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Anjo rebelde
| Paul Hanna/REUTERS |
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Por Rogério Nottoli
Com a bola nos pés, é um Anjo. Capaz de resolver uma partida
com um toque de classe. Passes precisos, dribles desconcertantes
e gols inesquecíveis: o futebol se transforma em espetáculo
quando ele está em campo. Djalminha dispensa apresentações,
foi uma unanimidade nacional, um malabarista de chuteiras
nos anos em que ficou em campo.
O problema é quando seu temperamento intempestivo entrou
em ação. Confusão, escândalos e brigas. A rebeldia atrapalhou
a magia do anjo. O ‘Bad Boy’ colecionou confusões com a mesma
facilidade com que passou pelos adversários na rota do gol.
A emoção falou mais alto que a razão.
A habilidade futebolística foi herança do pai Djalma Dias
- um dos zagueiros mais talentosos da história do futebol
nacional –, que faleceu antes de sentir o prazer de assistir
o filho rebelde com a camisa canarinho da seleção. Djalminha
disputou sua primeira partida profissional no dia 8 de março
de 89. Com a camisa rubro-negra do Mengão, o meia participou
da vitória sobre o América por 1 a 0.
Seu talento lhe rendeu títulos e dinheiro. Sua rebeldia,
porém, lhe afastou da consagração máxima. Djalminha, se só
jogasse futebol, seria titular absoluto da seleção brasileira.
O craque já disputou 11 jogos pela equipe canarinho (fez quatro
gols), mas nunca se firmou entre os titulares. É considerado
desagregador, o gênio indomável é também seu inimigo número,
pois o santista tem futebol para jogar em qualquer seleção
do mundo. Mas, graças ao temperamento...
O craque ficou na Gávea até 93 e só saiu do Flamengo após
uma briga com Renato Gaúcho. No Guarani, jogou quase duas
temporadas, até ser cedido por empréstimo ao Shimizu Pulse,
do Japão, em 94. O ritmo de vida no Oriente não agradou, voltou
naquele ano para Campinas e em 95 reforçou o Palmeiras. No
Palestra Itália, viveu momentos mágicos em 96, com o título
paulista e o vice-campeonato da Copa do Brasil.
Em 97, se tornou o maestro do time alviverde, mas a responsabilidade
foi muito grande. Nas quartas-de-final da Copa do Brasil,
não resistiu à pressão e recebeu cartão vermelho, deu vexame,
em jogo decisivo contra o Flamengo. E foi negociado por US$
12 milhões com o Deportivo La Coruña, clube espanhol que defende
até hoje.
Os espanhóis não se arrependeram do investimento. O presidente
do Depór – como é chamado o Deportivo pelos seus torcedores
-, Cesar Luiz Lendoiro, não poupa elogios ao ‘canhoto genial’.
"Ele (Djalminha) é um fora de série, que não sai daqui", costumava
repetir o cartola, que correu para renovar o contrato do polêmico
brasileiro até 2005.
A explicação de tamanha admiração é simples: o meia brasileiro
foi um dos principais responsáveis pela conquista do Campeonato
Espanhol 99-00, o primeiro título da história do clube galego.
Mas o casamento perfeito, Deportivo-Djalminha, já viveu crises
e esteve perto do divórcio. E a separação veio
em junho de 2002. Num treino recreativo, o jogador discordou
da marcação de um pênalti por Javier Irureta,
o técnico da equipe. Chutou a bola para longe e não
hesitou em golpeá-lo com a cabeça. Afastado
da equipe, o meia perdeu a oportunidade de defender a seleção
brasileira na Copa do Mundo da Coréia e do Japão.
E perdeu também o lugar no elenco do Deportivo. Foi
emprestado para o inexpressivo Austria Viena até o
final do ano.
Na verdade, existe mais reconhecimento ao talento de Djalminha
do que carinho e afeto pelo brasileiro, acostumado se envolver
em escandalos. Como o que ocorreu há três anos quando se reuniu
com o Animal Edmundo, seu amigo particular, para se divertir
na balada de La Coruña. A diversão virou confusão em uma danceteria
da cidade espanhola.
Aliás, durante uma briga na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro,
em 96, Djalminha perdeu um dente após enfrentar um namorado
ciumento numa pizzaria carioca. Também estava com Edmundo,
que vive uma carreira parecida com a do amigo. Jogadores que
n ão abrem mão de diversão e noitadas, mas calam os criticos
com jogadas de pura habilidade.
Na Áustria, Djalminha ainda teve inspiração
para brindar mais um pouco de seu talento. Fez um bom papel
no país, conquistando o título nacional e da
Copa da Áustria. Depois de mais uma rápida passagem
pelo Deportivo La Coruña, o craque tentou a sorte no
América do México, onde quase não jogou
por problemas físicos.
No início de 2005, Djalminha ameaçou retornar
a clubes brasileiros. O Palmeiras chegou a fazer uma sondagem
pelo craque. Mas a motivação não era
mais a mesma. Por isso, o meia preferiu encerrar a carreira
deixando ótimas lembranças no gramado, depois
de 524 partidas e 166 gols marcados.
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