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Foto: Acervo/Gazeta Press

Bellini, o eterno Capitão

Por Rafael Ribeiro, especial para a GE.net

São poucas as pessoas no mundo que podem se orgulhar de ter criado algo, um produto, uma fórmula, um objeto e, até mesmo, um gesto. Assim como surgiu o cumprimentar de mãos, o abraço, o beijo no rosto, Hideraldo Luís Bellini pode se orgulhar de ter feito pela primeira vez um movimento que alegra dos mais jovens aos mais idosos, do mais rico para o mais pobre. Graças a ele, foi criado um dos gestos mais significativos do futebol e, até mesmo, dos outros esportes: o levantar da taça de campeão.

Zagueiro de vigor físico superior à qualidade técnica, Bellini conta que o gesto que acabou imortalizado em uma estátua de tamanho real na entrada do Maracanã, o maior estádio do mundo, e passou a ser imitado por todos os capitães do mundo, nasceu por acaso. Na verdade, o eterno Capitão ficou preocupado com os fotógrafos, que queriam a todo custo registrar o primeiro título mundial brasileiro.

"Não pensei em erguer a taça, na verdade não sabia o que fazer com ela quando a recebi do Rei Gustavo, da Suécia. Na cerimônia de entrega da Jules Rimet, a confusão era grande, havia muitos fotógrafos procurando uma melhor posição. Foi então que alguns deles, os mais baixinhos, começaram a gritar: "Bellini, levanta a taça, levanta Bellini!", já que não estavam conseguindo fotografar. Foi quando eu a ergui", conta Bellini, rindo ao se recordar do histórico momento.

Bellini foi convocado após agradar o técnico Vicente Feola durante as Eliminatórias, em 1957. O zagueiro ganhou a tarja de capitão já na reta final de preparação para a Copa do Mundo, após ser elogiado publicamente pelo Marechal da Vitória, Paulo Machado de Carvalho. Durante o Mundial da Suécia, demonstrou muita seriedade e um estilo de jogo acima da média para os beques da época. O título e o gesto de levantar a taça Jules Rimet só coroam o excelente campeonato realizado.

"Foi sensacional ir à Suécia em 58, ainda garoto. Ser convocado já era um prêmio. Ser titular e capitão da seleção então, nem era bom pensar. Foi uma caminhada árdua, mas a conquista do título foi qualquer coisa de fantástico. Com a taça em cima da cabeça, vi o mundo todo aos meus pés. Sabia que o Brasil todo estava conquistando pela primeira vez o mundial e que aquela taça que eu segurava, seria nossa pelo menos por quatro anos e que todos haveriam de nos respeitar", completou Bellini.

Além de 58, Bellini ainda disputou as Copas de 62 e 66, ambas na reserva. No Chile, amargou a reserva de Mauro Ramos, em melhor fase no Santos e seu amigo pessoal dos tempos de Sãojoanense. Já na Inglaterra acabou prejudicado pela péssima organização feita pela CBD, que convocou 44 jogadores e divulgou a lista de cortes às vésperas do início do campeonato.

Foram 57 jogos com a camisa verde-e-amarela, com 42 vitórias, 11 empates e apenas quatro derrotas. Bellini faturou, além do bicampeonato mundial, a Copa Roca, em 1957 e 1960, a Taça Oswaldo Cruz, em 1958, 1961 e 1962, a Taça Bernardo O'Higgins, em 1959, e a Taça do Atlântico, em 1960.

Publicação: 15/07/2005
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