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Publicação: 21/09/2007
. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . CHICÃO
Foto: Acervo/Gazeta Press

Chicão: o volante que segurou os argentinos no peito e na raça

Por Paulo Amaral

Craque é uma classificação que passa longe do potencial apresentado pelo volante Chicão em sua carreira. Mas todos queriam tê-lo em suas equipes por causa da eficiência, raça e vigor físico que chamavam a atenção dos adversários. O termo “pipocar” não fazia parte deste atleta, que marcou história principalmente com a camisa do São Paulo. Por isso, recebeu apelidos como “El Matador de Rosário” e “Monstro Mineirão”.

O fato mais marcante na carreira de Chicão aconteceu na Copa do Mundo de 1978. O jogador iniciou a competição no banco de reservas. Só que, de forma surpreendente, acabou escalado no confronto da fase semifinal diante dos donos da casa, a Argentina. A alegação do técnico Cláudio Coutinho era que o titular Toninho Cerezo havia sentido uma lesão. A verdade, no entanto, era a opção para intimidar os adversários na chamada “Batalha de Rosário”.

”Eu soube que ia jogar depois do almoço. O Coutinho me disse para usar o mesmo estilo que apresentava com a camisa do São Paulo. Também disse que eu não podia ser expulso de campo de jeito nenhum para não prejudicar a nossa equipe”, lembra.

Mesmo com o pedido do treinador, Chicão não economizou na violência. Em um diálogo transcrito por A Gazeta Esportiva na edição de 5 de maio de 1985, o meio-campista deixou claro ao técnico Cláudio Coutinho que ia tomar conta dos adversários. “Se for preciso, eu mato um argentino”.

O confronto de Rosário terminou com empate de 0 a 0. O Brasil acabou eliminado do Mundial por causa do saldo de gols. Afinal, na última rodada, a Argentina ganhou de “forma estranha” do Peru de 6 a 0. “Foi uma emoção indescritível participar daquela partida. Mas eu chorei muito com nossa eliminação. Como alguma equipe pode sair de uma competição sem perder?”, questiona.

Um ano antes, Chicão já tinha dado uma prova de seu espírito de liderança na final do Campeonato Brasileiro de 1977. Capitão do São Paulo, ajudou a acabar com o favoritismo do Atlético-MG. Teoricamente inferiores, os paulistas ganharam o título nacional nas cobranças de pênaltis.

”Fui o capitão do time e considerado o melhor em campo. A instrução era para eu colar no Toninho Cerezo”, afirmou o ex-meio-campista, que se envolveu em uma polêmica na decisão ao pisar no meia Ângelo, do Galo, que estava caído no gramado.

A garra demonstrada por Chicão em campo era encarada de forma negativa por alguns críticos e adversários. Mas ele garante que tem a consciência tranqüila. “Nunca fui desleal”, garante. “Só que eu sempre acreditava na chance de vencer a partida, mesmo se tivesse com o placar de 2 a 0 adverso”, completa.

O futebol esteve no sangue de Chicão desde a infância. “Quando era menino, eu pensava só em jogar futebol. Dormia com a bola”, conta o ex-atleta, que iniciou a carreira no XV de Piracicaba em 1968. Também passou por União Barbarense, São Bento e Ponte Preta antes de chegar ao São Paulo. Encerrou a carreira após defender Atlético-MG, Santos e Mogi Mirim.


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