falo
nos vestiários, mas apenas trabalho duro no campo e
as pessoas vêem isso mais do que tudo", explica.
E quando a bola está rolando, faz o que mais sabe:
passes e assistências com perfeição, além
de ser considerado um dos melhores cobradores de falta do
mundo. Foi num chute perfeito que ele classificou a Inglaterra
para a Copa 2002, nos descontos do segundo tempo da partida
contra a Grécia, pelas eliminatórias. O auge
do reconhecimento foi ele ter sido eleito o segundo melhor
jogador do mundo em 99, pela Fifa, perdendo para o brasileiro
Rivaldo. Mas ele avisa que quer mais.
A estrela mais notória da constelação
madrilena - Após a Copa do Mundo de 2002, Beckham
continuou brilhando com a camisa dos Diabos Vermelhos. Entretanto,
o destino reservaria ao craque um futuro muito mais notório.
Em junho de 2003, o Real Madrid desembolsou US$ 41,3 milhões
(aproximadamente R$ 120 milhões) para ter o jogador.
Inicialmente, a maior dúvida levantada pelos críticos
se referia à impossibilidade de encaixar o atleta no
meio de tantas estrelas. Entre Ronaldo, Raúl, Zidade
e Figo, quem sairia do time? Ninguém. O téncico
português Carlos Queirós conseguiu armar a equipe
com todos os astros. Se Beckham não é o melhor
deles no gramado, é quem mais coloca em evidência
a área de marketing do clube, junto com Ronaldo. A
equipe se encaminha para o bicampeonato espanhol e está
na disputa pelo caneco da Copa dos Campeões da Uefa.
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