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. . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . . .  . . . . . . . . . . . . . . . . DJALMA DIAS
Foto: Acervo/Gazeta Press

Djalma Dias: elegância em campo

Zagueiro de estilo clássico, Djalma Dias tinha elegância no seu futebol e não precisava fazer falta para roubar a bola, que entregava redonda para o meio de campo.

Por uma graça do destino, quando era pequeno ele desobedeceu ao pai, que sempre o mandava deixar a bola de lado e estudar. Porém, o que o pai via era o menino mulato, desde sempre magro, jogar até sumir das vistas no campo da Rua Ezequiel, em um antigo depósito de café.

Começou sua peleja no futebol profissional no América, do Rio, no começo de 1960. Lá foi campeão carioca e considerado um dos destaques do ano. Três anos depois, estava na Academia de Futebol do Palmeiras, onde tinha como companheiros Ademir da Guia e Djalma Santos, entre outros. "Era o único time capaz de fazer frente ao Santos de Pelé", comentou anos mais tarde. Lá venceu o Campeonato Paulista duas vezes, em 63 e 66, além da Taça Rio-São Paulo de 65.

Em 68, surgiu a lei que dava ao jogador 15% do valor da venda de seu passe. Djalma tentou entrar em um acordo com o clube e, depois de oito meses de negociações frustradas, deixou o Parque Antártica. Teve uma breve passagem pelo Atlético MG, transferindo-se logo em seguida ao time que tanto lhe fazia frente, o Santos.

Ele sempre dizia, quando defendia o Palmeiras, que contra Pelé não havia marcação, mas agora não precisava mais se preocupar, pois tinha o rei jogando a seu favor. E foi exatamente no time da Vila Belmiro que conquistou mais um campeonato paulista, em 69.

Seleção - A seleção brasileira foi um capítulo à parte na vida de Djalma Dias. Em 1962 era convocado freqüentemente para integrar a equipe titular nos amistosos quando, após uma partida vitoriosa contra a Polônia, ele foi cortado sem maiores explicações. Não foi ao Chile, onde o Brasil venceria pela segunda vez a Copa do Mundo.

Quatro anos se passaram e ele havia, mais uma vez, sido chamado para toda a fase preliminar da copa que seria disputada na Inglaterra . Era um momento de euforia exagerada por parte da comissão técnica do time canarinho, e 44 jogadores compunham a lista da seleção. Nos treinos do Brasil, cujos jogadores eram divididos em quatro equipes de cores diferentes, Djalma pertencia ao selecionado de cor grená, que todos sabiam ser o titular. Mais uma vez foi cortado de última hora e não viajou.

As más lembranças da seleção, porém, não o fizeram guardar mágoas do futebol, pois, segundo ele, restaramo mais lembranças positivas do que negativas.

Do profissional para o Masters - Encerrar sua carreira em 1974 no Botafogo, do Rio, não foi o fim do futebol para ele. Apesar de nunca ter passado por sua cabeça ser treinador de futebol, Djalma continuava a jogar bola com os amigos e, na década de 70, integrou a seleção de Masters do Brasil ao lado, mais uma vez, de seu companheiro Pelé.

Desde sua meninice até os últimos dias de sua vida, o introspectivo carioca mostrava um corpo esbelto, o que lhe dava direito de caçoar dos colegas que viviam em regime. Segundo ele, sua dieta era comer de tudo, e quando perguntavam como fazia para manter seu corpo em forma, ele respondia: "É à base de cerveja!".

Depois de encerrada sua carreira profissional, Djalma ainda foi dono de uma oficina mecânica, de uma empresa de exportação de produtos químicos e de uma pequena editora que abriu em Belo Horizonte, a Brasil Palestra.

O atleta morreu em primeiro de maio de 1990, no mesmo ano que Araken Patusca, Toninho Guerreiro, Mário Américo e Yshin. Como herança deixou seu filho Djalminha, que fez história no Palmeiras.

Publicação: 22/04/2005
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