| Foto: Acervo/ Gazeta Press |
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A estréia
A estréia de Dida no time profissional foi logo em
um clássico. As contusões de Evaristo e Benitez
forçaram a sua entrada contra o Vasco. A boa atuação
na vitória por 2 a 1 (em 17/10/1954) e nas partidas
subsequentes não garantiu a permanência do jogador
- que atuava à época na meia esquerda - na equipe
titular. Isto só se concretizaria no campeonato seguinte,
na histórica final contra o América.
"Era muito difícil lançar um jogador.
Os jornais passaram uma semana inteira falando só disso
e eu fiquei muito preocupado com essa polêmica em relação
ao lançamento de um jogador que vinha dos aspirantes.
Todos na rua se perguntavam quem era aquele Dida." Além
das muitas estrelas que compunham a constelação
rubro-negra, outra atração ocupava o banco da
equipe: o folclórico treinador paraguaio Fleitas Solich,
o Feiticeiro. Foi ele quem lançou Dida no time titular,
na gestão do presidente Gilberto Cardoso.
"Fleitas Solich nos tratava com muito carinho, mas também
nos tratava como um pai trata um filho. Por exemplo, era impossível
que um atleta fumasse. Nós escondíamos cigarros.
O Fleitas pôs em prática um esquema inédito
no Brasil: ele ia, se possível, de casa em casa para
ver se o atleta não tinha saído. Às 22
horas, 22h30 o atleta tinha que estar em casa. Ele fez essas
exigências rígidas que deram certo, tanto que
foi tricampeão no Flamengo. Porém esse esquema
não teria dado mais certo depois disso, pois o jogador
passa a se sentir oprimido e, às vezes, revoltado.
Foi o que aconteceu em 56, quando deveríamos conquistar
o tetracampeonato. Não o fomos talvez por isso, o pessoal
já estava cansado de ser oprimido. O Fleitas tratava
todos os jogadores igualmente dessa forma."
Com o tricampeonato, Dida se firmava no time titular, mas
viveria um jejum: o Flamengo só voltaria a conquistar
um Estadual em 1963. "Quando um time consegue um tricampeonato,
todos passam a querer derrubá-lo. Tanto que só
perdemos o tetra na penúltima partida, quando conseguiram
derrotar-nos. Toda vez que jogavam contra nós era uma
correria sem limites."
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