| O Príncipe da
Bola
| Gazeta Press |
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| Dirceu Lopes recebe o abraço
do ex-companheiro Tostão, que trocou o Cruzeiro
pelo Vasco |
Por Nei Souza A imprensa esportiva da época o apelidou
de "O Príncipe da Bola". Os súditos torcedores adotaram o apelido. Generoso, o
"Anjo das Pernas Tortas", Garrincha, chegou a referir-se a ele como "o melhor
jogador do mundo". Para os companheiros de time ele era o "amigão", o bom-caráter.
Os dirigentes o consideravam um jogador exemplar, cumpridor de seus deveres e
obrigações. "Um homem corretíssimo, fabuloso", segundo o ex-presidente cruzeirense
Felício Brandi. Dirceu Lopes Mendes começou sua carreira nos juniores
do Pedro Leopoldo, equipe de sua terra natal, a poucos quilômetros de Belo Horizonte.
Em 1963 transferiu-se para os juniores do Cruzeiro, transformando-se num dos maiores
fenômenos produzidos pelas divisões de base do clube. Rapidamente, subiu para
a equipe de profissionais do clube, onde fez a sua estréia no dia 1º de dezembro
de 1963, num clássico contra o Atlético. Aos poucos, tornou-se o dono da camisa
10 do time e, ao lado de Tostão, formou uma das duplas mais geniais da história
do futebol mundial. Juntos, marcaram nada mais nada menos do que 472 gols.
Destes, 224 foram seus, transformando-o no segundo maior artilheiro em toda a
história do clube. Humilde, retraído e com jeitão interiorano, Dirceu Lopes
teve o seu nome diversas vezes exigido pela torcida brasileira para a Seleção
nas Copas do Mundo. Chegou a ser convocado por João Saldanha para a Copa do
México mas acabou sendo cortado por Zagalo, quando este assumiu a Seleção às vésperas
do torneio. Ele era a "arma secreta" de Saldanha para a Copa de 70. Não teria
uma posição fixa e sua função tática de homem-surpresa seria a mais importante
entre as "feras" da Seleção. "Logo quando assumiu, o Saldanha me disse que eu
seria mais importante para o time que Pelé. Isso causou o maior rebuliço na época",
lembra Dirceu. Frustração maior - Apesar de reconhecer que "não era
fácil disputar uma posição no time com tantas feras" - a equipe tinha no meio-campo
Clodoaldo, Gerson, Tostão e Rivelino e no ataque Jairzinho e Pelé -, o corte da
Seleção foi a maior frustração na sua carreira de futebolista. Baixinho (1,63
metro), habilidoso e goleador, Dirceu driblava, lançava e chutava com ambas as
pernas. No início de carreira procurava imitar Garrincha, mas com o tempo suas
características se aproximavam mais do estilo de Pelé - ele chegou a despertar
o interesse do Santos quando o Rei resolveu abandonar a Vila Belmiro. "Se o
Santos me comprar, irei para São Paulo pensando não em substituir Pelé, mas em
corresponder à expectativa da diretoria", chegou a declarar em 1974, já com 28
anos. Pelé é "um espelho dentro e fora de campo", disse. Mas a transferência
para São Paulo não se concretizou e Dirceu, a exemplo da maioria dos grandes craques
do passado, dedicou praticamente toda a sua carreira esportiva a um só time: o
Cruzeiro de Minas Gerais. Apenas durante um ano (1975) defendeu uma equipe de
outro Estado, quando jogou pelo Fluminense carioca. Depois, retornou à Raposa,
jogando mais duas temporadas pelo clube. No total, Dirceu Lopes atuou em 594 partidas
pelo Cruzeiro e encerrou sua carreira no Democrata de Governador Valadares (1980/1981),
depois de uma passagem pelo Uberlândia, em 1979. Com seu jeitão mineiro de
ser, discretamente Dirceu foi afastando-se do futebol para dedicar-se à família
e aos amigos, com quem se diverte dedicando-se a uma outra arte tipicamente mineira:
contar "causos". As pernas curtas e fortes, o drible rápido e o faro pelo gol
foram, aos poucos, sendo substituídos pela fala mansa e o riso fácil, como armas
para transmitir alegria e felicidade aos fãs, amigos e familiares. |