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| Gazeta Press |
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Por Nei Souza
A história do futebol brasileiro é pródiga em duplas de atacantes
que infernizaram a vida das defesas adversárias. Nenhuma delas
porém fez mais sucesso, deu mais alegrias aos seus torcedores
e dor de cabeça aos adversários que Pelé e Coutinho, na época
gloriosa do Santos, no início da década de 60. Os dois foram
responsáveis pela maior parte dos gols do imbatível time do
Santos de então.
Além dos gols, o que mais impressionava nos dois era a sintonia.
Eles jogavam como que por música; se comunicavam por telepatia
dentro de campo e brindavam os torcedores com tabelinhas perfeitas,
jogadas ousadas e criativas e gols magistrais. Juntos, fizeram
1461 gols pelo Santos, 370 dos quais assinalados pelo centroavante
- o que o coloca em terceiro lugar no ranking dos maiores
artilheiros santistas, atrás apenas de Pepe (o segundo, com
405 gols) e, naturalmente, do próprio Pelé, com 1091.
Coutinho dedicou quase toda sua vida de jogador ao Santos,
onde atuou durante 12 anos, de 1958 a 1970. Nasceu Antônio
Wilson Vieira Honório, em 11 de junho de 1943, na cidade de
Piracicaba, interior de São Paulo. Depois de uma rápida passagem
pelo XV de Novembro local, foi para cidade de Santos tentar
a sorte no time da Vila Belmiro, aos 15 anos de idade. Seu
primeiro jogo com a camisa santista foi um amistoso contra
um time chamado Sírio Libanês, em Goiânia: o Santos venceu
por 7 a 1.
Sua estréia em partidas oficiais, no entanto, foi na decisão
do Torneio Rio-São Paulo de 1958, contra o Vasco da Gama,
no Pacaembu. E não deu outra: o Santos venceu, por 3 a 0,
com dois gols seus. Começava ali uma paixão, um casamento
que duraria 12 anos seguidos, durante os quais ele defendeu
o alvinegro praiano em 457 oportunidades.
Na Seleção, estreou em 9 de julho de 1960, na derrota de
1 a 0 para o Uruguai, em Montevidéu. Em 1962, era titular
absoluto da camisa número 9 da Seleção Brasileira. Porém,
uma grave contusão no joelho direito às vésperas do embarque
para o Chile o tirou de combate. Foi num jogo amistoso contra
o País de Gales, no Pacaembu, última partida da Seleção antes
da estréia na Copa do Mundo. "Pedi para não jogar, mas o treinador
disse que eu precisava perder uns quilinhos e me escalou.
Fui o único titular escalado para aquele jogo", contou ele
algum tempo depois.
Coutinho não entregou os pontos e, mesmo contundido, viajou
com a delegação para o Chile, onde ficou em tratamento em
Viña del Mar e Santiago, cidades-sede do Brasil na Copa de
62. Mas não deu para ele se recuperar a tempo - mesmo porque
Vavá, que o substituiu no comando do ataque da Seleção, deu
muito bem conta do recado e não saiu mais do time.
Reserva-titular
Coutinho tem uma opinião toda particular sobre sua situação
na época: "Não posso falar sobre o que é ser reserva na Seleção.
Eu viajei como titular, tinha lugar assegurado no time. Quando
o Pelé se machucou, fui apontado como o "salvador da pátria".
Mas não dava nem para ser reserva... Quando voltei do Chile,
operei os meniscos." Em entrevista concedida em 1994, ele
confessava: "Até hoje esse joelho me incomoda". Seu último
jogo pela Seleção foi na vitória sobre a Hungria por 5 a 3,
dia 21 de novembro de 1965, no Pacaembu.
Coutinho ainda jogou pelo Santos até 1970. Mas seu rendimento
nunca mais foi o mesmo de antes da contusão. Ele também lutava
contra um inimigo implacável para um jogador: a tendência
de engordar.
Depois que saiu do Santos, passou também pelo Vitória (BA),
Portuguesa de Desportos (SP), Bangu (RJ) e Atlas (México),
vindo a encerrar a carreira como jogador em 1973, aos 27 anos,
jogando pelo Saad, de São Caetano do Sul.
Mas sua relação com o Santos estava longe de terminar. Ainda
no final da década de 70, estava de volta à Vila Belmiro,
desta vez como treinador das equipes de base, tendo sagrado-se
campeão paulista com o Juvenil A, em 1979, com o Juvenil B
em 1980 e vice da Taça São Paulo de Juniores em 1982. Dirigiu,
ainda, o time principal do próprio Santos em 1981, interinamente,
e em 95, por apenas um jogo. Em 93, estava de volta à Vila
Belmiro para comandar a equipe de juniores.
Como treinador, seus melhores resultados aconteceram à frente
do Valeriodoce, da cidade de Itabira, Minas Gerais, que ele
pegou lutando contra o rebaixamento no primeiro turno do campeonato
estadual de 1985 e levou às semifinais do certame, juntamente
com Atlético-MG, Cruzeiro e Democrata de Governador Valadares.
Ele dirigiu ainda o Comercial-MS (87), Aquidauana-MS (87),
Santo André-SP (88), Valeriodoce (92), São Caetano-SP (92)
e Bonsucesso-RJ (93).
Em 1997, Coutinho dedicava sua atenção às jovens promessas
da Associação Desportiva da Mercedes-Benz, em São Bernardo
do Campo, onde selecionava atletas com potencial para a entidade.
E até o ano passado , fazia parte do grupo de treinadores
contratados pela Secretária Municipal de Esportes de
São Paulo, trabalhando também com garotos.
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