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Dorval, o ponta-direita do
melhor Santos da história
| Foto: Acervo/Gazeta Press |
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Por Luiz Ricardo Fini, especial
para a GE.Net
"Dorval, Mengálvio, Coutinho, Pelé e
Pepe". Essa era a linha de frente do melhor time de futebol
de todos os tempos. Apesar de o sucesso da equipe ter sido
sempre focado no Rei, os outros jogadores também ganharam
o reconhecimento dos torcedores. Um desses atletas é
Dorval, o ágil ponta-direita daquela equipe que conquistou
praticamente tudo o que disputou na década de 1960.
Em 26 de fevereiro de 1935, nascia em Porto Alegre (RS) Dorval
Rodrigues, que desde pequeno demonstrou o interesse pelo esporte
com a bola nos pés. No entanto, ele só chegou
a uma equipe profissional em 1955, quando deixou a profissão
de engraxate e foi contratado pelo Grêmio Esportivo
Força e Luz, extinto time da capital gaúcha.
O tamanho da equipe não impediu Dorval de se destacar
nos campeonatos regionais e, assim, ser chamado para defender
a seleção de seu Estado em um torneio no México.
A habilidade e a facilidade no drible despertaram o interesse
de grandes clubes do Brasil, resultando em sua contratação
pelo Santos, em 1956.
"Vim para São Paulo fazer testes e nenhum grande
me deixou tentar. Então, fiz teste no Santos e consegui
passar. Agradeço por não ter jogador em outra
equipe. Dentro do Santos, encontrei o pessoal que me ajudou
a me consagrar", comenta.
E foi vestindo a camisa alvinegra do time do litoral paulista
que Dorval conquistou seus maiores feitos. No entanto, os
trunfos não chegaram logo que foi contratado pelo Peixe.
Considerado inexperiente pelos dirigentes, o ponta-direita
foi emprestado ao Esporte Clube Juventus para se adaptar melhor
ao futebol paulista, antes de encarar toda a pressão
de vestir a camisa do Santos.
Depois de se destacar nos três meses em que defendeu
o time da Rua Javari, o jogador retornou à Vila Belmiro
para assumir a posição de titular, no lugar
de Alfredinho. Os títulos, então, não
demoraram a aparecer. Em 1958, o Peixe conquistou o Campeonato
Paulista com um show de Pelé, artilheiro da competição
com 58 gols (maior marca até hoje). O sucesso do Rei
do futebol não ofuscou os outros jogadores do elenco,
que se valorizaram muito com a arrasadora campanha do time.
"Pelé é mito no mundo todo. Um dos principais
jogadores da história. Foi fantástico, mas sem
desmerecer os outros, que também eram fantásticos.
Os demais jogadores do Santos também eram muito importantes.
Não sei se o Pelé seria o mesmo jogador em outra
equipe", afirma o ex-ponta.
Dorval disputou 612 partidas com a camisa do Peixe e marcou
198 gols, sendo o sexto maior artilheiro da história
do clube. O ano de mais destaque do ponta-direita foi o de
1962, quando o Peixe conquistou tudo o que disputou: Taça
Brasil, Paulistão, Copa Libertadores da América
e Mundial Interclubes. E foi justamente nas conquistas internacionais
que Dorval aumentou sua fama.
"O Santos era um grande time, que envolvia a amizade
entre os jogadores. Nós jogávamos dentro e fora
do Brasil, fazíamos excursão de até um
mês fora do país. Isso era bom tanto para o Santos
quanto para nós, que aparecíamos para o mundo",
relembra.
Um episódio internacional que o marcou foi a conquista
do primeiro Mundial Interclubes, em 1962, quando a equipe
derrotou o Benfica na final. Na ocasião, o Peixe venceu
o primeiro jogo, no Maracanã, por 3 a 2 e precisava
de outro resultado positivo na partida de volta, em Lisboa.
Se o Benfica vencesse o segundo confronto, seria agendado
outro encontro na Europa para definir o campeão.
"Quando chegamos a Lisboa para jogar, eles já
estavam vendendo ingressos para a terceira partida. Acharam
que ganhariam da gente no segundo jogo, mas deram azar. Perdemos
muitos gols no Maracanã e isso não aconteceu
em Portugal. Quando abriram os olhos, já estávamos
ganhando por 4 a 0", comenta. Quando o árbitro
deu o apito final em Lisboa, no dia 11 de outubro de 1962,
o Santos comemorou seu primeiro título mundial com
a vitória por 5 a 2.
Além de defender o time da Vila Belmiro, Dorval também
teve rápidas passagens pelo Palmeiras e pelo Racing
(por empréstimo), da Argentina. O ex-ponta ainda jogou
por quatro anos no Atlético Paranaense, clube em que
ganhou mais um campeonato estadual. No entanto, seus principais
títulos como jogador profissional foram mesmo conquistados
no Santos, onde ficou até 1966.
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