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O gênio dos dribles
mágicos
| Gazeta Press |
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Por Jorge Nicola
Último grande craque da história da Portuguesa, o meia Dener
continua vivo na memória dos torcedores. Com suas arrancas
velozes e dribles desconcertantes, ele foi o orgulho daqueles
que gostam da Lusa de 1988 a 1993. Chegou a ser comparado
a Pelé depois de marcar dois gols de placa, contra a Inter
de Limeira, em 92, e Santos, em 93.
A genialidade dentro de campo o levou à seleção brasileira
em 1991, com apenas 20 anos. Encantado com o futebol do garoto
franzino, o técnico Falcão o escalou em 11 jogos com a camisa
amarelinha. Não fosse a morte prematura, Dener poderia ter
recuperado o brilho dos tempos de futebol-moleque apresentado
pelos brasileiros nas Copas de 70 e 82.
A habilidade incomum era ofuscada em muitos momentos pela
indisciplina nas quatro linhas e fora delas. De origem humilde,
Dener se deslumbrou com a fama e com o dinheiro abundantes
e se envolveu em diversos episódios de indisciplina ao longo
da curta carreira.
Em 94, aos 23 anos, Dener faleceu em um acidente automobilístico.
No dia 19 de abril, ele chegava ao Rio de Janeiro para participar
do treinamento da manhã pelo Vasco, clube em que estava emprestado
até julho. Na companhia do amigo Oto Gomes de Miranda, Dener
deixou São Paulo às 23 horas do dia anterior, após ter definido
junto aos dirigentes da Lusa sua transferência para o Stuttgart,
da Alemanha.
Miranda dirigia o Mitsubishi Eclipse branco de Dener, que
dormia no banco ao lado. O carro, vindo da Avenida Brasil,
bateu em uma árvore na Avenida Borges de Medeiros, na Lagoa
Rodrigo de Freitas. A morte foi imediata. Dener foi estrangulado
pelo cinto de segurança e apresentava asfixia e fratura cervical.
Deixou viúva e três filhos.
Meses depois do acidente, um laudo policial confirmou que
Miranda havia dormido no volante, perdendo a direção do veículo.
No acidente, o amigo do craque acabou perdendo as duas pernas.
E em 1995, Miranda foi assassinado na porta de sua casa por
integrantes do Comando Vermelho, facção com quem mantinha
ligações. Começo de carreira Nascido em 2 de abril de 1971,
Dener fez suas primeiras jogadas nas ruas da Vila Ede, bairro
da zona Norte de São Paulo. Em 82, aos 11 anos, o meia pisou
pela primeira vez no Canindé. Quatro anos mais tarde, teve
de abandonar o sonho de fazer carreira no futebol para ajudar
a mãe com as despesas de casa.
Órfão de pai desde os oito anos, Dener e os irmãos tiveram
de começar a trabalhar para tentar pagar as dívidas acumuladas
pela mãe. Ele estudava pela manhã, trabalhava à noite e jogava
futebol por cachê na Vila Maria, pelo colégio Olavo Bilac.
Em 1988 voltou a treinar nas categorias de base da Lusa,
após uma passagem frustrada de dois meses pelo São Paulo.
O técnico Antônio Lopes, na época treinador do elenco de cima,
o tirou dos juniores, transformando-o em profissional. A primeira
grande glória na carreira de Dener foi na Copa São Paulo de
Futebol Juniores, em 1991, quando foi eleito o melhor jogador
da competição.
Na oportunidade, a Lusa conquistou seu primeiro título na
Copinha e ainda teve Sinval como artilheiro do torneio. A
equipe era formada por: Paulo Luís; Josias, Souza e Baiano;
Romã, Cícero, Maninho, Tico e Pereira; Sinval e Dener.
Em 1993, após uma transferência frustrada para o Corinthians,
Dener foi emprestado ao Grêmio. Foi novamente cedido por empréstimo
no ano seguinte, desta vez para o Vasco. A cláusula nove do
contrato firmado entre Portuguesa e Vasco obrigava a secionaria
"a fazer um segura de vida e acidentes pessoas ao atleta,
o qual deverá dar cobertura até o efetivo término do empréstimo
no valor de US$ 3 milhões", dizia a cláusula.
O Vasco não fez o seguro obrigatório e deu origem a uma briga
que durou até 1999, quando a Lusa recebeu o dinheiro.
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