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Foto: Acervo/ Gazeta Press

Jogando nos arqui-rivais

Sucesso no Parque São Jorge - Wladimir, maior lateral-esquerdo da história do Corinthians, não entrou em acordo com a cúpula alvinegra na hora de renovar o contrato e foi jogar no modesto Santo André. Depois de perder o ícone da posição, os dirigentes foram atrás de um nome para ocupar o setor defendido pelo antigo titular durante 803 partidas. Aílton e Jacenir tentaram, mas não conseguiram se firmar.

Por isso, a diretoria apostou num Dida em grande fase para ocupar definitivamente a ala esquerda. "Estou atravessando um dos melhores momentos da minha carreira. Melhorei bastante em todos os sentidos. Estou em ótima forma física e assim também cresci taticamente, sem esquecer de desenvolver a parte técnica. Tenho por meta ser campeão aqui e voltar à seleção brasileira", disse o lateral recém-chegado à Fazendinha.

Entretanto, o começo de Dida no Corinthians não foi como ele imaginava. No primeiro turno do Campeonato Paulista de 1987, o Timão fez uma campanha ruim, tão ruim que ninguém imaginava que aquela mesma equipe seria vice-campeã do torneio. "O primeiro turno foi decepcionante. Nada dava certo. Mas aos poucos o time foi subindo de produção", explicou o jogador.

A consagração veio no ano seguinte, quando o Timão conquistou o título paulista de 1988 diante do Guarani. O time de Campinas chegou à decisão como favorito, jogando em casa a segunda partida e tendo a vantagem do empate na prorrogação no caso de nenhuma equipe sair na frente durante os 180 minutos.

O primeiro jogo foi realizado no Morumbi. Ainda na etapa inicial, Neto marcou um golaço de bicicleta e colocou o time visitante em vantagem. No segundo tempo, depois de um escanteio, Sérgio Néri rebateu mal e o lateral Édson completou de primeira para empatar o jogo.

A decisão foi no Brinco de Ouro, a primeira em um estádio do interior. O tempo normal terminou sem gols e o jogo foi para a prorrogação. No início do tempo extra, o jovem Viola, que havia entrado durante a partida, desviou de carrinho uma bola na marca do pênalti e deu o título ao Corinthians.

Foto: Acervo/ Gazeta Press

Fracasso no Parque Antártica - Em uma tarde do ano de 1989, o diretor palmeirense Nicola Racioppi teve a genial idéia de propor a célebre troca com o arqui-rival Corinthians. Como Vicente Matheus aceitou, Neto e Denys foram para o Parque São Jorge e Dida e Ribamar desembarcaram na rua Turiassu. Enquanto o meia formado no Guarani eternizou-se com a camisa 10 do Timão, o lateral paranaense teve uma passagem apenas discreta pelo Verdão.

Dida era um sonho antigo da diretoria palestrina. Em 1985, no começo da carreira do jogador, o então presidente Carlos Fachina Nunes tentou trazer o lateral do pequeno Colorado, mas perdeu a concorrência para o Coritiba. Quatro anos depois, o atleta chegou empolgado ano novo clube. "Estou satisfeito com a mudança, saio de um grande para outro grande. Eu não sabia de nada, o Palhinha me ligou e deu a notícia. Mesmo surpreso, topei na hora".

Em sua chegada ao Palmeiras, o jogador encontrou problemas com Nelsinho Baptista. O treinador barrou Dida e resolveu escalar Biro como titular. Na semana do clássico contra o Corinthians, o comandante decidiu transferir-se justamente para o arqui-rival. Então o lateral aproveitou para expressar sua opinião em relação ao ex-técnico. "Ele não teve jogo de cintura para lidar com os grandes jogadores em sua passagem por aqui. Espero que tenha aprendido".

Após a saída de Baptista, a diretoria contratou Otacílio Gonçalves para assumir o time. Dida voltou à condição de titular pelas mãos do novo técnico e foi novamente convocado pela seleção brasileira, desta vez por Sebastião Lazaroni. "Tenho esperança de aproveitar esta nova oportunidade. Pretendo agarrar a vaga com unhas e dentes e permanecer como titular", afirmou. Porém, ele participou de apenas uma partida e mais uma vez ficou de fora da delegação que disputou a Copa do Mundo da Itália.

Dida vestiu a camisa alviverde durante uma das maiores crises do clube. O último título antes do jejum foi conquistado em 1986 e todo o otimismo do atleta não foi suficiente para interromper a amargura vivida pela torcida palmeirense. "Sou abençoado por Deus, pois até hoje fui campeão em quase todos os clubes por onde passei. Pena que no Palmeiras não consegui chegar lá. No Palmeiras a barra é mais pesada, a pressão é muito maior, principalmente quando a fase não é boa", lamentou.

Publicação: 10/09/2004
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