| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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1970: a 'tríplice coroa'
de Brito
A transferência do Vasco
para o rival Flamengo foi vista com desconfiança pelos
torcedores de ambas as equipes. A rixa entre os dois clubes
sugeria que Brito não seria bem recebido na Gávea,
ao mesmo tempo em que poderia ficar marcado como "traidor"
após dez anos em São Januário. A conquista
estadual do Vasco, sem Brito, em 1970, era mais um forte indício
de que a temporada não seria das mais favoráveis
ao já experiente zagueiro de 32 anos. Indício
que não se confirmou.
Brito começou a ser sistematicamente convocado por
João Saldanha para as partidas do Brasil nas Eliminatórias
para o Mundial do México. Na reserva, o jogador era
considerado "azarão" para ficar com uma das
vagas entre as chamadas "Feras de Saldanha". Mas
ficou. Mesmo com a saída do então treinador
da seleção, Brito ganhou um voto de confiança
do sucessor de Saldanha, Zagallo, e se tornou titular da zaga
brasileira na Copa. E mais: não foram poucas as vezes
em que o comandante brasileiro se referia ao zagueiro como
o mais bem preparado da posição no país.
| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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| Brasil tricampeã em 1970, em pé: Carlos
Alberto Torres, Félix, Piazza, Brito, Clodoaldo
e Everaldo; agachados: Jairzinho, Gerson, Tostão,
Pelé e Rivelino |
Resultado: além do tri, o ex-garoto do Fleixeiras
foi escolhido o atleta de melhor preparo físico do
Mundial - indicado por uma comissão formada por especialistas
em medicina esportiva em todo o mundo - e até recebeu,
do general Emílio Garrastazu Médici, um dos
pilares da ditadura militar, o título de Comendador.
Ganhou também o apelido de "zagueiro saúde".
Justíssimo, diga-se.
Em 1971, deixou o Flamengo após uma briga com o técnico
Yustrich (que teria chamado, durante uma preleção,
todos os jogadores campeões mundiais em 1970 de "porcarias")
e acertou sua transferência para mais um grande carioca,
o Botafogo. Na condição de zagueiro tricampeão
mundial, Brito chegou com pompa a General Severiano, mas já
dava sinais de que a carreira entrava em fase descendente.
O episódio que o marcou no Fogão foi a suspensão
de seis meses imposta pela antiga Confederação
Brasileira de Desportos (CBD) por conta de um soco no estômago
do árbitro José Aldo Pereira durante um clássico
contra o ex-clube, o Vasco, vencido pelos cruzmaltinos por
1 a 0. Após o gancho, Brito sentiu que seu ciclo no
futebol carioca estava encerrado e tentou a sorte em Minas
Gerais - foi bicampeão estadual, em 1972 e 73, no Cruzeiro
de Wilson Piazza, Dirceu Lopes e Tostão (este, se despediu
da Raposa em 1972). Com mais taças em mãos,
partiu para um desafio ainda maior. Em São Paulo.
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