| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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Branco: antes e depois do
tetra
Por Fábio Matos, especial
para a GE.Net
A carreira do lateral esquerdo Branco pode ser dividida
em dois momentos muito nítidos: antes e depois da conquista
do tetracampeonato mundial com a seleção brasileira,
nos Estados Unidos, em 1994. Mais precisamente, antes e depois
do dia 9 de julho de 1994, quando um petardo disparado pelo
pé esquerdo do jogador estufou as redes do goleiro
holandês De Goey e decretou a vitória do Brasil
por 3 a 2, a classificação às semifinais
do Mundial, a arrancada final para o tetra e, acima de tudo,
a recuperação completa de Branco.
Antes de comemorar o título mundial e, sobretudo,
de dar a vitória ao Brasil contra a Holanda, Branco
era um dos mais criticados símbolos de uma geração
considerada perdedora - havia participado das Copas de 1986,
no México, e 1990, na Itália, sem levantar o
caneco. Além disso, quando chegou aos EUA para disputar
o Mundial, o lateral não estava no auge da forma física
e ainda tinha de conviver com os pedidos da imprensa para
que o então palmeirense Roberto Carlos virasse o dono
da camisa seis.
O estopim da revolta de Branco com os jornalistas veio pouco
antes do início do Mundial, a partir de uma manchete
de A Gazeta Esportiva, "Renuncie, Branco", que fez
com que o jogador deixasse de falar com a imprensa. Na época,
a decisão foi apoiada pelo técnico da seleção,
Carlos Alberto Parreira. "A reação natural
dele foi não falar mais. É preciso respeitar",
comentou o treinador, enquanto Branco se restringiu a dizer
que não era "presidente para renunciar a nada".
Em meio às críticas ao jogador, o destino quis
que Branco tivesse papel fundamental no tetra. Com a expulsão
do então titular Leonardo nas oitavas-de-final, contra
os Estados Unidos, o experiente lateral ganhou a chance de
começar jogando diante da Holanda nas quartas, encarregado
de marcar o habilidoso Overmars, considerado o ponta mais
rápido do mundo.
O jogo estava empatado por 2 a 2 e muito difícil,
quando, aos 35 minutos da etapa final, a malícia de
Branco fez com que o brasileiro cavasse uma falta frontal
à área, embora um pouco distante da meia-lua.
Ele mesmo cobrou e, aos 36, fez o gol da vitória e
da classificação, um verdadeiro desabafo. Na
decisão contra a Itália, ainda converteu uma
das cobranças na decisão por pênaltis
e saiu consagrado com o título.
Dois dias depois do gol diante da Holanda, em 11 de julho
de 1994, A Gazeta Esportiva fez um editorial louvando
a atuação de Branco, embora as críticas
à falta de uma boa condição física
do jogador permanecessem. "Por esse gol, pela vitória
da seleção brasileira que a leva a estar entre
as quatro melhores do mundo, algo que não acontecia
desde 1978, bendito seja o gol 'cala a boca' de Branco. Esperamos,
de todo coração, que ele continue a nos calar",
dizia o texto. O lateral, por sua vez, não escondeu
a emoção. "Chutei com toda a força
que pude e marquei o gol mais importante da minha vida",
disse.
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