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Dadá Maravilha: o beija-flor
Por Klinger Portella, especial
para GE.Net
Ele é o grande rei do marketing
pessoal dentro e fora das quatro linhas. Muito mais pela retórica
e pelas centenas de gols do que pela pouca intimidade que
mostrava com a bola nos pés, Dario José dos Santos, o Dadá
Maravilha, se consagrou como um dos maiores artilheiros do
futebol brasileiro e ganhou fama nacional por suas célebres
frases de auto-promoção.
Dario Peito-de-aço, Dadá Beija-Flor e Rei Dadá são apenas
alguns dos muitos apelidos que acompanharam o atacante durante
os seus 21 anos de carreira. Além dos nomes, Dadá foi um grande
"filósofo" do futebol brasileiro. Suas frases certamente estarão
para sempre na memória dos torcedores de todo o país. ‘Não
venham com a problemática, que eu tenho a solucionática’,
‘só existem três coisas que param no ar: beija-flor, helicóptero
e Dadá’, ‘depois do Garrincha, Dadá é a maior alegria do povo’,
‘eu me preocupo tanto em fazer gols, que não tive tempo de
aprender a jogar futebol’, ‘Garrincha, Pelé e Dadá têm de
ser currículo escolar’, ‘não existe gol feio; feio é não fazer
o gol’. São muitos os exemplos das "pérolas" do primeiro marqueteiro
do futebol brasileiro.
Toda irreverência que marcou a passagem de Dario pelos campos
esconde um passado de dificuldades, que nunca foi deixado
de lado pelo atacante. Durante sua infância pobre no subúrbio
carioca de Marechal Hermes, Dadá, na época com cinco anos
de idade, viu sua mãe atear fogo no corpo e morrer consumida
pelas chamas. Dos dez aos 18 anos, para escapar da fome, Dario
sobrevivia com o dinheiro conseguido com pequenos assaltos.
Em uma dessas "aventuras", Dadá acabou preso e ficou internado
na Fenabem/Febem. Foi lá que conheceu o futebol, somente aos
19 anos de idade.
Aos 19 anos, o início no futebol - Depois de sua
passagem pela Fenabem, Dario decidiu abandonar de vez a criminalidade
e encontrou no futebol o caminho ideal para deixar a vida
de necessidades, que o acompanhou durante toda sua infância
e adolescência.
Acostumado a pular muros e subir em árvores, Dadá sempre
se destacou entre seus amigos de infância pela sua grande
velocidade. "Até de tiro eu corria", brinca o jogador, que
garantia fazer 100 metros em 9,9 segundos, recorde mundial
na época. Além da corrida, Dario também mostrava grande impulsão.
"Pulava 90 centímetros parado e 1,5 metros correndo". Tais
características fizeram dele, senão um grande craque com a
bola, um artilheiro nato, como poucos no Brasil.
A carreira de Dadá Maravilha no futebol começou tarde. Atuando
na equipe de juniores do Campo Grande, do Rio de Janeiro,
em 65 e 66, Dario foi logo promovido ao time principal, onde
jogou nos dois anos seguintes, chegando a brigar pela artilharia
do Campeonato Carioca. Em 1968, o atacante desengonçado chamou
a atenção de um clube grande do futebol brasileiro e o garoto
pobre de Marechal Hermes não perdeu a chance de fazer história
e mudar de vez sua vida. Contratado pelo Atlético Mineiro,
Dadá começou a escrever seu nome no livro dos grandes astros
do mundo da bola.
Dadá Maravilha foi o grande nome do Campeonato Brasileiro
de 1971. Autor do gol que garantiu o título ao Atlético Mineiro
em cima do Botafogo, no Maracanã, Dario, de quebra, se sagrou
o primeiro artilheiro do Brasileirão, com 15 gols marcados.
O Peito-de-Aço repetiu o feito no ano seguinte, também com
a camisa do Galo.
Foi na equipe de Belo Horizonte que o atacante fez mais
história. Atuando no Atlético entre os anos de 1968 e 1972,
retornando em 74, depois em 78 e 79, Dadá Maravilha se tornou
o segundo maior artilheiro do clube, com 208 gols marcados.
Além de campeão brasileiro em 71, Dario também foi bicampeão
mineiro, nos anos de 70 e 78.
Dadá, no entanto, foi um jogador de muitas camisas. Além
do Galo, o atacante passou por mais 16 clubes pelo futebol
brasileiro e garantiu amor a todas equipes por que passou.
Destaque para o Internacional, onde foi artilheiro e campeão
do Campeonato Brasileiro de 1976, e conquistou o título gaúcho
no mesmo ano. Em 81 e 82 também foi bicampeão baiano, pelo
Bahia, e campeão pernambucano, em 1975, defendendo o Sport.
Foi no Sport também que Dadá quebrou mais um recorde no
futebol. Em uma partida válida pelo Campeonato Pernambucano
de 1976, Dario marcou dez dos 14 gols da equipe na vitória
sobre o Santo Amaro. A marca história superou os feitos de
Pelé e Jorge Mendonça, que marcaram oito gols em uma mesma
partida.
Marcar gols era definitivamente a especialidade de Dadá.
Artilheiro do Brasileirão por três vezes, Dario é o quinto
maior marcador de todos os tempos em torneios nacionais, com
104 gols. Em suas contas, o atacante chegou a balançar as
redes em 926 oportunidades em toda sua carreira, mas os números
oficiais apontam para 545 gols marcados.
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