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Destino: Europa
Chegava a hora do mundo conhecer o rebelde cabeludo. O destino
de Casagrande foi o Porto, de Portugal, vendido por US$ 1
milhão. Logo na estréia deixou sua marca: gol. Em sua primeira
temporada no Velho Continente, a equipe portuguesa chegou
ao título mais importante da Europa, o da Liga dos Campeões.
"Foram apenas oito meses, mas uma passagem muito boa", relembra.
Casagrande despertou o interesse do futebol italiano.
Na temporada seguinte, ele chegava ao Áscoli, um time modesto
e que havia acabado de disputar sua primeira temporada na
primeira divisão italiana. Mas os bons tempos não se repetiram.
O time foi rebaixado, mas Casagrande não abandonou o barco.
Cumpriu seu contrato de quatro anos até o final e deixou o
clube de maneira triunfal, com o título da Série B e o retorno
à primeira divisão. De quebra, ainda foi o artilheiro da competição.
"Eu era capitão da equipe, um fato quase inédito na Itália
naquela época, para um estrangeiro. Caí com o time e entendia
que não deveria sair se não pudesse ajudar o time a voltar
para a primeira, onde eu o encontrei. Ser o artilheiro, então,
foi o máximo", lembra.
Com a missão cumprida, Casagrande partiu então para uma
equipe grande. Seu destino foi o Torino. Sua primeira dificuldade
foi convencer os dirigentes de que estava bem fisicamente.
"Eles queriam me ver jogando um campeonato inteiro. Quando
me viram bem no final do primeiro turno pelo Áscoli acertamos
a transferência", conta.
As contusões perseguiram o atacante no novo clube, mas não
o impediram de atuar por dois anos na equipe titular. Em julho
de 93 o jogador acertou seu retorno ao Brasil. Oito anos depois,
mais maduro, acostumado aos hábitos europeus, o não tão jovem
mas ainda cabeludo estava de volta. O destino era o Flamengo.
Na Gávea, Casagrande teve uma passagem rápida, mas prejudicada
pelos joelhos inflamados. Um fato, no entanto, acelerou sua
despedida do futebol carioca. No Campeonato Brasileiro de
93, Flamengo e Corinthians se enfrentaram no Pacaembu. Mal
começou o partida, a Gaviões da Fiel cantou: "Volta, Casão.
Seu lugar é no Timão" alternando para "Doutor, eu não me engano.
O Casagrande é corintiano".
O Corinthians venceu o jogo por 2 a 1 e o gol flamenguista,
por ironia do destino, foi de Casagrande. "Eu me vi na obrigação
de fazer um gol pelo Flamengo, que era o clube que eu estava
defendendo. Mesmo assim, a bola só desviou em mim", conta.
"Mas eu me preparei a semana inteira para ser hostilizado
de todas as formas possíveis. Meia hora depois do jogo eu
ainda estava emocionado", lembra.
Em 94 o Corinthians abriu suas portas novamente para Casagrande.
Agora um homem de mais de 30 anos, experiente e chegando ao
final de sua carreira. Ali atuou mais uma temporada ao lado
de então promessas do clube como Marques, o irreverente Viola
e recém-contratado Marcelinho Carioca.
Fora dos campos, o jogador se transformou em comentarista
de futebol. Começou na TV Bandeirantes, depois na Record e
ESPN Brasil até chegar à Globo, onde participou da Copa de
2002 como um dos principais comentaristas da emissora. "O
legal, que eu não pensei que fosse assim, é que eles sempre
me deram liberdade para falar o que bem quis. Hoje acho que
faço o padrão Globo. Vou para a cabine, visto terno, gravata,
mas tenho o meu jeito de comentar e de viver lá fora", diz
Walter Casagrande, que conserva os cabelos longos e a língua
afiada do jovem da década de 80.
SELEÇÃO BRASILEIRA
Casagrande participou da Copa de 86, no México, com a seleção
brasileira. Participou de toda a campanha das eliminatórias
e fez, contra a Bolívia, o gol que classificou o Brasil para
o Mundial. Chegou a ser tido como titular para a estréia na
Copa, mas a contusão o afastou do time. No total fez nove
gols pela seleção em 19 jogos.
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