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Foto: Acervo/Gazeta Press

Cruz de Malta

A trajetória de Bellini no Vasco da Gama pode ser considerada cinematográfica. Ali, o Capitão permaneceu por dez anos, conquistando três títulos cariocas, em 1952, 1956 e 1958, formando na equipe apelidada de "Expresso da Vitória", pelo alto número de conquistas na década de 40, principalmente.

O jovem Hideraldo chegou confuso a então Capital Federal. Sem saber quanto os dirigentes vascaínos haviam pagado pelo seu passe, assustou-se ao verificar o primeiro salário recebido, um valor extremamente superior ao que ganhava no Sãojoanense.

Sem um currículo recheado, a primeira temporada acabou servindo de teste para o jovem zagueiro. Flávio Costa e Oto Glória, técnicos da equipe em 1951, o deixaram na equipe de aspirantes naquela temporada para adquirir mais experiência e até obterem uma melhor avaliação do desconhecido atleta. Aprovado, Bellini passou a integrar o elenco principal vascaíno em sua segunda temporada no Rio de Janeiro.

No ano em que o "Expresso da Vitória" conquistaria o seu último título com a formação quase sem mudanças, Bellini brigou pela posição de quarto-zagueiro com Haroldo, outro estreante na Colina. Oto Glória achava que o interiorano rapaz jogava melhor naquela posição e por isso o futuro capitão agüentou firme a reserva, em boa parte da vitoriosa campanha.

Apenas com a chegada de Gentil Cardoso, no final de agosto, Bellini foi garantindo o seu espaço em São Januário. Deixou Haroldo no banco em algumas partidas, mas logo o novo treinador comprovaria que o capitão atuava melhor como zagueiro central, tornando inútil a briga de posição com o outro novato.

Cardoso não teve tempo de colocar em prática o seu esquema, pois após o título de 1952, acabou devolvendo o lugar a Flávio Costa. Agora mais familiarizado com o futebol de Bellini, Costa elogiou a evolução do rapaz de Itapira, dando-lhe o posto de titular em 1953, que ocuparia por mais nove temporadas, até o bi-mundial no Chile, em 1962.

Vestindo a camisa 3 vascaína, Bellini virou ídolo da torcida pela seriedade que exibia em campo. Mesmo sem contar com grande qualidade técnica, esbanjava disposição física, garra e dava segurança ao restante do elenco, o que arrancava suspiros do técnico Flávio Costa. Diante de tantos atributos, não lhe restou alternativa a não ser entregar ao zagueiro a tarja de capitão.

Com a saída de Flávio Costa para a seleção brasileira, em 1956, restou a Bellini o fardo de conduzir o Vasco à retomada de títulos do "Expresso da Vitória". Ao lado de Orlando, formando aquela que muitos consideravam a melhor zaga do futebol brasileiro, o líder do elenco exigia seriedade de seus comandados, sendo o porta-voz de Martim Francisco dentro das quatro linhas. O resultado não poderia ser outro: a conquista do Campeonato carioca daquela temporada.

Como principal combustível do título, Bellini foi premiado com o reconhecimento de seu antigo treinador, que o convocou pela primeira vez para a seleção brasileira em 1957, nas Eliminatórias para a Copa da Suécia, mas precisamente no dia 13 de abril, no empate em 1 a 1 com o Peru, em Lima.

Ainda em 58, acabou faturando o Carioca, repetindo o gesto realizado na Suécia, erguendo pela primeira vez uma taça aqui no Brasil. Sempre ao lado de Orlando, seu fiel companheiro de defesa por longas seis temporadas, faturou também o Torneio Rio-São Paulo, comprovando a superioridade cruzmaltina.

A trajetória de Bellini em São Januário foi brilhante, mas ainda era pouco para o campeão mundial. Apesar de perder espaço na seleção brasileira com a saída de Vicente Feola, ainda era gabaritado no mercado. Foi ao Chile como reserva do amigo Mauro Ramos, que acabou repetindo o seu célebre gesto, homenageando-o.

A amizade entre os dois e o desgaste natural do Capitão no Rio de Janeiro culminaram em uma negociação badalada na época. Mesmo com o Morumbi em construção, o São Paulo arranjou verba para formar sua zaga com os dois capitães campeões e trouxe, após a Copa, Bellini para a Terra da Garoa.

Publicação: 15/07/2005
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