| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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Do Fleixeiras à Copa
do Mundo
Por Fábio Matos, especial
para a GE.Net
A trajetória de Hércules Brito Ruas no futebol,
que duraria bem mais e seria muito mais relevante do que ele
próprio esperava, começou em 1955. O garoto
Brito, que atuava tanto na zaga como no meio-campo, foi "descoberto"
no Fleixeiras, mesmo time pelo qual o maior lateral esquerdo
brasileiro da história, Nilton Santos, começou
a carreira.
O começo foi meio ao acaso: um funcionário
da Aeronáutica fanático pelo Vasco, Válter,
gostou do futebol de Brito e teve a idéia de apresentá-lo
ao seu clube de coração. Em São Januário,
o garoto seria aprovado como zagueiro e daria seus primeiros
passos como profissional. Mal podia imaginar Válter,
muito menos o próprio Brito, que seriam duas passagens
e 13 anos vestindo a camisa cruzmaltina - a primeira delas,
entre 1955 e 58, e a segunda, entre 1959 e 69.
O bom futebol apresentado no Vasco e os títulos estaduais
de 1956 e 58 fizeram despertar o interesse de outros grandes
pelo futebol de Brito. A transferência para o Internacional,
em 1958, aos 20 anos, deu a Brito mais bagagem nacional e
a possibilidade de amadurecer.
Sem conquistar nenhum título no Rio Grande do Sul,
Brito retornou ao Vasco no ano seguinte, em 1959, já
com a credencial de ter atuado por dois grandes clubes e diante
de duas das maiores torcidas do futebol brasileiro. Aos 21
anos, o jovem zagueiro era considerado experiente e confiável
- tinha, portanto, algo "especial", sobretudo para
um jovem jogador. O estilo sério seria mantido por
toda a carreira, marcada pela dedicação que
se sobrepunha à falta de técnica apurada.
Brito conquistou os torcedores vascaínos numa época
de 'vacas magras' do clube de São Januário.
Entre 1959 e 69, período em que o zagueiro se firmou
como um dos principais ídolos do Vasco e um dos atletas
que mais se identificavam com as tradições cruzmaltinas,
o time não conquistou um único campeonato estadual
- foram quatro do Botafogo, três do Fluminense, dois
do Flamengo e até um do América. As duas taças
obtidas ainda no começo da carreira no Vasco ficaram
cada vez mais distantes, no passado, e o desgaste natural
no clube não tardou. Em 1969, o zagueiro trocou São
Januário pela Gávea. Em 70, único ano
em que atuou como titular do Flamengo, o Vasco foi campeão
carioca. Coincidências negativas à parte, acreditem:
aquele ano ainda seria o melhor da vida de Brito.
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