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Foto Djalma Vassão/Gazeta Press

O São Paulo do mestre Telê

O São Paulo havia ganhado quatro títulos e era o maior campeão paulista dos anos 80. A perda do Paulistão de 88 abalou um pouco o prestígio do treinador Cilinho e o time já não contava com grande parte dos "Menudos" que fizeram sucesso no princípio da década e tinham sido negociados com o exterior.

Uma nova safra começava a trilhar seu caminho no clube, com destaque para o jovem Cafu, que havia sido recusado em várias peneiras até ser aproveitado pelo Nacional. De lá foi levado para o São Paulo.

Durante o ano de 1989 foi um reserva pouco utilizado e viu o time conquistar mais um Campeonato Paulista. No começo de 1990, firmou-se como titular jogando no meio-campo. Era o pulmão do time do São Paulo.
Cafu tinha o melhor preparo físico do elenco tricolor. Seu potencial impressionava a todos, até mesmo ao conceituado fisiologista Turíbio leite de Barros. "Já trabalhei com mais de 800 jogadores profissionais e nunca vi nada igual. O Cafu tem condições de correr os 100 metros rasos ou uma maratona", afirmou o médico.

Barros não foi o único a ficar impressionado com Cafu. Paulo Roberto Falcão, treinador da seleção brasileira, convocou o jogador para um amistoso entre Brasil e Espanha.

Em outubro de 1990, chegou ao São Paulo alguém que mudou a carreira e a vida de Cafu, o mestre Telê Santana. Durante o final daquele ano e o primeiro semestre do ano seguinte, o jogador permaneceu no meio-campo.

Só que Telê viu no garoto de 20 anos um grande potencial sendo desperdiçado no meio-campo. O lugar dele era outro, devia jogar na lateral. O treinador falou isso ao garoto e ele, disposto a colaborar com o time, aceitou. Só que ele nunca havia atuado naquela posição e tinha dificuldades com alguns dos fundamentos básicos.

Cafu foi obrigado a passar algumas horas por dia treinando ultrapassagens e cruzamentos para poder melhorar seu desempenho na lateral. Até mesmo o exigente técnico ficou impressionado com sua dedicação. Tornou-se um dos destaques do time que conquistou dois Paulistas, duas Libertadores, dois Mundiais, duas Recopas e uma Supercopa dos Campeões da Libertadores. O sucesso no clube logo o alçou à seleção nacional.

Telê havia descoberto mais do que um garoto com potencial para a lateral-direita. Descobriu um dos maiores jogadores que o Brasil já teve na posição.

Do Tricolor ao Palmeiras por uma "ponte"

Os Centros de Treinamento do São Paulo e do Palmeiras são separados apenas por um muro. Em 1994 o Palmeiras era o time brasileiro mais forte financeiramente devido à parceria que fizera com a Parmalat e o São Paulo vivia uma crise motivada pela perda da Libertadores para o Vélez Sarsfield em pleno Morumbi.
O Alviverde havia conquistado o bicampeonato brasileiro e queria montar um time forte para a disputa da Libertadores de 1995. Para isso, queria que Cafu mudasse o lado do muro, deixando o Tricolor para ir jogar no Parque Antártica.

O São Paulo precisava de dinheiro e a venda de Cafu era a forma encontrada pelos dirigentes para garantir a manutenção do clube por um tempo. Só que reforçar o rival não estava nos planos do Tricolor. Cafu teria que ser vendido para algum clube do exterior.

No dia 12 de janeiro de 1995, o São Paulo anunciou a transferência do lateral para o Real Zaragoza da Espanha. No contrato havia uma cláusula que impedia o clube de vender ou emprestar o jogador para o Palmeiras. Cinco dias após definir a contratação de Cafu, o Zaragoza anunciou que a Parmalat, parceira do Palmeiras, era a real compradora de seu passe.

Cafu ficou na Espanha até o final da temporada européia e em 2 de julho ele acertou sua volta ao Brasil para defender o Juventude, outro time patrocinado pela empresa italiana.

Jogou a segunda fase do Campeonato Brasileiro pela equipe de Caxias do Sul e em janeiro de 96 foi apresentado com a camisa do Palmeiras.

No primeiro semestre daquele ano, o Alviverde fez uma campanha espetacular e conquistou o Campeonato Paulista. Djalminha, Rivaldo, Muller e Luizão eram os principais companheiros de Cafu no time que marcou mais de 100 gols na competição.

O time encantou tanto que algumas de suas maiores estrelas foram negociadas. Rivaldo foi para o La Coruña da Espanha e Muller voltou ao São Paulo. Mesmo tendo passado pouco mais de um ano no Parque Antártica, Cafu conquistou a torcida palmeirense. Em 1997 ele anunciou sua saída do clube. Ia defender morar na Itália e defender a Roma.

O Rei de Roma

Desde que chegou, Cafu tornou-se soberano na lateral-direita da Roma. Desde Paulo Roberto Falcão um brasileiro não fazia tanto sucesso com a camisa vermelha.

Encontrou um bom ambiente e um time apaixonado pelo futebol brasileiro onde já atuava o zagueiro Aldair. A Roma não tinha êxito no Calcio desde a temporada 1982/1983, quando tinha Falcão no meio-campo.

Pensando em vencer o Campeonato Italiano o time investiu pesado. O treinador Fábio Capello chegou. Ele já havia faturado a competição em outras quatro oportunidades quando era treinador do Milan.

Na temporada 2000/2001 a Roma superou Juventus e Lazio e ganhou o scudetto. Além de Cafu, mais quatro brasileiros estavam no elenco, Aldair, Antônio Carlos, Emerson e Marcos Assunção.

O desafio seguinte do incansável lateral seria atuar pelo atual campeão da Europa, o Milan, onde busca continuar sempre sendo titular indiscutível dos times por onde passou.

Publicação: 17/02/2003
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