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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . ANTÔNIO CARLOS CEREZO
Gazeta Press
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Cerezo: do circo às arenas de futebol do mundo

Por Jorge Nicola

Antônio Carlos Cerezo fez parte da última geração de gênios do futebol brasileiro, que encantou o planeta na Copa do Mundo de 1982, na Espanha. Por um infortúnio, teve sua carreira marcada pelo passe de presente ao atacante italiano Paolo Rossi, contra a Itália, que acabou colocando fim ao sonho do Brasil de conquistar o tetra na Espanha.

"Reconheço o passe errado no fatídico jogo contra a Itália, mas faço questão de ressaltar que o Brasil não foi eliminado somente por aquele lance", defendeu-se Cerezo, hoje treinador de sucesso na terra do sol nascente.

Com estilo clássico e muita vitalidade, só encerrou a carreira aos 40 anos de idade, sendo 24 deles dedicados ao futebol. Conquistou dois títulos mundiais interclubes com o São Paulo, em 92 e 93, quando foi eleito o melhor em campo.

Além de ídolo da torcida do Atlético-MG, o mineiro conquistou uma legião de fãs na Itália, defendendo Roma e Sampdoria. Mas seus primeiros passos como profissional foram longe da bola. Aos sete anos, o garoto se apresentava em companhia do pai como o palhaço Moleza em circos montadas na periferia de Belo Horizonte.

A carreira circense só terminou sete anos mais tarde, quando Toninho Cerezo foi descoberto por um olheiro do Atlético-MG nos campos de várzea, atuando pelo time do Ferroviário, no bairro de Esplanada. Apesar de demonstrar algum talento na arte de divertir as pessoas, Cerezo convenceu mesmo quando passou a brilhar com a bola nos pés.

Em 1972, fez sua estréia com a camisa do Galo, clube em que se tornou unanimidade. Depois de um começo tumultuado, no qual chegou a ser emprestado ao Nacional-AM, para adquirir experiência, o meia direita voltou ao Galo e a partir de 74 ganhou a posição de titular. Vestiu por dez anos consecutivos a camisa número 8 do Atlético-MG.

Com ela conquistou sete títulos mineiros - 76, 78, 79, 80, 81, 82, 83 - e foi por duas vezes vice-campeão brasileiro. Disputou 451 jogos, marcando 77 gols. Ao lado do artilheiro Reinaldo, formou uma das maiores equipes de todos os tempos do Galo e é lembrado até hoje como herói do título estadual de 76, acabando com a hegemonia de quatro anos do rival Cruzeiro.

Em junho de 1983, Cerezo foi negociado com a Roma por US$ 10 milhões, mesmo valor da transferência de Zico para a Udinese. Ele chegava à capital italiana com a responsabilidade de dividir o meio-campo com Falcão, chamado na época de "O Rei de Roma".

O frio e as diferenças culturais encontrados na Itália foram barreiras difíceis para Cerezo nos primeiros anos. Não conseguiu repetir o sucesso conquistado em Belo Horizonte, mas participou das campanhas vitoriosas em duas Copas da Itália, em 84 e 86.

Em agosto de 1986, se transferiu para a Sampdoria, onde voltou a brilhar. Foi apelidado de Pluto, pelas passadas largas e desajeitadas como as do cachorro do Mickey, nos desenhos animados. Conquistou um Campeonato Italiano e mais duas Copas da Itália.

Retornou ao Brasil em 1992 para atuar pelo São Paulo. Esteve presente nas duas campanhas de títulos mundiais do Tricolor em Tóquio, em 92 e 93. Faturou ainda um Paulista e duas Libertadores. Apesar de tantas alegrias, deixou o clube chamado de velho pelo diretor de futebol Júlio Brisola.

Antes de pendurar as chuteiras, Cerezo ainda atuou por Cruzeiro (94), Paulista (95) e América-MG (96). Na partida de despedida, atuou pelo selecionado do Atlético-MG contra o Milan em uma partida que terminou empatada por 2 a 2, no Mineirão, no dia 04/08/97.

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